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SER SOLIDÁRIO EM TEMPO DE CRISE Nota da CDJP de Coimbra

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                                                                SER SOLIDÁRIO EM TEMPO DE CRISE

Quatro meses decorreram após o eclodir desta crise, alterando a nossa forma de estar e de ser. O futuro será, certamente, algo de diferente do que há alguns meses tínhamos dado como certo. Mas crise é, também, o momento de desafio, decisivo para vencer os desequilíbrios e restabelecer a confiança.

Este é o tempo de superar o determinismo e as atitudes passivas com liberdade e responsabilidade. Devemos exigir respostas colectivas, estruturadas e sustentadas, mas, individualmente, cada um de nós não pode deixar de agir, pois que tem o dever de dar a mão a quem, ao nosso lado, precisa de pão e esperança. À indignação perante a injustiça, saibamos juntar o nosso comprometimento e a nossa acção.

A nossa atenção é agora despertada para realidades que sempre estiveram presentes, mas para as quais não estávamos particularmente atentos, e que atingem os mais fragilizados e indefesos.

A pobreza latente irrompeu com ímpeto em largas zonas do país, ameaçando superar os 18 % da população e 1,8 milhões de pessoas estão risco. Em diversas zonas à ausência de condições dignas de vida acresce, muitas vezes, a anomia e a ausência de valores.

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ESCOLHER ENTRE UMA SOCIEDADE "MELHOR" OU UM RETROCESSO CIVILIZACIONAL por Graça Franco

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 GFVivemos, os últimos meses, agarrados à vida com unhas e dentes. Às nossas vidas. Às vidas dos outros. Fizemos tudo para nos/os proteger. Passámos noites sem dormir, cuidando, velando por elas. Fechámo-nos em casa, fechámo-los em casa. Cobrimo-nos de gel. Descalçámo-nos e calçámo-nos, criámos novos rituais. Mudámos de roupa, vezes sem conta, para nos/os poupar. Vimos cenas comoventes de centenários, curados, exibidos como troféus da não desistência, por médicos e cuidadores. Fizemos tudo. Superámo-nos. Gastámos o que tínhamos (e não tínhamos) para os salvar. Sabendo, de antemão, que talvez fiquem connosco mais umas semanas, uns meses, uns anos. Mas, seguramente, nunca mais uma década. Não vimos ninguém como tendo esgotado o seu prazo de validade. Não desistimos de nenhum. Como Sociedade recriámo-nos. Quem sabe, mudámos. Para melhor.

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AS LIÇÕES DA PANDEMIA E A EUTANÁSIA por Pedro Vaz Patto

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 PVPTheo Boer é um professor de ética médica holandês que durante vários anos foi membro da comissão de controlo da prática da eutanásia no seu país. Essa sua experiência levou-o a concluir, contra a sua convicção inicial, que a legalização dessa prática não se restringiu a casos raros e excecionais e conduziu à sua normalização. Esteve em Lisboa e proferiu uma conferência sobre essa sua experiência na Universidade Católica por alturas da discussão dos projetos de legalização da eutanásia apresentados na legislatura anterior.

Merece atenção um artigo que escreveu recentemente em parceria com Kevin Yuill (autor do livro Assisted Suicide: The Liberal, Humanist Case Against Legalization): What Covid-19 has revealed about eutanasia (“O que a Covid-19 revelou sobre a eutanásia”, em tradução livre)

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UMA PANDEMIA, UM DESAFIO À SOLIDARIEDADE

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UMA PANDEMIA, UM DESAFIO À SOLIDARIEDADE

Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz

 «Somos ondas do mesmo mar, folhas da mesma árvore, flores do mesmo jardim» – frases que acompanharam a recente oferta de máscaras protetoras da China à Itália
 
Foi o mundo inteiro surpreendido pela difusão do vírus Covid-19 a uma escala que muitos considerariam inimaginável nos tempos de hoje, de tão benéficos progressos científicos.
 
Parecemos regressados a outros tempos, os das pestes medievais ou das epidemias de há cem anos. Este facto faz-nos refletir na ilusão a que nos conduz o excesso de confiança nas capacidades humanas e na ciência. O ser humano continua a ser vulnerável diante da doença e da morte e deve reconhecer humildemente essa sua vulnerabilidade.
 
Mas outras importantes lições se podem colher deste surpreendente fenómeno.
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ESFORÇOS PARTILHADOS Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz

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Nota Esforço partilhado - Imagem

ESFORÇOS PARTILHADOS

Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz

O nosso país, como o mundo inteiro, vê-se hoje confrontado com uma crise económica e social de uma gravidade sem precedentes. Essa crise traduz-se, para muitos, em desemprego, perda total ou muito substancial de rendimentos e privação da satisfação de necessidades básicas, como a alimentação.

As desigualdades que já anteriormente marcavam a nossa sociedade tendem a agravar-se, pois, como revelam vários estudos, são os mais pobres quem, de um modo geral, mais sofre com esta crise.

A crise não atinge todos por igual e há quem não sofra perdas substanciais de rendimentos. A estes é pedido um esforço de solidariedade, também ele sem precedentes, que permita minorar os seus efeitos.

Neste contexto, causa legítima perplexidade e escândalo a notícia de que um banco privado, cuja sobrevivência tem sido assegurada graças a avultados fundos estatais que acabam a onerar todos os contribuintes, contempla a possibilidade de vir a atribuir prémios de gestão que (ainda que previstos contratualmente e “devidos” pela fixação de objetivos atingidos) implicam uma ordem de grandeza de tal modo elevada que choca pela disparidade face à média das retribuições do trabalho em Portugal.

Esta situação, e outras semelhantes, em matéria de política de retribuições ou de distribuição de dividendos de que ficam excluídos os trabalhadores, por bancos (também contemplados com excecionais benefícios estatais) ou outras empresas, contrastam flagrantemente com os esforços de solidariedade que a atual situação reclama.

Há que ter presente que nem tudo o que é legal é legítimo. E há que demonstrar que a responsabilidade social das empresas tem exigências de coerência e não pode confundir-se com um simples instrumento de promoção de imagem.

Como afirmou o Papa Francisco, nesta crise «estamos todos no mesmo barco e ninguém se salva sozinho». A coesão social é necessária, hoje mais do que nunca. Só a partilha equitativa dos esforços que nos são exigidos garante essa coesão.

                                                                                                                                                                                                                                                                    Lisboa, 25 de maio de 2020                                                                                                                                                                                                                                                                         
                                                                                                                                                                                                                                                               A Comissão Nacional Justiça e Paz