Comissão Nacional Justiça e Paz

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Educação para o desenvolvimento - Um projecto da Comissão Nacional Justiça e Paz

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O que é a Educação para o Desenvolvimento? A Educação para o Desenvolvimento (ED) é uma prática de sensibilização da sociedade civil através de workshops, debates, sessões de divulgação, campanhas, e todo o tipo de iniciativas que visem: * Consciencializar os cidadãos e as cidadãs acerca da interdependência entre as diferentes regiões do mundo, dando a conhecer a realidade económica, política, social e cultural dos países mais empobrecidos e, por essa via, abrir caminho para uma maior solidariedade entre os povos; * Capacitar as pessoas com conhecimentos que lhes permitam uma melhor análise da informação sobre a realidade sócio-económica e sobre as políticas locais, nacionais e internacionais, ligadas aos desequilíbrios mundiais, e, deste modo, incentivar as necessárias mudanças dos comportamentos individuais e colectivos, no sentido de um desenvolvimento humano e sustentável; * Ajudar a elaborar propostas de acção, norteadas por preocupações de justiça e sustentabilidade dos processos de desenvolvimento. A Educação para o Desenvolvimento assenta no direito de todas as pessoas, e de todos os povos, à participação no desenvolvimento económico, social, político e cultural, e é reconhecida como uma componente fundamental na educação das novas gerações bem como no plano da formação ao longo da vida, em múltiplas instâncias internacionais, com destaque para a UNESCO ou o Conselho da Europa. Porquê no âmbito da CNJP? A vasta problemática do desenvolvimento no mundo contemporâneo tem merecido também uma ampla reflexão por parte do magistério da Igreja católica, como é patente na Doutrina Social da Igreja, que norteia a nossa acção. Dados objectivos essenciais da Comissão Nacional Justiça e Paz, torna-se evidente o interesse deste organismo em contribuir, ao seu nível, para encorajar iniciativas que procurem ir ao encontro da necessidade de formação das consciências para uma cultura da paz e da solidariedade entre os povos. Daí o projecto de Educação para o Desenvolvimento que neste momento se encontra em curso. Qual o contexto social em que este projecto se insere? Também o contexto português torna muito pertinente uma acção ao nível da sensibilização da dos cidadãos para as questões do desenvolvimento. De facto, em Portugal, muitos dos movimentos sociais que têm dinamizado a sociedade civil europeia são ainda uma relativa novidade. Iniciativas como o Comércio Justo ou o microcrédito, chegaram a Portugal há menos de 10 anos e envolvem ainda uma franja muito reduzida da sociedade, não obstante os esforços dedicados dos grupos de voluntários e as associações sem fins lucrativos que as dinamizam. A Campanha Global pela Educação e a Campanha Pobreza Zero, ambas promovidas a nível mundial como parte da Campanha dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, têm tido, entre nós, e apesar das inúmeras iniciativas de divulgação das organizações envolvidas, uma expressão muito modesta. Por outro lado, as comunidades cristãs, paróquias e/ou movimentos, não apresentam, a este propósito, dinamismos maiores do que a sociedade civil, no seu todo. Pensamos, pois, que uma certa indiferença face à problemática do desenvolvimento se deve à falta de uma cultura de participação e de co-responsabilização. É este um problema geral para o qual há que encontrar resposta. A Educação para o Desenvolvimento é uma ferramenta fundamental para uma imprescindível cultura de solidariedade, de que o nosso País tanto necessita. É, simultaneamente, uma educação para a participação cívica, para a justiça e para a paz. É a aposta numa geração mais aberta e atenta aos problemas do mundo, mais consciente da solidariedade intrínseca à sustentabilidade do desenvolvimento e profundamente consciente da sua inalienável cidadania no que esta comporta de direitos e deveres universais. Acreditamos que este é um caminho real para a construção da justiça e da paz e como tal é um dever da Igreja portuguesa ser um actor decisivo neste processo. Objectivos específicos Constituem objectivos específicos deste projecto os seguintes: * Despertar a noção de cidadania global, para que se traduza num sentimento de comunhão com todos os seres humanos, e numa forte noção de co-responsabilidade pelo Mundo em que vivemos; * Informar acerca das grandes desigualdades mundiais; * Aprofundar conceitos, dados e teorias explicativas destas desigualdades, desconstruindo ideias falsas e preconceitos; * Valorizar a capacidade de análise dos participantes, despertando neles uma consciência crítica relativamente aos media e aos lugares comuns que se instalaram na sociedade e na cultura dominante; * Suscitar o desejo de uma maior participação cívica, aliada a uma maior consciência dos caminhos de transformação possível, que cada um, aqui e agora, tem à sua frente; * Divulgar a Doutrina Social da Igreja, designadamente no que se refere a humanizar as visões do mundo e, por esta via, contrariar o individualismo, o imediatismo, o consumismo e o egoísmo, ainda tão entrosados na nossa sociedade; * Dinamizar a comunidade cristã para um compromisso com o Mundo, em coerência com a sua fé. Como se desenvolve o projecto? O projecto tem vindo a desenvolver ao nível das escolas e das comunidades paroquiais da zona de Lisboa, através de acções de formação animadas pela vogal da CNJP, Maria Joana Rigato. As acções podem ser de diferente duração, conforme o local e o tipo de destinatários (jovens universitários, estudantes do ensino secundário, professores, etc), podendo ir desde um dia de formação, a dois ou três, ou até a dois meses de workshops de algumas horas, repartidos no tempo. Os destinatários privilegiados são jovens dos 15 aos 35 anos. Qual a Metodologia? Este projecto baseia-se essencialmente em métodos de aprendizagem experiencial, recorrendo a técnicas comunicativas que privilegiam a interacção e o esforço cooperativo. Existem também materiais de apoio, preparados pela organização, tanto para utilizar nas sessões de formação como destinados a ser distribuídos aos formandos. Para além dos jogos participativos (sobretudo actividades de role-playing, jogos de simulação), sobre os quais assentam, normalmente, os diferentes momentos da uma sessão de formação, é muito importante dinamizar as sessões com a ajuda de instrumentos de comunicação visual. De facto, muitos psicólogos afirmam que 70% das decisões que uma pessoa normalmente toma deriva de estímulos de natureza visual. De facto, é sempre interessante integrar o que é dito e feito nas sessões de formação com mapas, vídeos, slides e powerpoints. Por último, e sendo o nosso maior objectivo o "fazer fazer", "fazer pensar", "fazer descobrir", mais do que apresentar soluções feitas e expor temas de forma unidireccional, as metodologias comunicativas - como o brainstorming (chuva de ideias), os debates organizados, etc. - são um excelente instrumento de trabalho para este tipo de sessões de trabalho de grupo. Através delas, podemos colocar os participantes numa posição proactiva, dando-lhes um papel de actores em primeira linha do processo de aprendizagem comum em que todos - formadores e formandos - participam. Desta forma, a informação não é dada por uns e recebida por outros de forma passiva - o que, sabemo-lo bem, só resulta numa indiferença em relação ao que se ouviu, e num esquecimento quase imediato. Ela é, sim, descoberta por todos e processada no próprio momento em que é revelada.