Comissão Nacional Justiça e Paz

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Poliedro

onde a unidade harmónica do todo conserva a particularidade e originalidade de cada uma das partes — reflexões dos membros da CNJP



A Gruta, a Porta e a Misericórdia

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Jesus nasceu numa gruta porque a porta da hospedaria não se abriu para o acolher. A gruta não tinha portas e por isso os pastores e todos aqueles que foram a Belém para adorar o Menino não tiveram qualquer barreira. O que contemplamos em qualquer Presépio, especialmente após São Francisco o ter formalmente instituído, é o Deus feito Homem que vem, com toda a simplicidade e sem portas, ao nosso encontro.

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Uma família igual às outras

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Passará quase despercebida a muitas pessoas (num momento em que outras são as questões que recebem enfoque na comunicação social) a aprovação da proposta de legalização da adoção conjunta por uniões do mesmo sexo. Uma questão, esta, que tem gerado ampla discussão por todo o lado e que se liga a opções antropológicas de grande alcance. E que os partidos proponentes assumem como “prioridade das prioridades”, a anteceder qualquer outra no início da presente legislatura. Vale a pena recordar os princípios que estão em jogo.

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«Amnistia Internacional e prostituição»

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Texto da autoria de Pedro Vaz Patto sobre a posição favorável à legalização da prostituiçã da Aministia Internacional:

A Amnistia Internacional passou a adotar uma posição favorável à legalização da prostituição e da descriminalização do proxenetismo (punível pela legislação penal portuguesa e de muitos países), assim como da conduta do cliente (punível na legislação sueca e de países que seguem este modelo). Considera que o exercício consentido da prostituição é expressão de um direito fundamental de autonomia pessoal («com o meu corpo, posso fazer o que quero»). E a legalização seria uma forma de garantir às pessoas que se prostituem o exercício de direitos laborais e de segurança social.

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«Uma questão que não está encerrada»

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Texto da autoria de Pedro Vaz Patto sobre o debate da Iniciativa Legislativa de Cidadãos “Lei de apoio à maternidade e paternidade - do direito a nascer”:

Há quem diga que esta questão ficou encerrada com o referendo de 2007 e que é hoje pacífica. A vivacidade (ou a violência) do debate a que assistimos revela o contrário. Mas não era intenção da iniciativa legislativa em causa reacender essa questão, como se vê pelo conteúdo da Lei aprovada. Era o de estabelecer pontes, em torno de um objetivo comum de apoio à maternidade e paternidade. Os opositores a essa iniciativa acusaram os seus proponentes de “fundamentalismo” e “extremismo”. Mas onde está o “extremismo”? Na proposta que foi aprovada, ou a quem a ela se opôs tão violentamente?

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Ética da vida e ética social

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Numa mensagem recente, dirigida aos participantes de uma conferência internacional sobre as mulheres e o desenvolvimento, organizada pelo Conselho Pontifício da Justiça e da Paz, em colaboração com a União Mundial das Organizações Femininas Católicas e a World Women’s Alliance for Life and Family, o Papa Francisco sublinhou uma questão que já o Papa Bento XVI havia, mais do que uma vez, sublinhado: a estreita ligação entre a ética da vida e a ética social. Afirmou a este respeito: «As questões ligadas à vida são intrinsecamente conexas com as questões sociais; quando defendemos o direito à vida, fazemo-lo também para que essa vida possa, da sua conceção até ao seu termo natural, ser uma vida digna, que não conheça as chagas da fome e da pobreza, da violência e da perseguição». E citou a encíclica de Bento XVI Caritas in veritate : «A Igreja propõe, com vigor, esta ligação entre ética da vida e ética social, ciente de que não pode ter sólidas bases uma sociedade que afirma valores como a dignidade da pessoa, a justiça e a paz, mas contradiz-se radicalmente aceitando e tolerando as mais diversas formas de desprezo e violação da vida humana, sobretudo se débil e marginalizada» (n. 15).

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Só me apetece dizer, neste 13 de Maio, Nossa Senhora nos valha!

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Acabo de ver o noticiário da hora de almoço na SIC.

Um vídeo amador circula já no facebook: duas jovens do Bairro Novo da Figueira da Foz situado numa rua principal da cidade que leva às praias, pejada de cafés, bares e restaurantes, agridem selvaticamente um rapazinho. Passou um ano até tomarmos conhecimento do que se passou, depois de alguém colocar as imagens nas redes sociais - talvez os pais do jovem agredido quisessem manter este incidente no foro do privado, tal o estigma que rodeia uma vítima de processos de bullying. 13 minutos de agressão na cara e nos órgãos genitais! O rapazinho encostado a uma parede cor-de-rosa de mãos atadas. 13 minutos de crueldade sádica. Raparigas reproduzindo modelos de violência física que julgávamos serem mais frequentes em rapazes.

Eis algumas das minhas reflexões enquanto membro desta Comissão:

  • O flagelo do bullying nas escolas, nos bairros, nos jardins públicos, entre portas - trata-se ou não de uma questão de Justiça e Paz?
  • Será ou não uma forma de globalização – bem localizada, desta vez – do pecado da indiferença? (Papa Francisco)
  • Numa rua cheia de movimento quem protegeu este rapazinho? Quem prestou atenção? Quem olhou para o que se passava e procurou “dar uma mão”? Ou olhou para o lado dizendo para os seus botões que não era nada com ele/ela?
  • O bullying está diretamente correlacionado com o sucesso escolar, ou a ausência dele...com o sucesso na vida.

Sendo um dos primeiros países do mundo a subscrever a Convenção Internacional dos Direitos da Criança onde a colocámos? Que descrevemos nos relatórios quinquenais que nos propusemos fazer?

Fiquei estarrecida ao ouvir uma das jovens afirmar: “Eu estou na paz!” E a outra, rindo-se, completar: “Na Paz de Deus?!” Lembrei-me o que aprendi na catequese: “Não invocar o Santo Nome de Deus em vão..”

Fui professora e depois formadora de professores e educadores ao longo de quase 30 anos. As questões do bullying já são investigadas há muitos anos nos Estados Unidos, na Noruega, na Dinamarca. Quantas crianças em Portugal terão sido já objeto de bullying? Que consequências para a sua vida escolar, para a capacidade de aprender, de se relacionar de forma saudável com os outros? Que faz a escola, os professores, os assistentes operacionais que acompanham as crianças nos recreios, nas refeições, nas entradas e saídas, no recinto circundante à escola?

Justiça e Paz para esta criança, não consigo deixar de pedir bem alto. E se fosse o “meu filho” e não qualquer criança algures na Figueira da Foz?

Cito Augusto Gil: Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor, porque padecem assim?

Teresa Vasconcelos

 

Reinventar a Paz

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Pendurei-me na minha camisa branca para gritar a minha adesão ao “somostodospessoas”. Depressa senti um sobressalto, uma agitação, porque por momentos tinha a alma em paz, já tinha o “dever cumprido” com a camisa branca, mas já está tudo feito?

Entretanto, à janela dos dias perpassa o cinzentismo de nuvens carregadas de intolerâncias, argueiros ou traves, eus inchados de mesquinhas razões, subtis interesses, vãs aspirações de glórias.

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Silêncio, nunca mais

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A Comissão Nacional Justiça e Paz publicou na Semana Santa uma nota sobre a perseguição aos cristãos em várias partes do mundo, com o título dos versos de Sophia de Mello Breyner: Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar. Dias depois, a questão tornou-se, tragicamente, ainda mais atual, com o massacre na Universidade de Garissa, no Quénia. E outros acontecimentos análogos continuam a verificar-se desde então.

Durante muito tempo, imperou a este respeito, sobretudo na sociedade civil, mas também na Igreja, a ignorância, ou uma atenção muito ténue, desproporcionada em relação à gravidade da situação. Ainda hoje, estes atentados à vida e à liberdade religiosa, que alguém já qualificou como das mais graves violação dos direitos humanos do início do século XXI, parecem não receber manifestações de repúdio tão intensas como as de outros atentados não tão graves e frequentes.

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Glosando um poema de José Augusto Mourão

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Abre nossos ouvidos

Deus de quem tocamos as margens
do lado de cá das fronteiras
da palavra, as linhas contrárias;
abre os nossos ouvidos
aos corredores de vozes
que nos atravessam
(...)
e livra-nos do mal absoluto
que é não haver ninguém que nos responda.

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Poliedro: reflexões dos membros da CNJP

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A Comissão Nacional Justiça e Paz inicia hoje a publicação de artigos de opinião dos seus membros sobre questões de atualidade à luz dos critérios do Evangelho e da doutrina social da Igreja que orientam o trabalho desta Comissão. Procuramos, assim, estar atentos aos que se passa à nossa volta e fazer nossos os sofrimentos e as alegrias de quem está mais próximo ou mais longínquo.

Através da variedade destes contributos e das diferentes temáticas, perspetivas e sensibilidades, temos como ambição compor uma unidade segundo a imagem (várias vezes evocada pelo Papa Francisco) do Poliedro, onde a unidade harmónica do todo conserva a particularidade e originalidade de cada uma das partes.

 

 


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