Comissão Nacional Justiça e Paz

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Poliedro

onde a unidade harmónica do todo conserva a particularidade e originalidade de cada uma das partes — reflexões dos membros da CNJP



Legal, mas imoral

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Um relatório da O.N.G. Oxfam recentemente publicado veio reafirmar o que já outros estudos tinham revelado. A humanidade tem conhecido nas últimas décadas um crescimento económico notável: mais do que duplicou nos últimos trinta anos, em média mais em países outrora de mais baixos rendimentos (como a China e a Índia). De 1990 a 2010 a percentagem da população mundial a viver em situação de extrema pobreza passou de 36 para 16. No entanto, os benefícios desse crescimento não vêm sendo repartidos de forma igual, ou sequer equilibrada. Cerca de metade dos benefícios desse crescimento tem recaído sobre uma pequena percentagem da população mundial (cerca de 1 por cento). Essa pequena maioria (segundo dados do banco Crédit Suisse) passou a deter uma riqueza superior à de toda a restante população mundial (os outros 99 por cento). A percentagem da riqueza mundial auferida pelas sessenta e duas pessoas mais ricas aumentou 44 por cento desde 2010. Os níveis de desigualdade vêm crescendo e atingem um patamar sem equivalente nos últimos cem anos.

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Porque fogem?

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Porque fogem os refugiados da Síria e do Iraque? Porque atravessam fronteiras e o Mediterrâneo? Porque arriscam a vida e dos seus filhos? O vídeo que encontrei aqui no site da Rádio Renascença ajuda a perceber porquê. Porque razão a cidade de Homs ficou totalmente em ruínas é uma questão complexa e que remete para múltiplas explicações. Mas porque de lá fugiram os seus habitantes é tão óbvio que só a cegueira e o egoísmo impedem de ver. A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre publicou, esta semana, duas recentes cartas enviadas, há dias, pelo Patriarca da Igreja Católica Greco-Melequita deAntioquia e de todo o Oriente, Alexandria e Jerusalém , Gregorios III Laham e pelo Patriarca dos Católicos Caldeus e Presidente da Conferência Episcopal do Iraque, Louis Raphael Sako. Convido à leitura destas duas mensagens pois são um testemunho genuíno e vivido da tragédia que se vive nestes países. Agora que vemos e também lemos o que se passa na Síria e no Iraque, não podemos ignorar!

Vasco Mina

 

Cultura de vida ou de morte

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Com um manifesto já tornado público, e a que se associam artistas, médicos e investigadores de renome, está lançado o debate sobre a legalização da eutanásia (ainda que sob a designação ténue de “morte assistida”). É caso para dizer que ainda bem. O pior que nos podia acontecer era ver mais uma vez aprovada da noite para o dia, sem que nos déssemos sequer conta, perante a mais profunda ignorância da sociedade, essa nova lei, na voragem legislativa fracturante a que nos habituamos nos últimos tempos.

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Medo dos Refugiados?

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Já os atentados de Paris, em novembro, para isso tinham contribuído. Mas foi sobretudo a série maciça de agressões de cariz sexual a mulheres na noite de passagem de ano, em Colónia e noutras cidades alemãs, a colocar em causa, em muitos setores da opinião pública, a política de abertura e acolhimento para com a atual vaga de refugiados na Europa. Em vez de suscitarem a solidariedade, estes parece que agora suscitam medo.

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A Gruta, a Porta e a Misericórdia

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Jesus nasceu numa gruta porque a porta da hospedaria não se abriu para o acolher. A gruta não tinha portas e por isso os pastores e todos aqueles que foram a Belém para adorar o Menino não tiveram qualquer barreira. O que contemplamos em qualquer Presépio, especialmente após São Francisco o ter formalmente instituído, é o Deus feito Homem que vem, com toda a simplicidade e sem portas, ao nosso encontro.

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Uma família igual às outras

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Passará quase despercebida a muitas pessoas (num momento em que outras são as questões que recebem enfoque na comunicação social) a aprovação da proposta de legalização da adoção conjunta por uniões do mesmo sexo. Uma questão, esta, que tem gerado ampla discussão por todo o lado e que se liga a opções antropológicas de grande alcance. E que os partidos proponentes assumem como “prioridade das prioridades”, a anteceder qualquer outra no início da presente legislatura. Vale a pena recordar os princípios que estão em jogo.

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«Amnistia Internacional e prostituição»

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Texto da autoria de Pedro Vaz Patto sobre a posição favorável à legalização da prostituiçã da Aministia Internacional:

A Amnistia Internacional passou a adotar uma posição favorável à legalização da prostituição e da descriminalização do proxenetismo (punível pela legislação penal portuguesa e de muitos países), assim como da conduta do cliente (punível na legislação sueca e de países que seguem este modelo). Considera que o exercício consentido da prostituição é expressão de um direito fundamental de autonomia pessoal («com o meu corpo, posso fazer o que quero»). E a legalização seria uma forma de garantir às pessoas que se prostituem o exercício de direitos laborais e de segurança social.

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«Uma questão que não está encerrada»

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Texto da autoria de Pedro Vaz Patto sobre o debate da Iniciativa Legislativa de Cidadãos “Lei de apoio à maternidade e paternidade - do direito a nascer”:

Há quem diga que esta questão ficou encerrada com o referendo de 2007 e que é hoje pacífica. A vivacidade (ou a violência) do debate a que assistimos revela o contrário. Mas não era intenção da iniciativa legislativa em causa reacender essa questão, como se vê pelo conteúdo da Lei aprovada. Era o de estabelecer pontes, em torno de um objetivo comum de apoio à maternidade e paternidade. Os opositores a essa iniciativa acusaram os seus proponentes de “fundamentalismo” e “extremismo”. Mas onde está o “extremismo”? Na proposta que foi aprovada, ou a quem a ela se opôs tão violentamente?

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Ética da vida e ética social

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Numa mensagem recente, dirigida aos participantes de uma conferência internacional sobre as mulheres e o desenvolvimento, organizada pelo Conselho Pontifício da Justiça e da Paz, em colaboração com a União Mundial das Organizações Femininas Católicas e a World Women’s Alliance for Life and Family, o Papa Francisco sublinhou uma questão que já o Papa Bento XVI havia, mais do que uma vez, sublinhado: a estreita ligação entre a ética da vida e a ética social. Afirmou a este respeito: «As questões ligadas à vida são intrinsecamente conexas com as questões sociais; quando defendemos o direito à vida, fazemo-lo também para que essa vida possa, da sua conceção até ao seu termo natural, ser uma vida digna, que não conheça as chagas da fome e da pobreza, da violência e da perseguição». E citou a encíclica de Bento XVI Caritas in veritate : «A Igreja propõe, com vigor, esta ligação entre ética da vida e ética social, ciente de que não pode ter sólidas bases uma sociedade que afirma valores como a dignidade da pessoa, a justiça e a paz, mas contradiz-se radicalmente aceitando e tolerando as mais diversas formas de desprezo e violação da vida humana, sobretudo se débil e marginalizada» (n. 15).

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Só me apetece dizer, neste 13 de Maio, Nossa Senhora nos valha!

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Acabo de ver o noticiário da hora de almoço na SIC.

Um vídeo amador circula já no facebook: duas jovens do Bairro Novo da Figueira da Foz situado numa rua principal da cidade que leva às praias, pejada de cafés, bares e restaurantes, agridem selvaticamente um rapazinho. Passou um ano até tomarmos conhecimento do que se passou, depois de alguém colocar as imagens nas redes sociais - talvez os pais do jovem agredido quisessem manter este incidente no foro do privado, tal o estigma que rodeia uma vítima de processos de bullying. 13 minutos de agressão na cara e nos órgãos genitais! O rapazinho encostado a uma parede cor-de-rosa de mãos atadas. 13 minutos de crueldade sádica. Raparigas reproduzindo modelos de violência física que julgávamos serem mais frequentes em rapazes.

Eis algumas das minhas reflexões enquanto membro desta Comissão:

  • O flagelo do bullying nas escolas, nos bairros, nos jardins públicos, entre portas - trata-se ou não de uma questão de Justiça e Paz?
  • Será ou não uma forma de globalização – bem localizada, desta vez – do pecado da indiferença? (Papa Francisco)
  • Numa rua cheia de movimento quem protegeu este rapazinho? Quem prestou atenção? Quem olhou para o que se passava e procurou “dar uma mão”? Ou olhou para o lado dizendo para os seus botões que não era nada com ele/ela?
  • O bullying está diretamente correlacionado com o sucesso escolar, ou a ausência dele...com o sucesso na vida.

Sendo um dos primeiros países do mundo a subscrever a Convenção Internacional dos Direitos da Criança onde a colocámos? Que descrevemos nos relatórios quinquenais que nos propusemos fazer?

Fiquei estarrecida ao ouvir uma das jovens afirmar: “Eu estou na paz!” E a outra, rindo-se, completar: “Na Paz de Deus?!” Lembrei-me o que aprendi na catequese: “Não invocar o Santo Nome de Deus em vão..”

Fui professora e depois formadora de professores e educadores ao longo de quase 30 anos. As questões do bullying já são investigadas há muitos anos nos Estados Unidos, na Noruega, na Dinamarca. Quantas crianças em Portugal terão sido já objeto de bullying? Que consequências para a sua vida escolar, para a capacidade de aprender, de se relacionar de forma saudável com os outros? Que faz a escola, os professores, os assistentes operacionais que acompanham as crianças nos recreios, nas refeições, nas entradas e saídas, no recinto circundante à escola?

Justiça e Paz para esta criança, não consigo deixar de pedir bem alto. E se fosse o “meu filho” e não qualquer criança algures na Figueira da Foz?

Cito Augusto Gil: Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor, porque padecem assim?

Teresa Vasconcelos

 


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