A chave da minha vocação

A caridade deu-me a chave da minha vocação. Compreendi que, se a Igreja tinha um corpo composto de diversos membros, o mais necessário, o mais nobre de todos não lhe faltava: compreendi que a Igreja tinha um coração, e que esse coração estava ardendo de amor. Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja; que se o Amor se apagasse, os apóstolos já não anunciariam o Evangelho, os mártires recusar-se-iam a derramar o seu sangue… Compreendi que o Amor encerra todas as vocações, que o Amor é tudo, que abarca todos os tempos e todos os lugares… numa palavra, que é Eterno!… Então, num transporte de alegria delirante, exclamei: “Ó Jesus, meu Amor! encontrei finalmente a minha vocação: a minha vocação é o Amor!…”.

Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, e esse lugar, ó meu Deus, fostes Vós que mo destes… No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o Amor… Assim serei tudo…, assim o meu sonho será realizado!!!…

Por que falar de uma alegria delirante? Não, esta expressão não é exacta. É antes a paz calma e serena do navegante ao avistar o farol que o há-de guiar ao porto. Ó Farol luminoso do Amor, eu sei como hei-de alcançar-te; encontrei o segredo para me apropriar da tua chama.

Santa Teresa do Menino Jesus

Teresa de Lisieux (ou Santa Teresa do Menino Jesus ou ainda Santa Teresinha), nasceu no dia 2 de Janeiro de 1873, em Alençon, França. Aos 15, com a autorização do Papa Leão XIII, visto ser muito nova, entra na Ordem das Carmelitas Descalças. Morreu no dia 30 de Setembro de 1897, com apenas 24 anos. Foi canonizada em 1925, por Pio XI, e, em 1927, proclamada padroeira das missões, com S. Francisco Xavier. João Paulo II, em 1997, proclamou-a Doutora da Igreja e Co-padroeira da Europa. Texto retirado de “História de uma alma”, a autobiografia espiritual de Santa Teresinha.