Docentes de EMRC são “interlocutores” da “ressurreição” para quem não tem fé

D. António Moiteiro e Elisa Urbano

D. António Moiteiro e Elisa Urbano

 

D. António Moiteiro desafiou docentes e formadores da disciplina durante um encontro que decorreu no fim de semana.

 

A disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) é oportunidade para levar a proposta da “ressurreição de Jesus” a quem “ainda não teve o testemunho de fé”, tornando os docentes da disciplina “interlocutores privilegiados”.
“A Igreja espera que vós, docentes de EMRC, sejais interlocutores privilegiados da ressurreição de Jesus a todos os que, na escola, ainda não tiveram o testemunho de fé e a experiência de encontro com o ressuscitado”, afirmou D. António Moiteiro, Bispo de Aveiro e vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF), durante a apresentação do Encontro de Formação de professores de EMRC que decorreu no fim de semana em Alfragide.
O responsável, citado pelo portal Educris, afirmou aos docentes que estes são “membros do dinamismo da Igreja para o anúncio do Evangelho”, sendo desafiados a viver “na sua vida o acontecimento da ressurreição”.
D. António Moiteiro pediu ainda aos professores de EMRC que promovam “com os seus alunos o encontro com o ressuscitado” à semelhança dos “discípulos de Emaús”, que experimentaram “a ressurreição no domingo à tarde”.

 

Lugar para a Bíblia
No encontro participou também o P.e Júlio Franclim, da Diocese de Aveiro, que notou que “é possível haver um professor de EMRC que cumpra o plano de aula e o programa mas que não tenha fé. Não consegue apreender o âmago da Palavra de Deus que provém da ação do Espírito Santo”. O biblista alertou que “não se pode reduzir a Sagrada Escritura a um subsídio” e reafirmou a ideia de que “se a disciplina de EMRC é confessional”, é preciso perguntar qual o lugar que ocupa na sala de aula”. Neste sentido, torna-se fundamental que o docente de EMRC esteja consciente que a disciplina que leciona não é apenas “moral”, nem “Educação ou Religiosa” mas é-o na medida em que estiver presente a totalidade da “Educação Moral e Religiosa Católica”. Por isso, desafiou o auditório a pensar: “Qual o lugar que dou à Sagrada Escritura na minha lecionação?”
D. António Francisco dos Santos, também vogal da CEECDF, considera que o novo programa da disciplina está “muito inserido no contexto da cultura da escola em Portugal” e permitirá também responder aos “desafios destes tempos lançados à Igreja”.
Destacou, por outro lado, a necessidade de os docentes se sentirem cada vez mais como membros de “pleno direito” das escolas, “com iguais responsabilidades e ao mesmo tempo com um contributo único e imprescindível no bem das escolas e na formação dos alunos”.
A ação de formação, orientada para a preparação do próximo Fórum de EMRC, no mês de maio em Fátima, contou ainda com uma conferência do superior provincial da Companhia de Jesus.

 

Minoria qualificada
Tendo como ponto de partida o tema “EMRC, profecia e dom: um jeito de ser Igreja”, o padre José Frazão Correia salientou que a Educação Moral e Religiosa Católica “deve estar na escola como uma minoria qualificada e qualificadora”, capaz de “gerar o diálogo e apontar caminhos para as grandes questões humanas”.
“Não tenham medo de ser minoria, como Igreja e disciplina” mas “retirem toda a força dessa possibilidade”, para “marcar a diferença”, pediu o sacerdote aos professores.