Mensagem Quaresmal 2015 – Jesus é o Filho de Deus: escuta-O!

 

O cristianismo, apesar das perseguições do séc. II, estende-se rapidamente ao longo do mar Mediterrâneo, o que obriga a Igreja, que vive no meio de um mundo hostil e pagão, a organizar, com muito rigor, a iniciação daqueles que desejavam batizar-se. É provável que a existência nas religiões pagãs de etapas e de ritos de iniciação tivesse levado os cristãos a iniciar aqueles que desejavam batizar-se e serem discípulos de Jesus.
A iniciação cristã está pensada com uma visão claramente pastoral: não se trata apenas de conhecer a doutrina, mas sim, acompanhar as pessoas que estão a crescer na fé e que a possam traduzir na vida.
A decadência do catecumenado trouxe alguns elementos positivos que importa realçar: estruturou-se a Quaresma como um período intenso de formação dos futuros batizados, e a Igreja, como boa mãe, alimenta, com o seu ensino e os ritos litúrgicos aqueles que já renasceram na fonte das águas batismais, mas ainda necessitam continuar a crescer na fé. Nela estão presentes de um modo muito intenso a pregação da Palavra de Deus (exemplo disso são os evangelhos catecumenais – Samaritana, Cego de nascença e ressurreição de Lázaro) e as exigências de uma verdadeira conversão.
A nossa diocese de Aveiro propõe a todas as comunidades cristãs uma caminhada quaresmal que inclui uma folha semanal de oração e compromisso para as crianças e adolescentes até ao 9º ano; um caderno de oração e compromisso para os jovens; e para os adultos uma sugestão semanal de Lectio Divina, com base no Evangelho Dominical, que deve ser meditada nos grupos da paróquia, em família ou mesmo individualmente.
Propomos, ainda, um dia de retiro (7 de março), realizado, preferencialmente, a nível arciprestal. Poderá ser organizado contemplando um tempo de aprofundamento do desafio semanal proposto na caminhada quaresmal, de adoração ao Santíssimo Sacramento e Celebração Penitencial/confissões.
A conversão também exige mais penitência, jejum e partilha com as maiores necessidades dos irmãos e da Igreja. Neste ano, a nossa renúncia quaresmal terá como destino a nossa casa sacerdotal Santa Joana e os cristãos perseguidos do médio oriente, particularmente do Iraque e da Síria.
Que este tempo nos ajude a «procurar uma melhor formação, um aprofundamento do nosso amor por Ele e um testemunho mais claro do Evangelho» (EG 121).
Aveiro, 18 de fevereiro de 2015
+ António Manuel Moiteiro Ramos,
Bispo de Aveiro