O essencial de Fátima

DIÁLOGOS DE FÁTIMA
João Gonçalves Gaspar
Tempo Novo
56 páginas
4,50 euros

 

Neste livro de meia centena de páginas, monsenhor João Gonçalves Gaspar apresenta o essencial das aparições de Fátima, ou seja, não as aparições, visões ou o que quer que seja que passou pelos olhos dos Pastorinhos, mas o que passou pelos ouvidos, cabeça e coração, a mensagem, os diálogos, a palavra. E o essencial da mensagem é, como escreve o Bispo de Aveiro no Prefácio, a misericórdia, “que é o fio condutor das aparições do Anjo e de Nossa Senhora em Fátima. O protagonismo da misericórdia está vinculado ao Imaculado Coração de Maria nos momentos mais decisivos” (p.7).
O padre aveirense e historiador fundamenta a transcrição dos diálogos nos primeiros escritos de Fátima, constituídos pelos interrogatórios feitos aos Pastorinhos até 1919 (“Fátima I”), no processo canónico de 1924 (“Fátima II”) e nos escritos posteriores, que incluem as “Memórias” de Lúcia (“Fátima III”). Mas dá prioridade a Fátima I, embora, como refere na “Nota Prévia”, tenha redigido de forma diferente um ou outro diálogo, com o cuidado de não deturpar e com a intenção de “uniformizar todos os textos das perguntas e das respostas com a linguagem usual entre o nosso povo” (p. 10).
Depois de umas notas biográficas dos Pastorinhos, vêm os três capítulos dos diálogos. O primeiro contém os diálogos das aparições do Anjo, em 1916. O segundo contém os diálogos das seis aparições da Virgem Maria, de 13 de maio a 13 de outubro de 1917. O terceiro capítulo é sobre aparições a Jacinta, de 1917 a 1920, e a Lúcia, de 1921 a 1929.
Numa nota final, monsenhor João Gaspar expõe o papel que D. João Evangelista de Lima Vidal teve no processo canónico de Fátima. O primeiro bispo da Diocese de Aveiro depois da restauração de 1938 era, na altura das aparições de 1917, arcebispo titular de Mitilene (1915-1923), exercendo então o cargo de governador do patriarcado de Lisboa, visto que o cardeal D. António Mendes Belo estava exilado em Gouveia por ordem do governo da República. A paróquia de Fátima pertencia então ao Patriarcado de Lisboa (a Diocese de Leiria é restaurada em 1918). Coube a D. João Evangelista iniciar “os preliminares do dito processo para investigar a veracidade das aparições”. Foi ele que encarregou o P.e Manuel Nunes Formigão, que viria ficar conhecido como “Apóstolo de Fátima”, de “acompanhar de perto os acontecimentos e de lhos relatar com objetividade” (p. 49).