Papa criou D. Manuel Clemente como cardeal

Francisco entrega o barrete cardinalício a D. Manuel Clemente

Francisco entrega o barrete cardinalício a D. Manuel Clemente

Francisco criou 15 novos cardeais eleitores e cinco não-eleitores. Provêm de 14 países de todos os continentes. Roma está ligada ao mundo.

 
O Papa Francisco pronunciou no sábado, pelas 11h27 (menos uma em Lisboa), o nome do patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, como novo cardeal da Igreja Católica, numa cerimónia que decorreu na Basílica de São Pedro.
A celebração começou com um momento de oração em silêncio, do Papa, diante do altar da Confissão, sobre o túmulo do apóstolo São Pedro, seguindo-se a saudação do primeiro dos novos cardeais, D. Dominique Mamberti, em nome de todos os presentes, antes de uma oração proferida por Francisco, a leitura do Evangelho e a homilia. Após esta intervenção, o Papa leu a fórmula de criação e proclama em latim os nomes dos cardeais, para os unir com “um vínculo mais estreito” à sua missão.
Depois teve lugar a profissão de fé e o juramento dos novos cardeais, de fidelidade e obediência ao Papa e seus sucessores.
Cada um dos novos cardeais ajoelhou-se, depois, para receber o barrete cardinalício, de acordo com a ordem de criação: D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, foi o segundo, cerca das 11h37 locais. O cardeal-patriarca foi depois cumprimentado pelo Papa emérito, Bento XVI, depois de descer do altar.
Francisco entregou ainda um anel aos cardeais para que se “reforce o amor pela Igreja”, seguindo-se a atribuição a cada cardeal uma igreja de Roma – que simboliza a “participação na solicitude pastoral do Papa” na cidade -, bem como a entrega da bula de criação cardinalícia, momento selado por um abraço de paz.
No anel cardinalício são evocadas as colunas da Basílica de São Pedro, a cruz e os apóstolos Pedro e Paulo.
Cada cardeal foi inserido na respetiva ordem (episcopal, presbiteral ou diaconal), uma tradição que remonta aos tempos das primeiras comunidades cristãs de Roma, em que os cardeais eram bispos das igrejas criadas à volta da cidade (suburbicárias) ou representavam os párocos e os diáconos das igrejas locais. D. Manuel Clemente é cardeal-presbítero, com o título da igreja de Santo António (dos portugueses), em Roma.
Novas santas
No final da cerimónia, que teve um rito próprio diferente da celebração da Missa, a reunião de cardeais procedeu à votação de três causas relativas às beatas Jeanne Émilie de Villeneuve (França, 1811-1854), Maria de Jesus crucificado (Palestina, 1846-1878) e Maria Alfonsina Danil Ghattas (Palestina, 1843-1927.
O Papa anunciou que os futuros santos vão ser canonizados a 17 de maio, juntamente com a beata italiana Maria Cristina da Imaculada Conceição (1856-1906), fundadora da Congregação das Irmãs Vítimas Expiadoras de Jesus Sacramentado.
Bento XVI acompanhou pela segunda vez o Papa Francisco num consistório: o Papa emérito sentou-se na primeira fila, junto ao grupo de cardeais-bispos e foi depois cumprimentado pelo seu sucessor, antes do início da celebração.

 

Cardeal-Patriarca

D. Manuel Clemente, de 66 anos, foi nomeado patriarca de Lisboa pelo Papa Francisco a 18 de maio de 2013, após a resignação do cardeal D. José Policarpo, que faleceu em março de 2014. Anteriormente, tinha sido bispo do Porto desde 2007. É presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.
O 17.º patriarca de Lisboa foi o vencedor do Prémio Pessoa 2009, distinção que evocou a sua obra historiográfica, intervenção cívica e “postura humanística de defesa do diálogo e da tolerância, de combate à exclusão e da intervenção social da Igreja”.
Manuel José Macário do Nascimento Clemente nasceu em Torres Vedras a 16 de julho de 1948; após concluir o curso secundário, frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa onde se formou em História antes de entrar no Seminário Maior dos Olivais em 1973.
Em 1979 licenciou-se em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa, doutorando-se em Teologia Histórica em 1992, com uma tese intitulada “Nas origens do apostolado contemporâneo em Portugal. A ‘Sociedade Católica’” (1843-1853).
Ordenado padre em 29 de junho de 1979, o novo cardeal foi coadjutor das paróquias de Torres Vedras e Runa, formador e reitor do Seminário dos Olivais e membro do Cabido da Sé de Lisboa. Foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa por João Paulo II, a 6 de novembro de 1999; a ordenação episcopal teve lugar na igreja de Santa Maria de Belém (Jerónimos) no dia 22 de janeiro de 2000.
Em 2007, Bento XVI nomeou-o bispo do Porto, para suceder a D. Armindo Lopes Coelho; receberia o Papa alemão na cidade nortenha, a 14 de maio de 2010; nesse mesmo ano lançou uma missão especial na diocese.