Papa desafia teólogos a prosseguir “renovação” do Concílio Vaticano II

Papa Francisco

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Reflexão académica deve estar atenta à realidade e às “fronteiras” da sociedade. Que os teólogos não sejam “burocratas do sagrado”.

 

O Papa Francisco desafiou os teólogos católicos a prosseguir a “renovação” promovida pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), propondo uma reflexão atenta à realidade e às “fronteiras” da sociedade.
“O Concílio Vaticano II representou uma atualização, uma releitura do Evangelho na perspetiva da cultura contemporânea. Produziu um movimento irreversível de renovação que vem do Evangelho e agora é preciso avançar”, escreve Francisco, numa mensagem enviada ao grão-chanceler da Pontifícia Universidade Católica Argentina, cardeal Mario Aurelio Poli, por ocasião do 100.º aniversário da Faculdade de Teologia, na segunda-feira.
O texto, divulgado pela sala de imprensa da Santa Sé, sustenta que o ensino e o estudo da Teologia implicam “viver numa fronteira”, onde o Evangelho se encontra com “as necessidades das pessoas”, de forma “compreensível e significativa”.
“Nos dias de hoje, a Teologia deve abordar também os conflitos, não só os que sentimos dentro da Igreja mas também os que afetam todo o mundo e os que se vivem pelas ruas da América Latina”, escreve o Papa argentino.
Francisco pede que o lugar das reflexões teológicas sejam “as fronteiras”, com teólogos que “cheirem ao povo e à rua” e não “burocratas do sagrado”. “Que a Teologia seja expressão de uma Igreja que é ‘hospital de campanha’, que vive a sua missão de salvação e de cura no mundo”, prosseguiu.
A mensagem recorda a necessidade de refletir sobre a “centralidade da misericórdia” nas várias disciplinas teológicas para que estas não se transformem numa “mesquinhez burocrática” ou numa ideologia que procura “domesticar o mistério” de Deus.