Para que serve planificar? Para copiar Deus!

 

 

“Para que serve planificar?”, perguntou o P.e Licínio Cardoso para a seguir a projetar no ecrã e apontar as várias pistas que fazem a resposta. Serve para “tornar possível a Igreja de comunhão e corresponsabilidade”, serve para “evitar «pessoalismos», «reinos particulares», para desclericalizar”… “Mas atenção – disse o coordenador da pastoral diocesana – desclericalizar não é mandar os padres embora, mas dizer que «somos nós, batizados [que assumimos a ação da Igreja]». Planificar serve ainda para “coordenar forças na evangelização”, “criar mentalidade de Igreja como comunidade”, “criar pastoral de conjunto” e “copiar a pedagogia de Deus”.
O coordenador da pastoral diocesana e pároco de Cedrim, Silva Escura e Dornelas, no arciprestado de Sever do Vouga, salientou que planificar e programar não são a mesma coisa. Planificar aponta para ideias mais gerais, enquanto programar é concretizar ações. Nesta linha, apontou alguns “tipos pastorais” alheios ao trabalho da planificação. O “burocrata” só se preocupa com “programas”, tendo dificuldade em adaptar o programa ao plano mais geral, quando necessário. O “autoritário” basta-se a si próprio. Não quer “nem planos nem programas”. O “acomodado” prefere a improvisação, acabando por cair na rotina. Tudo antimodelos.

 

P.e Licínio Cardoso

Por outro lado, aconselhou os párocos e agentes pastorais a servirem-se de algumas técnicas que são usadas em contextos empresariais e exemplificou com a Análise SWOT (ou FOFA, em português). SWOT é a sigla de Strengths (Forças), Weaknesses (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças). As forças e as fraquezas têm a ver com os aspetos internos do que está em análise (uma iniciativa, um grupo, uma organização), enquanto as oportunidades e ameaças dizem respeito aos aspetos externos (os contextos, a sociedade, a cultura). Ora, como mostrou, as forças e oportunidades “ajudam”; já as fraquezas e ameaças “atrapalham”. “A Análise SWOT pode ser muito útil para o momento do “Ver”, na metodologia do «Ver, Julgar, Agir» que todos conhecemos”, disse, reportando-se ao método típico dos grupos da Ação Católica.
As sugestões apresentadas pretenderam ser uma ajuda para o trabalho dos agentes pastorais num ambiente que, podendo ser “incrédulo” ou “descrente”, é principalmente “desafiante”, sendo necessário “potenciar equipas e recursos” – tudo expressões usadas pelo P.e Licínio Cardoso, que começou a sua exposição afirmando que “o tempo de crise e de mudança é uma oportunidade para a Igreja” – e não de ameaça, como é vulgar considerar. Disse ainda, a este propósito, que é preciso evitar o “entrincheiramento cognitivo” perante o ambiente de mudança. Este “entrincheiramento” leva algumas pessoas da Igreja a ficarem num “gueto”, a assumirem uma mentalidade de “cruzada” contra o mundo, a “fecharem-se e a verem os outros como infiéis e inimigos”. Há, sustentou, uma outra forma de pensar e agir e que também não passa pela outra “tentação” que seria a “adaptação à realidade” ou pela “rendição” e “«descafeinização» do Evangelho. E qual é essa forma de pensar e agir cristão? É a “recriação a partir do Evangelho de Jesus”, bem patente na seguinte afirmação do Papa Francisco, citada nas jornadas de 5 de outubro: “A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria.”