São Pessoas

Partilhando No dia quatro deste mês festejámos ou memoriámos São Francisco de Assis. Foi nesse dia que reflecti, também, sobre o que queria ele dizer quando por aqueles montes e vales ia proclamando: O Amor não é amado! Isso mesmo!

Nesse dia foi também um dos dias de partilha, do começo do Ano Pastoral da nossa Diocese que se quer voltado, na sua grande dimensão, para os jovens, para a Eucaristia: Da Eucaristia à Missão; dos Jovens ao Compromisso.

Houve maravilhosos testemunhos, pelo menos inquietações, de sermos todos jovens, de partilharmos, de comungarmos todos na mesa de irmãos. E daqui, deste pequeno naco de “terreno”, eu lanço um apelo-semente aos jovens: Quereis também trabalhar pelos ciganos e com os ciganos no Reino? Uma condição é prioritária: Ter plena consciencialização de que são PESSOAS e que junto deles é preciso gritar, berrar amorosamente: O Amor não é amado!

A última conclusão que saiu do Congresso Mundial da Pastoral para os Ciganos, que decorreu em Budapeste, como já aqui referimos, mas nunca é demais repeti-lo, é dirigida às Igrejas Locais. Reza assim, no essencial: “A Igreja é chamada a sustentar o empenho pastoral a favor dos Rom em todo o planeta, na consciência das ligações profundas que unem a evangelização à promoção humana. Também este apelo tem uma “ cor” europeia (…) A Igreja tem de se voltar, com atitude de mãe para todos os Rom (ciganos), que foram discriminados violentamente no século passado e manifestar-lhes a sua solicitude, não só em vista do seu bem espiritual, mas também em defesa dos seus direitos humanos, de Pessoas.”

Os congressistas pediram, também, nesse seu último documento, que já terá chegado às altas esferas eclesiais, que “as Igrejas Locais tenham um espírito profético para denunciar as injustiças das quais são vítimas grupos ciganos que se encontram no seu território.”

O fenómeno que nos últimos anos se tem constatado entre a família cigana é preocupante. Muitos dos seus valores humanos e morais estão a desaparecer com o assalto que se fez aos acam-pamentos por causa da maldita droga. As cadeias têm-se enchido com esses mensageiros vulneráveis da droga. Pesca-se o peixe miúdo, o grande consegue, por paradoxalmente que seja, escapar-se das malhas. Há que estar alerta para este fenómeno. Esta nova pobreza deverá merecer a atenção de todos nós, quer se simpatize ou não com os ciganos. Os conceitos ou preconceitos também são “pecados”, pelo menos, de omissão.