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 JORNADAS MUNDIAIS DA JUVENTUDE 2016
CRACÓVIA, POLÓNIA - 26 JULHO A 31 JULHO

«Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia» (Mt 5,7) 

«A JMJ é um desafio e uma bênção», diz responsável da Pastoral Juvenil da Santa Sé

“É um evento de grande importância, grande evento, grande desafio, uma bênção, que ultrapassa todas as nossas capacidades. Nós estamos sempre tentando fazer o nosso melhor”, destacou o responsável da Pastoral Juvenil no Conselho Pontifício para os Leigos (Santa Sé).

 

O padre João Chagas, numa das visitas a Cracóvia, já depois de ter passado na Jornada Nacional da Pastoral Juvenil, em Portugal, concedeu uma entrevista onde fala sobre a Pastoral Juvenil no Conselho Pontifício para os Leigos, as jornadas mundiais e, em concreto, a que se vai realizar na Polónia, em julho.

Como o senhor se sente na terra de João Paulo II, aqui em Cracóvia?

Eu me sinto muito bem. Sinto quase como se estivesse em casa; talvez eu nem deveria dizer “quase”. Eu me sinto em casa porque é a nona vez que eu venho aqui desde janeiro de 2014. No próximo mês, será a décima. Eu tenho vindo aqui muitas vezes para ajudar nas preparações para a Jornada Mundial da Juventude.
Para mim, João Paulo II é um amigo espiritual muito especial, um amigo santo, porque eu fui nomeado para o setor da juventude do Pontifício Conselho Para os Leigos no dia da sua memória. Era dia 22 de outubro de 2013, quando eu recebi a carta com a nomeação para esta missão. Eu sinto que a sua intercessão está muito perto de mim. E durante as preparações para a JMJ, eu tive a oportunidade de rezar muitas vezes com as suas relíquias no Pontifício Conselho Para os Leigos – temos uma relíquia dele na capela – e às vezes no seu túmulo na Basílica de São Pedro, e também foi uma linda experiência estar aqui no dia de sua festa e participar da missa no santuário – foi uma experiência muito forte.

O senhor poderia explicar qual é o propósito da sua visita ao Comitê Organizador em Cracóvia?

Nós temos muitas reuniões sobre as preparações para a Jornada Mundial da Juventude, entre o Pontifício Conselho Para os Leigos e o Comitê Local. Nesses dias, nós temos muitas, muitas reuniões diferentes, com diferentes setores do Comitê, por exemplo, tivemos uma reunião com o Cardeal Dziwisz e o Bispo Damian Muskus, com o padre Grzegorz Suchodolski, e com as pessoas responsáveis por cada setor. Nós discutimos a situação atual, fazemos uma atualização do check-list cada vez que nos encontramos e checamos o estágio das preparações, como as coisas estão indo. Então é muito proveitoso encontrar com eles; às vezes essas reuniões são aqui em Cracóvia, às vezes acontecem em Roma, e os motivos estão todos conectados com a organização da Jornada Mundial da Juventude, mas cada vez que nos encontramos existem assuntos diferentes. Às vezes são os mesmos, os assuntos mais importantes, mas às vezes são diferentes. Viemos aqui uma vez para apresentar o sistema de informática antes do início das inscrições, e tivemos reuniões com os técnicos que estão desenvolvendo o sistema na Itália, mas cada vez aqui com razões distintas.

O senhor poderia explicar, em poucas palavras, qual é o trabalho do Pontifício Conselho Para os Leigos?

Este ano, nós celebraremos o 50° aniversário do Apostolicam actuositatem, um documento do Concílio Vaticano Segundo sobre o apostolado dos leigos. Foi um documento muito importante que deu uma compreensão profunda da missão dos leigos no mundo de hoje. O Papa Paulo VI, durante o seu pontificado, criou o Pontifício Conselho Para os Leigos. Nós temos muitos setores. Há um setor que lida com associações, movimentos, novas comunidades; temos um setor jurídico, um escritório legal, que cuida da aprovação do status dessas novas associações, movimentos; temos um setor da juventude, nós trabalhamos com o ministério jovem em geral e mais especificamente com a Jornada Mundial da Juventude. Então nós organizamos diferentes encontros. No ano passado, em dezembro, nós organizamos um encontro sobre o ministério jovem na Europa, temos encontros para discutir a organização da Jornada Mundial da Juventude, à distância e no lugar do evento, e tentamos também usar essas oportunidades para, como delegados, refletir sobre o ministério jovem no mundo, então existem variados encontros. Nós também nos reunimos com os bispos do mundo todo que vêm ao Vaticano para visitas ad limina a cada cinco anos, e falamos com eles sobre o ministério jovem, a realidade do ministério jovem, o povo em seus países, etc. Nós também vamos aos países que nos convidam para os seus encontros nacionais e às vezes nós compartilhamos com eles a nossa experiência. Temos setores no Pontifício Conselho Para os Leigos que são setores das mulheres, esportes e setor da igreja. Então temos diferentes... às vezes lidamos com diferentes temas, como o Apostolado para os Leigos em grandes cidades, também confraternidades que são um tipo dessas associações de pessoas leigas, então existem muitos temas com os quais nós lidamos.

Mas o senhor é o líder do setor da juventude...

Sim, sou o responsável pelo setor da juventude.

O senhor poderia explicar qual é a tarefa do Conselho neste processo de preparação para a Jornada Mundial da Juventude?

Cada comitê local organiza a Jornada Mundial da Juventude somente uma vez. Havia um bispo, o anterior cardeal de Madri, Rouco Valera, que organizou a Jornada Mundial da Juventude duas vezes, porque ele era o Bispo de Santiago de Compostela quando a JMJ aconteceu lá, e ele era o Arcebispo de Madri quando a JMJ foi organizada nesta diocese. Mas a maioria das pessoas que trabalham nos comitês locais têm a oportunidade de organizar o evento somente uma vez na vida. Então o Pontifício Conselho Para os Leigos tem os registros do evento. Nós temos alguns documentos, como um que chamamos de Memorandum, e outro que é mais operativo, funcional, mais técnico. Esses documentos são tipos de orientações da organização do evento, e eles também contêm o registro da nossa experiência, e nós tentamos acompanhar o trabalho do Comitê Local na organização da JMJ, baseados nestes documentos, e também em nossa experiência. Eu participei em todas as Jornadas desde a JMJ em 2000. Antes, eu era responsável pela organização deste evento em minha comunidade, a Comunidade Shalom. E a partir de 2011, eu comecei a colaborar com o Pontifício Conselho Para os Leigos, primeiro nas preparações para a JMJ no Rio, e depois disso eu me tornei responsável, e agora nós estamos trabalhando, nas preparações para a JMJ em Cracóvia. Mas nós usamos esta experiência que temos. Existem outras pessoas no Pontifício Conselho Para os Leigos, como o Sr.Marcello Bedeschi, que está aqui comigo em Cracóvia, ele ajudou na organização de todas as JMJs. Então ele tem muita experiência. Eu tenho colaboradores, pessoas que colaboram comigo, como Giovanna Guerrieri, que ajudou e trabalhou na organização de quase todas as JMJs, e também Elizabeth Hawkins da Irlanda. Ela trabalha com  o Pontifício Conselho Para os Leigos desde 2000. Então existem muitas pessoas. E o próprio Cardeal Ryłko, ele foi previamente responsável pelo setor da juventude e preparou muitas JMJs, em diferentes papéis. Ele foi responsável pelo setor da juventude, depois secretário do Pontifício Conselho Para os Leigos, e agora ele é o Presidente da Congregação.

O que o senhor acha das preparações para a JMJ 2016, aqui em Cracóvia? Está tudo dentro do planejado?

Eu acho que nunca podemos dizer que na Jornada Mundial da Juventude tudo acontece exatamente como planejado, porque as coisas não estão em nossas mãos. É um evento de grande importância, grande evento, grande desafio, uma bênção, que ultrapassa todas as nossas capacidades. Nós estamos sempre tentando fazer o nosso melhor. E eu posso dizer que nós no Pontifício Conselho Para os Leigos e também o Comitê Local aqui em Cracóvia estamos realmente juntos, tentando fazer o nosso melhor. E nós devemos preparar o evento também com oração, e preparar também com a consciência de que Deus supera todas as nossas expectativas sobre o evento. Eu acho que o Comitê Local está trabalhando muito bem. Eu acredito que existem alguns aspectos que estão quase prontos, outros estão indo muito bem, existem alguns desafios, mas é o normal em todas as JMJs, e juntos, com a ajuda de Deus, com os patronos da JMJ, com Maria, Mãe de Misericórdia, eles irão nos dar a vitória neste grande desafio.
O senhor falou um pouco sobre os desafios que temos pela frente. Poderia nos contar mais sobre esses desafios? Existe algo que é sempre o maior problema nas preparações?
Não. Cada JMJ tem os seus próprios desafios, e podemos ver que eles mudam, e não são o que nós esperamos. Porque para aqueles que nós esperamos, normalmente estamos preparados. Normalmente, se eles são grandes desafios, é claro que a preparação para este grande evento é sempre um grande desafio, mas existem diferentes aspectos nesta organização, que aparecem em diferentes situações. Por exemplo, no Rio, normalmente em julho não chove, e choveu durante a semana inteira anterior à JMJ, então eles tiveram uma grande dificuldade com o Campus Fidei que eles tinham preparado para este evento, e eles tiveram que mudar durante o evento e eles organizaram todos os dias em Copacabana. Mas o desafio se transformou em benção, porque a juventude do mundo inteiro amou ter aqueles eventos em Copacabana. Isso não significa que se você tem um desafio, este desafio vai destruir o evento. Muitas vezes, os desafios se tornam ocasião para uma bênção maior; e mostra que quando nos encontramos nestes momentos de dificuldade, é uma oportunidade para mostrar a melhor parte (as melhores características) de um povo. Eu acho que o povo polonês, e também os voluntários de todas as partes do mundo que estão aqui, quando eles irão encarar os desafios, eles terão a oportunidade de mostrar, com a ajuda de Deus, as melhores características das pessoas envolvidas nas preparações.

O senhor consegue imaginar que tipos de desafios podem ocorrer aqui?

Não posso imaginar. Como disse, normalmente são surpresas, mas é claro que temos que preparar um evento para tão grande número de participantes em uma cidade maravilhosa como Cracóvia, uma cidade lindíssima, mas não uma cidade enorme. Eu posso notar que o setor de logística, com a ajuda das autoridades civis, está muito atento a este aspecto, porque temos uma grande, mas não enorme cidade que vai receber um número imenso de pessoas, então temos que estar muito bem preparados em termos de logística para encarar este desafio. Mas eu posso já imaginar quando eu passo pelo lugar do Mercado Principal, eu já posso sonhar com toda essa juventude de todo o mundo aqui, neste lugar, e em outros lugares lindos de Cracóvia, deixando a cidade ainda mais linda com a sua presença e alegria.

Já que estamos falando sobre as preparações, o senhor poderia descrever um pouco sobre quais são os critérios exatos deste check-list; como o Pontifício Conselho Para os Leigos tem avaliado esta preparação?

Eu não tenho essa lista comigo agora, então não posso entrar em detalhes, mas se você tiver a lista dos setores, esta é a lista dos tópicos com os quais lidamos, mas não tenho o check-list comigo neste exato momento.

Qual é a diferença entre a JMJ aqui na Polônia e aquelas em Madri, Rio, Sidney e Colônia?

Será a primeira JMJ após a canonização de São João Paulo II, que foi aquele que começou essa iniciativa, esta peregrinação internacional. Será a primeira em sua diocese de origem, em sua terra, será a JMJ durante o Ano Santo do Jubileu da Misericórdia, será uma JMJ na qual os jovens terão uma oportunidade de fazer a peregrinação para os santuários de dois patronos da JMJ, será a primeira JMJ na Europa no pontificado do Papa Francisco, então será a primeira vez que o Papa virá para a Polônia em sua vida, não somente como Papa. Então temos muitas situações novas que fazem deste evento único, e nós realmente esperamos – e temos razões concretas para acreditar que a JMJ na Polônia, mais especificamente em Cracóvia, será uma das melhores Jornadas Mundias da Juventude na história.

 

Transcrição daqui: http://www.krakow2016.com/pt/a-jmj-e-um-desafio-e-uma-bencao

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