Celebrar o Dia do Senhor

A liturgia do 9.º Domingo do Tempo Comum convida-nos a refletir sobre a celebração do Dia do Senhor, sábado para os judeus, domingo para os cristãos, fazendo memória da ação criadora e redentora de Deus para com o seu Povo.

A primeira leitura recorda-nos o preceito do terceiro mandamento, de guardar o sábado para o santificar, e sugere que seja um dia que exprime a unidade do Povo que celebra a ação libertadora de Deus, sem qualquer tipo de desigualdades.

O Evangelho mostra que, quando se faz uma interpretação demasiado rigorista dos preceitos da Lei, ela deixa de cumprir a sua missão de estar ao serviço do homem de cada tempo. Jesus convida-nos, por isso, a posicionarmo-nos ao serviço dos necessitados, tendo em conta que o Dia do Senhor foi feito para o homem e não para fazer do homem um escravo. É um convite a vivermos não do preceito, mas da Lei que assumimos no nosso coração.

Jesus ensina-nos a colocarmo-nos diante da Lei de Deus que nos chegou por Moisés, sem perder nunca de vista o seu objetivo de regular a nossa vida em sociedade e em Igreja, protegendo os mais frágeis e evitando toda e qualquer opressão por parte de quem exerce o poder. Na perspetiva de Jesus, as necessidades do ser humano são o verdadeiro critério para manter uma atitude livre diante da Lei.

Jesus não coloca em causa a celebração do culto no dia de sábado, mas reposiciona-o de modo a que possa coabitar com o serviço dos necessitados, na pessoa dos discípulos com fome e de uma pessoa com uma mão atrofiada.

A celebração do Dia do Senhor, ao domingo, pode ser cada vez mais expressão desta dupla faceta do sábado reinterpretado com Jesus que em dia de sábado entra na sinagoga, lugar onde se realiza um culto que não pactua com a necessidade de quem sofre. A nossa vida de Cristo tem extrema importância no dia maior a Ele consagrado, o domingo, não perder de vista aqueles que foram os seus prediletos.

Esta interpretação de Jesus para saber o que se pode fazer ou não ao domingo pode ser transposta para outros campos da nossa vida, como estar ao serviço do bem e da salvação da vida humana, em linha com o desejo de Deus, tal como se manifesta na vida e mensagem de Jesus; a par disso, sabemos que as instituições, sejam elas religiosas ou civis, devem estar ao serviço da vida humana, para que possam realizar a missão para a qual nasceram.

Participemos com alegria na celebração dominical, alimentemo-nos do Pão eucarístico, experimentemos a comunhão dos irmãos e irmãs em Cristo e levemos essa alegria para os encontros com o próximo ao longo dos caminhos que vamos percorrer ao longo desta semana, marcada pela Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, que é também o Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org