Seguir Jesus… só com plena confiança!

O Evangelho deste quinto domingo do Tempo Comum, em que Lucas apresenta um grupo de discípulos que deixaram tudo para seguir Jesus na mesma barca da vida, faz-nos pensar na nossa identidade cristã, na nossa vocação e missão.

O quadro apresenta o chamamento aos discípulos para serem pescadores de homens, depois de Jesus lhes ter mandado lançar as redes ao mar para uma pesca que, na perspetiva de profissionais do ramo, não daria qualquer fruto. Da pesca no lago de Genesaré percebiam eles.

Primeira provocação de Jesus a Simão: “Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca”. Resposta profissional de Pedro, mas também de início de confiança: “Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes”. A sequência dá-nos conta da grande quantidade de peixes recolhida, onde em princípio não deveria haver nada, e a profissão de fé de Pedro aos pés de Jesus: “Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador”. E termina com o convite à confiança: “Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens”. A resposta final de vida é plenamente confiante no Senhor: “Eles deixaram tudo e seguiram Jesus”.

Reconhecemos aqui o mesmo caminho que somos chamados a percorrer na fé. Ser cristão é confiar em Jesus. Isso implica estar com Ele no mesmo barco, escutar as suas propostas, fazer o que Ele diz, cumprir as suas indicações, lançar as redes ao mar. Às vezes, as propostas de Jesus podem parecer ilógicas, incoerentes e ridículas, face aos esquemas e valores do mundo; mas é preciso confiar incondicionalmente em Jesus Cristo, entregar-se nas suas mãos e cumprir à risca as suas indicações.

No ideário judaico, o mar era o lugar dos monstros, onde residiam os espíritos e as forças demoníacas que procuravam roubar a vida e a felicidade do homem. Só com plena confiança no Senhor os discípulos podem continuar a obra libertadora de Jesus, procurando libertar o homem de tudo aquilo que lhe rouba a vida e a felicidade, salvar o homem de morrer afogado nos mares da opressão, do egoísmo, do sofrimento, do medo, enfim, das forças contrárias que impedem a sua felicidade.

Confiar em Jesus é reconhecer que Ele é o Senhor, que preside com amor ao mundo e à história, Ele é a única razão de ser da nossa fé, como nos transmite São Paulo na segunda leitura: «Cristo morreu… foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia… e apareceu a Pedro e a todos nós…». Se assim não fosse, a nossa fé não teria qualquer sentido.

Deixar tudo e seguir Jesus exige plena confiança e total generosidade, como sinais distintivos dos crentes e das comunidades cristãs. Oxalá sejam estas as ondas radicais onde continuamos a navegar nos mares da vida.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org