Rezar como Jesus nos ensina

O tema da oração marca a liturgia da Palavra deste 17.º domingo do Tempo Comum. Abraão e Jesus mostram-nos a importância da oração e ensinam-nos a atitude que devemos assumir no diálogo com Deus.

A primeira leitura indica-nos que a verdadeira oração é um constante e persistente diálogo face a face: com humildade, reverência e respeito, mas também com ousadia e confiança; apresentamos a Deus as nossas inquietações, dúvidas e anseios, e tentamos perceber os projetos de Deus.

O Evangelho senta-nos no banco da escola de oração de Jesus, recordando-nos que a oração deve ser um diálogo confiante de uma criança com o seu papá.

Na segunda leitura, mesmo sem aludir diretamente ao tema da oração, São Paulo convida-nos a fazer de Cristo a referência fundamental das nossas vidas.

Olhemos em particular para o Evangelho. Jesus oferece-nos o Pai Nosso, a única oração que ensinou aos seus discípulos. É também a oração própria de Jesus.

“Senhor, ensina-nos a orar”. Como ensinar os outros a rezar, se nós mesmos não rezamos? Jesus foi buscar à sua experiência a oração que ensinou aos seus discípulos. Dizemos palavras que o próprio Jesus diz connosco. A sua oração e a nossa oração são uma única e mesma súplica.

Geralmente, na oração acentuamos o louvor e a ação de graças. Parece que a oração de súplica não é tão valorizada. Porém, a oração que Jesus ensina aos seus discípulos é, antes de mais, uma oração de pedido. O verbo “pedir” aparece seis vezes no texto evangélico deste domingo.

Às vezes parece-nos que os nossos pedidos não são atendidos, que Deus não ouve as nossas preces. Mas Jesus dá-nos uma chave de leitura: é o Espírito Santo que o Pai nos quer dar, o Amor infinito. Trata-se de pedir, antes de mais, que este Amor infinito nos modele cada vez mais profundamente, para que aprendamos a ver como Deus nos vê, a amar como Ele nos ama.

Entrar numa aventura de amor exige paciência e também renúncia a nós mesmos, para nos abrirmos cada vez mais ao outro. Aí está todo o sentido da nossa vida, numa confiança total em Deus, num caminho exigente que nos conduz à Casa do Nosso Pai.

Como os discípulos e retomando também o exemplo de Abraão, coloquemo-nos na escola da oração de Jesus, em oração constante e insistente. Procuremos reaprender o sentido e a força das palavras que Ele nos deixou. Procuremos saborear o Pai Nosso, rezando sempre como se fosse a primeira vez.

Neste tempo de verão, não façamos pausas na atitude orante. Procuremos tempos e espaços que nos ajudem a rezar, sempre como Jesus nos ensinou.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org