Natal é tempo de escuta e de olhar atento. Hoje vemos sobretudo trabalhadores precários que não deixam de ser pobres, vidas flexibilizadas, bolsas de emigrantes mal pagos e a viver em condições desumanas e salários mínimos, especialmente de jovens, situação que não lhes permite acesso à vida social, à cultura, à saúde, à possibilidade de arrendar uma casa, constituir família. Assim encontramos os pastores no tempo de Jesus, vivendo com os animais, considerados impuros, separados da convivência humana e da participação. Também eles esperavam um salvador. Que surpresa! Esperavam um salvador de todo o povo e encontram um RECÉM-NASCIDO, pobre, filho de trabalhadores, deitado numa manjedoura.

É assim que a Bíblia nos apresenta Jesus Cristo, o Deus que se fez pobre, nasceu pobre e se inseriu no mundo dos pobres. É esta proximidade que permite sintonizar com os pobres, ouvi-los e compreendê-los sem os julgar. Em Jesus está aquela “atenção amiga” de Deus, que agora é pedida aos crentes (cfr. EG 199) e, de um modo especial, aos militantes da LOC/MTC, pois é a partir desta proximidade concreta e palpável que tem início um genuíno percurso de libertação e humanização. «Cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade» (EG 187).

É esta proximidade e atenção amiga que pedimos aos religiosos, padres e bispos. É esta proximidade e atenção amiga que reivindicamos aos empresários, aos que conduzem os destinos dos povos, aos funcionários públicos e a todos os que têm cargos de chefia, bem como aos que decidem os mercados. Muita da desumanização, frieza e desconsideração vem de pessoas que exercem estes cargos, sobretudo quando reduzem a sua actividade a números, a ganhos, a estatísticas, a questões de poder.

A pessoa está primeiro!

Diante de nós a fragilidade de um recém-nascido, com um poder imenso de tocar o coração dos homens de boa vontade e o coração dos trabalhadores. Diante de nós um sinal profético que questiona e quer romper com os nossos “condomínios fechados”, os muros construídos e portas cerradas, porque perante Deus todos somos irmãos.

A todos os militantes e amigos da LOC/MTC desejamos um Natal feito de humanismo, solidariedade e abertura a todos. Assumindo o espírito natalício podemos transformar o mundo

Boas festas

Dezembro de 2018