Jul 22, 2019 | Lusofonia, Migrantes, Missões

Há 16 anos consecutivos que os catequistas da Comunidade Católica de Língua Portuguesa se encontram para uma Jornada anual de Formação. A Jornada acontece habitualmente no último domingo de Setembro, ao início do ano pastoral.
Na sequência do ano passado, dedicado à vocação do catequista, vamos celebrar a Jornada 2019 centrados especialmente na missão do leigo catequista. A razão prende-se com a convocação dirigida a toda Igreja pelo Papa Francisco para a vivência, em Outubro próximo, de um mês missionário em todas as comunidades do mundo.
No domingo, 29 de Setembro de 2019, vão reunir-se na Casa das Irmãs Franciscanas na cidade do Luxemburgo cerca de 60 catequistas – jovens e adultos – das várias comunidades do país onde se ministra o catecismo em língua portuguesa. Foi convidado o leigo Sérgio Lopes, emigrante no Reino Unido, para orientar os trabalhos, este ano sob o tema “ A pedagogia de Jesus na Missão : métodos e dinâmicas”.
A Jornada começa pelas 8,30h, para terminar com a celebração da Eucaristia Dominical pelas 17h na igreja Sacré-Coeur da capital. Durante a missa os catequistas vão receber o mandato missionário para mais um ano de ministério laical exercido ao serviço da “transmissão da fé” aos mais novos – crianças e jovens – na comunidade cristã.
Informe-se junto da Comunidade lusófona mais perto de si para efectuar a sua inscrição.
RP
Jul 12, 2019 | Artigo, Migrantes, Missões, Recortes, Refugiados
Migrações: Está a faltar o dever de «fraternidade e humanidade» no auxílio aos refugiados
Jul 12, 2019 – 7:00
Lisboa, 12 jul 2019 (Ecclesia) – A professora e investigadora sobre Migrações Maria Beatriz Rocha Trindade disse hoje que se está a faltar à “obrigatoriedade de humanidade, de fraternidade” com os refugiados, numa prática que deveria “ultrapassar as leis e decisões” nacionais.
“Os refugiados, o assunto é tomado pelas Nações Unidas depois de 1951, depois da II Grande Guerra Mundial, existe uma obrigatoriedade de humanidade, de fraternidade, de receber e de inserir, que ultrapassa as leis e as decisões do próprio país. Constitui uma obrigação, mas infelizmente assim não é na prática”, afirma a investigadora em entrevista à Agência ECCLESIA e à Renascença.
A acompanhar o fenómeno migratório há largas décadas, tendo fundado há 25 anos o Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais e autora de vasta bibliografia sobre o tema, a professora catedrática afirma a “criminalização da solidariedade” e o retrocesso civilizacional a que assistimos.
“Basta ver os nacionalismos que ganham suporte graças aos líderes desses movimentos que atacam justamente a receção, dizendo sempre que é em função da legalidade”, suporta.
Lamenta a investigadora que a “apetência” por Portugal como país de destino não corresponda, depois, ao acolhimento registado.
A socióloga e primeira antropóloga portuguesa destaca a ação “pioneira” da Igreja católica no auxílio aos emigrantes e às comunidades portuguesas na diáspora, “não de agora, mas desde sempre”, nas respostas que deu através das chamadas missões católicas, antecedendo até o papel do Estado.
“Eu acho que a Igreja é sempre um espaço de grande apoio mas são poucos os elementos para poder atender um público tão vasto”, indica.
A Igreja, diz, “não poderá fazer muito mais do que se esforça objetivamente por fazer, tentando dar apoio aos católicos e aos não católicos”.
“É um apoio aos humanos, é um apoio de solidariedade, de ouvir mais do que impor, e isto cada vez mais acho, que a atitude; é uma atitude de abertura e de diálogo, insisto, e não de exigência ou de imposição. Eu acho que é preciso também um olhar de justiça e não um permanente olhar de crítica, como é hábito ser feito muitas vezes”, afirma.
Em junho de 2012, em parceria com a atual diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações, Eugénia Quaresma, Maria Beatriz realizou um trabalho de investigação sobre os 50 anos deste serviço da Igreja católica.
“Apercebemo-nos que a Igreja sempre tinha procurado atender à mobilidade, desde a forma como interpretava e exprimia os conceitos, como se dirigia ao público-alvo para quem era realizada essa prática, às pessoas que deslocou, à forma como recebeu em Portugal, tentando integrar nos locais de origem os padres, das paróquias onde viviam os nossos emigrantes, todo um conjunto de práticas e interpretações que estiveram à frente do Estado”, sublinha.
A prática religiosa e a fé constituem para os emigrantes um “pilar” mas também uma “catálise de reencontros”.
“A fé é um pilar, mas também é uma catálise de reencontros, de reapropriação de tudo o que era seu, e que assim permanece como sendo seu, e por outro lado também é uma ponte de adaptação”, indica.
A investigadora e titular da Ordre National du Mérite, de França, com o grau de Chevalier, e da Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, de Portugal, indica que o tempo e o espaço ajudam a analisar o fenómeno e a combater generalizações.
“A mobilidade que não pode ser traduzida por números mas que tem de ser olhada com um olhar de solidariedade, fraternidade, um olhar de homem para homem, de mulher para mulher, um olhar com uma certa compreensão que não se pode limitar unicamente à deslocação mas que tem de ser situada num contexto, naturalmente, económico e social, que produz essa mobilidade”, adverte.
Contra a generalização “que não corresponde à verdade”, Maria Beatriz Rocha Trindade esclarece que a emigração “de licenciados e formados” representa uma pequena parte no fenómeno português e que “muita mão-de-obra não qualificada” continua a sair.
Ainda sobre a importante reflexão e formação que a sociedade portuguesa necessita fazer no âmbito das migrações, a investigadora deu conta de um projeto apresentado à Unesco para uma Cátedra sobre Mobilidade e Direitos humanos, projeto este que viu anulado em janeiro deste ano.
Maria Beatriz Rocha Trindade destaca a importante formação que a sociedade portuguesa beneficiaria.
“Foi um projeto que nós construímos, com o propósito de modificar, tanto quanto possível, não tudo, mas os segmentos da sociedade em que pudéssemos atingir, e por algo que ninguém percebe não foi levado para a frente”, lamenta.
Ângela Roque (Renascença) e Lígia Silveira (Agência ECCLESIA)
LS
Migrações: Está a faltar o dever de «fraternidade e humanidade» no auxílio aos refugiados (c/áudio)
Jul 3, 2019 | Missões, Recortes
Por António Fernandes
Trazida nas asas do tempo, a Comunidade Portuguesa de Emaús em Bruxelas, exalta a sua bonita idade, nos Cinquenta Anos de vida e de actividade contínua; de serviço e de compromisso, de partilha e de entrega, de incentivo e de formação. De muitas atenções, de promoção humana e cristã… Com profícuo trabalho realizado em prol da Comunidade Portuguesa na Bélgica; meio século (1969-2019), anunciando a esperança, lutando pela justiça.
Nascida de uma vontade compartilhada, na Páscoa de 1969, final da década de sessenta. Foi na igreja de Sainte-Croix que tudo começou. As pessoas, em número crescente, começaram a encontrar-se, a conhecer-se melhor e a manifestar uma eficaz entreajuda, que depressa ganhou forma e sentido. Eram os primeiros passos para a criação de uma estrutura mais consistente e com os meios adequados para se poder afirmar, também junto das instâncias oficiais e de reconhecimento. A evolução foi célere e contou com a preciosa ajuda da Igreja local.
O seu nome inspira-se no próprio Evangelho de S. Lucas, que nos fala daquela admirável experiência de dois homens, a caminho de Emaús, cidade próxima de Jerusalém. Caminhantes, peregrinos, derrotados e abatidos, pela notícia do desastre humano na morte do Redentor, Aquele que havia de libertar o seu povo! Acabrunhados – o que acontecia e ainda acontece com quem emigra, no caminho duro da desilusão – eis que lhes aparece um terceiro personagem, interessado pela sua dor e preocupação, que os escuta e os compreende; que se faz amigo e que aceita o convite para uma refeição.
De tão especial encontro, advém uma enorme transformação: o desânimo toma a forma de coragem, a tristeza transforma-se em aceitação e alegria, a solidão torna-se num fraterno convívio, a vida ganha novo alento, outro sentido! Foi este o ideal que norteou, com altos e baixos, todos estes anos da Comunidade Portuguesa de Emaús, que mais tarde se veio a constituir “Associação Sem Fins Lucrativos – ASBL”, um regulamento que lhe permite usufruir dos diversos subsídios e outros direitos destinados a suportar as suas actividades socioculturais.
Há cerca de 28 anos adquiriu a sua própria infra-estrutura; a casa que lhe serve de Sede, o número 26 da Rue du Belvédère é propriedade da Obra Católica Portuguesa de Migrações, entidade portuguesa que gere e organiza a pastoral portuguesa no estrangeiro. Este património português em Bruxelas, destina-se às actividades pastorais e outras componentes de organização educativa. Para melhor servir, “na formação humana e cristã, segundo o espírito do Evangelho”, tal como consta do artigo 4 dos estatutos.
A compra deste imóvel tem a marca do trabalho abnegado dos seus dirigentes, dos associados e de tantos amigos, que durante muitos anos amealharam, com erudição e benevolência, os meios para concretizar esse sonho! Abraçando a ideia de proporcionar às gerações vindouras, outra sorte, com melhores condições para desenvolver as actividades próprias e adequadas para cada época. Neste momento de celebração, importa continuar a enobrecer tão expressivo legado, fruto de uma grande solidariedade, de muito empenho e fraternidade; que na sequência e na acção esteja sempre, o nobre sentimento da gratidão!
UMA COMUNIDADE MISSIONÁRIA
Primeiro as pessoas e a sua formação
A principal vocação da Comunidade foi e será sempre a da formação humana e cristã, da promoção e da valorização das pessoas, na peculiar defesa dos seus direitos, num tempo de agravantes injustiças sociais, com incidência numa pervertida exploração laboral. E foram tantos os casos de asseverada intervenção, com o apoio das autoridades competentes. Os primeiros anos, já depois de fechadas as fronteiras à imigração, a Comunidade prosseguiu um intenso trabalho de assistência e de protecção, aos que continuavam a chegar, desprovidos de tudo.
Na rota da sua existência que conta agora 50 anos, a Comunidade destacou-se também na vertente de serviço e de missão; de apoio e de celebração, de assistência e administração. De inspiração cristã, realizou um trabalho pastoral digno do reconhecimento e da estima de todos: na formação e na administração dos Sacramentos; nas celebrações festivas e de catequese; na pastoral das famílias, dos doentes e dos presos; no apoio monetário a tanta gente, necessário e discreto; na colaboração com outras comunidades estrangeiras; na organização de reuniões e conferências… Em Maio de 1977 organizou a primeira peregrinação a Banneux, em comunhão com os peregrinos de Fátima; a deslocação a esse santuário Mariano repetiu-se ao longo dos anos. E é já no dia 5 de Maio que a comunidade organiza, novamente, essa viagem, até aos pés da Senhora dos pobres, em Banneux. Sempre com uma ligação institucional e comunhão, à Igreja Mãe, junto da OCPM (Obra Católica Portuguesa de Migrações).
Nestas Bodas de Ouro, que a atual Direcção irá certamente agendar, importa continuar a trilhar um caminho digno e dignificante, naquele espírito que sempre pauteou a Comunidade; de exigência e de permanente acção. De reconhecimento e de gratidão, para com os obreiros do passado, tão bem representado nos sacerdotes que serviram e animaram, que desenvolveram e mobilizaram! E nos ajudaram a crescer na fé e no amor ao próximo. Que não se pouparam aos grandes esforços, para conseguir significativos objectivos, que honraram e continuam a enaltecer a nossa caminhada comum pela estrada de Emaús, em Bruxelas, onde o mundo nos olha com redobrada atenção! Um enorme legado que devemos continuar a exaltar, na acção e no compromisso. De tudo, o mais importante é prosseguir nesse bom exemplo e no testemunho que congrega e enobrece a nossa origem e a nossa identidade comum. Tendo sempre em linha de conta que as grandes obras e feitos consequentes, nunca acabam! Enquanto houver portugueses na Bélgica, a Comunidade será sempre um farol de esperança e de vivência da cultura e da fé, com as características que nos identificam como povo e Nação; somos Portugal no mundo e com orgulho!
UMA COMUNIDADE COM HISTÓRIA
Mobilizar e formar, promover e dinamizar
A Igreja belga foi o primeiro grande suporte para a criação da Comunidade, (Comum Unidade); na forma como acolheu o projeto e se interessou por ele, acompanhando espontaneamente, com eficácia e disponibilidade. Os portugueses não paravam de chegar trazendo consigo os mais diversos problemas, que se iam resolvendo caso a caso. Era uma vez um português que, depois da Segunda Grande Guerra, da Exposição de 1958, da independência do Zaire e outros desaires nacionais, veio à Bélgica e por cá ficou. Era uma vez, uns portugueses que a partir de 1965 começaram a chegar à Bélgica, em constante crescendo, na procura de melhores condições de vida. Os contactos com a população espanhola, já instalada, levou-os a fixarem-se no baixo Ixelles.
Ainda hoje os sinais da portugalidade se notam com facilidade, na Place Eugène Flagey e arredores. Foi ali que se realizou a primeira grande festa dos Santos populares, princípio da década de oitenta! Foi aí que durante muitos anos se realizou a festa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Momentos altos da vida associativa passavam pela força dinamizadora e organizativa da Comunidade, muito antes de se constituir asbl, associação de facto.
No seu percurso histórico travou lutas constantes, venceu sérios obstáculos; promoveu, mobilizou, estimulou, deu consistência e razão de viver a esperança, a fraternidade, a autoestima… Através de tantas iniciativas apresentadas em relatórios, para depois se realizarem com asseverado sucesso: desde o Grupo de Vie Feminine, onde as mulheres se reviam e actuavam; do Grupo de Jovens Puzzle, capaz de transformar, pela força e pela dinâmica do Evangelho; do serviço Social, num apoio constante e decisivo; do curso de costura, momento privilegiado de encontro e trabalho; da escola de deveres, no apoio às crianças em idade escolar; do atelier de música popular portuguesa SolMinho, ensino prático de alguns instrumentos; do Teatro, verdadeira escola dos valores sócio/culturais; do Conselho pastoral e económico, motor das atividades eclesiais; dos cursos de escolaridade, na preparação de adultos para exames do ensino preparatório e secundário; das conferências temáticas, importantes momentos de (in)formação; das festas e dos festivais, importantes ocasiões de diversão popular; a criação de um Grupo folclórico, Rancho de Emaús, a defender as cores e os valores da tradição minhota em Bruxelas; o jornal informativo, O Elo; o comité de Direcção administrativa, determinante no desenvolvimento de todas as atividades; a compra da casa e a constituição de uma ASBL (Associação Sem Fins Lucrativos)… E tantas outras acções que o tempo e a história não apaga!
Em Abril de 1994 foi o assinalar Solene das Bodas de Prata, nos 25 Anos da Comunidade! Com várias e relevantes atividades: edição de uma brochura, com significativos patrocínios e os testemunhos impressos vindos dos vários quadrantes políticos/sociais; por indicação dos sócios foi cunhada uma medalha comemorativa em metal de relevo; significativa e convergente foi a sessão Solene no Centro Lumen, com a presença das várias entidades politicas e religiosas, belgas e portuguesas, com destaque para a vinda de Portugal, do senhor Bispo, D. Teodoro de Faria, emérito da Madeira, então presidente da Conferência Episcopal das Migrações e Turismo, que nos deixou consistente mensagem e abundantes bênçãos. Bom mesmo foi ver aquela sala repleta de gente, que aprovou cada discurso, com efusivos aplausos, alegria e entusiasmo. Assinalar o passado, com o olhar no futuro é dignificar a obra e todos aqueles que nela se revêem! A grande lição de Emaús assenta no entusiasmo, na esperança, na alegria e na fraternidade; que o seja por muito e longos anos!
1984 – 15° Aniversário, Prosseguir com fé e determinação “-Somos uma Comunidade de inspiração Cristã, de todos e para todos, cristãos ou não, que aceitam o nosso principio. Queremos e precisamos de trabalhar em paz, conviver com todos dentro do respeito e da dignidade”
1989 – 20° Aniversário, Vinte Anos Pela Calçada de Emaús “-Foram 20 anos a anunciar a esperança e a lutar pela justiça”… “-Queremos comemorar 20 anos da presença da Igreja portuguesa em Bruxelas, fazer memória da nossa caminhada ao longo destes 20 anos, revivendo o passado, numa perspetiva de futuro” in ELO 4/89
1994 – 25° Aniversário, Recordar Para Viver “-Celebrar 25 anos de história e de vida ao serviço do reino é necessariamente fazer Memória do passado, voltando aos tempos fundadores. Não com um olhar nostálgico, mas sim para refontalizar energias e entusiasmo, para pensar o presente e prospectivar o futuro, com o mesmo o espírito e a mesma vontade de sonhar”
https://www.luso.eu/noticias/opiniao/3561-emaus-uma-comunidade-com-cinquenta-anos-meio-seculo-de-actividade-continua.html
Set 4, 2018 | Missões, Recortes

O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, exaltou hoje a personalidade do padre Alexandre Mendonça, à margem de uma cerimónia realizada esta tarde na igreja do Piquinho, em Machico, assinalando os 30 anos de ministério do sacerdote madeirense na Venezuela.
O chefe do Executivo madeirense frisou a “admiração extraordinária pelo trabalho” do padre Alexandre Mendonça, personalidade que caracterizou como “humanista”, e que disse conhecer há muitos anos. “Lembro-me perfeitamente dum papel determinante, importantíssimo, que ele teve aquando da tragédia de Vargas. Eu fui o primeiro político português a lá ir e sou testemunha do esforço colossal e do empenho dele, em ajudar as famílias que tinham sido devastadas por aquelas tragédias”.
O sacerdote católico, referiu, continua a ser um “bastião da fé” junto da comunidade portuguesa, e madeirense em particular, na Venezuela, postura que considerou importante, dadas as dificuldades que as famílias de emigrantes lá estão actualmente a atravessar. 
A eucaristia foi co-celebrada pelo padre Alexandre Mendonça, capelão da Missão Católica Portuguesa em Caracas, juntamente com António Silva, pároco da igreja do Piquinho.
Miguel Albuquerque garantiu que o Governo Regional continuará a manter contactos e a apoiar a comunidade madeirense na Venezuela. Também se manifestou empenhado em auxiliar aqueles que regressam de todas as maneiras possíveis, pese embora o problema colocado por certas equivalências de habilitação junto dos mais jovens.
Já foram prometidas verbas do governo central para apoiar esta comunidade emigrante que agora regressa às origens, mas tarda em chegar. Algo de estranho nisso? Albuquerque acha que não, é “comme d’habitude”, como se costuma dizer em Francês, ironizou. De qualquer modo, referiu os contactos e as garantias dadas pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, pessoa que “costuma cumprir a sua palavra” e da qual “tem a melhor impressão”.
“Entretanto, enquanto vem e não vem [a verba], nós vamos adiantando e ajudando, porque é isso que temos de fazer”, acrescentou, esclarecendo que se trata mais de um apoio na área da saúde e educação. Podem futuramente existir alguns problemas de alojamento, mas até agora não tem havido muitos; a maior parte dos emigrantes tem ficado em casa de familiares, afiançou.
Albuquerque salienta “humanismo” do padre Alexandre Mendonça, sacerdote na Venezuela; assegura que GR continuará a apoiar emigrantes
Set 4, 2018 | Missões, Recortes, Refugiados
O Pe. Alexandre Mendonça, Capelão da Missão Católica Portuguesa em Caracas, presidiu à Novena dos Emigrantes na Igreja de Nossa Senhora do Monte na passada quinta-feira. Por essa ocasião o Jornal da Madeira dialogou com este padre nascido na Madeira radicado na Venezuela há mais de 50 anos.
Jornal da Madeira – Pe. Alexandre Mendonça, como carateriza a atual situação da nossa comunidade na Venezuela?
Pe. Alexandre Mendonça – Em primeiro lugar, queria agradecer o acolhimento, a vossa oração e acompanhamento, pelo que está a acontecer, agradeço esta oportunidade. Como padre da missão há 27 anos, agradeço todo o carinho e apoio; estou na Venezuela há 50 anos, emigrei para lá aos 12 anos de idade; e em vários momentos, vim aqui agradecer a Nossa Senhora do Monte, por exemplo, aquando da tragédia de Vargas, em que recebemos uma grande ajuda dos madeirenses, em especial a presença de D. Teodoro de Faria e o seu acompanhamento espiritual.
Neste momento, convivemos com uma realidade de grande sofrimento que os meus amigos conhecem bem, têm mais informação do que nós próprios, os meios de comunicação social não podem transmitir e, pessoalmente, sei mais através da RTP internacional, que aproveito para pedir que continuem a nos acompanhar com as notícias, as festas, o futebol, porque neste momento ninguém pode dizer que está bem ou tapar o sol com a dedo…
“…MAS HÁ FOME, NÃO HÁ MEDICAMENTOS, HÁ INSEGURANÇA, A VIOLÊNCIA É CADA DIA MAIOR E ESTAMOS A VIVER DIAS DIFÍCEIS”
Jornal da Madeira – Há fome, muitas necessidades ?
Pe. Alexandre Mendonça – Sim, sofremos como sofre toda a gente, há fome na Venezuela e também na saúde muitas necessidades. Quem tem melhores condições enfrenta de maneira diferente e a nossa comunidade busca ter no seu próprio meio instituições que ajudam, como o Lar Pe. Joaquim Ferreira, a Academia do Bacalhau, a Academia da Espetada, e pessoas de boa vontade que se aproximam da Missão Católica e do Centro Português de Caracas. Mas há fome, não há medicamentos, há insegurança, a violência é cada dia maior e estamos a viver dias difíceis
Jornal da Madeira – O que é que as pessoas procuram mais na Igreja?
Pe. Alexandre Mendonça – A nível da Igreja não há farinha para fazer pão, mas estes momentos de crise aproximam muito mais as pessoas de Deus e de Nossa Senhora. Neste momento, temos a visita da Imagem Peregrina de Fátima, está no interior do país, ainda não chegou a Caracas, onde a situação é mais difícil, mas as pessoas têm fome de tudo, também fome espiritual, pois ‘não só de pão vive o homem’. Sou um amigo, um irmão e partilho tudo, recebo muito mais e dou tudo pela minha querida comunidade.
“AS PESSOAS NÃO EMIGRARAM COM AS MALAS VAZIAS, PORQUE LEVAVAM NO SEU CORAÇÃO A NOSSA SENHORA”.
Jornal da Madeira – Esta ligação com Fátima é especial, como vivem esta espiritualidade de Nossa Senhora?
Pe. Alexandre Mendonça – Onde está um português estão presentes a devoção e o amor a Nossa Senhora de Fátima. O amor é tão grande que Fátima já não é propriedade da comunidade portuguesa; bem dizia o Papa Paulo VI que Fátima é o Altar do Mundo; a devoção é tão querida e amada por tudo o mundo; e na Venezuela não há rincão que não tenha celebrado com muito amor, devoção e dignidade, este centenário (100 anos das aparições de Nossa Senhora em Fátima). Assim, no dia 12 (de maio), na sede da Missão Católica, o novo cardeal da Venezuela, Baltazar Porras, presidiu às cerimónias; no dia 13, foi o cardeal-arcebispo de Caracas, Jorge Urosa; e no domingo seguinte, um bispo auxiliar; também celebrei em distintas paróquias, para devotos de todas as nacionalidades, dado que já é uma celebração com várias línguas, em que toda a Venezuela vibra.
A propósito, tenho uma experiência muito linda, numa paróquia, onde estive 15 anos, uma paróquia em que tinha muitos afilhados, muitos deles pretinhos, e muitas chamadas Fátima, sem que tivessem familiares portugueses. Quer dizer, soubemos semear esse amor a Nossa Senhora, construindo capelas e pedindo que nos levassem uma imagem de cá; lográmos também, com a ajuda de todos, construir uma igreja consagrada a Nossa Senhora de Coromoto, a padroeira da Venezuela. As pessoas não emigraram com as malas vazias, porque levavam no seu coração a Nossa Senhora.

Jornal da Madeira – Em relação aos apelos do Papa Francisco, a sua preocupação e a sua imagem são bem acolhidos, têm relevância até ao nível político?
Pe. Alexandre Mendonça – No meio do povo, esses apelos e preocupações do Santo Padre provocam muita gratidão e fazem chegar às pessoas esperança, fé, para que a situação melhore. Agora, penso que no mundo político não produz muito efeito, está a vista de todos, não vale a pena explicar mais.
Jornal da Madeira – Padre Alexandre, acha necessário haver um “plano de emergência” para os emigrantes que queiram sair da Venezuela, caso a situação possa agravar-se?
Pe. Alexandre Mendonça – Sempre é melhor prevenir do que lamentar, diz um ditado venezuelano. Tudo o que se possa fazer para evitar maior sofrimento, é bem-vindo e, neste aspeto, tenho agradecido aos governos central e regional a sua presença, preocupação e empenho. Ainda há pouco estiveram lá os secretários de Estado e da Região, e graças a eles também participei no recente “Fórum Madeira Global”. Agradeço essa proximidade que a todos nos anima neste momento tão difícil que estamos a viver. Cada caso que se resolve lá é menos um problema que vem para cá, e aqui já há suficientes.
“NO MEIO DO POVO, ESSES APELOS E PREOCUPAÇÕES DO SANTO PADRE PROVOCAM MUITA GRATIDÃO E FAZEM CHEGAR ÀS PESSOAS ESPERANÇA, FÉ, PARA QUE A SITUAÇÃO MELHORE”.
Jornal da Madeira – A nível das pessoas que queiram regressar para cá, ou outro lugar, é fácil ou há obstáculos?
Pe. Alexandre Mendonça – Pelo aquilo que tenho ouvido ultimamente, parecer haver obstáculos para sair e entrar. Agora, honestamente, não conheço bem o assunto e quando não conheço prefiro não opinar.
Jornal da Madeira – Pessoalmente, como vive o seu ministério nesta situação, num país com estas dificuldades?
Pe. Alexandre Mendonça – Essa pergunta é curiosa porque as pessoas que souberam que vinha para cá perguntavam se ainda pensava voltar à Venezuela. Mas, moral e espiritualmente falando, uma pessoa que vive há 50 anos naquele país, com muitos anos de sacerdócio na comunidade tão querida, penso que deveria ser o último a abandonar o barco. Não tenho vocação de mártir, mas só quero uma Venezuela melhor, como grande nação que é e será, com fé em Deus e em Nossa Senhora.
Jornal da Madeira – A fé e o compromisso com o Evangelho de Cristo dão-lhe uma força especial para continuar…
Pe. Alexandre Mendonça – Se somos sacerdotes, temos a obrigação de ter esse sentimento, e ser os primeiros a transmitir com verdadeira confiança em Deus de que as coisas vão melhorar, porque o Senhor nunca nos abandona, somos nós que lamentavelmente nos distanciamos, como diz a Bíblia, tendo olhos que não veem, tendo ouvidos que não ouvem, mas o Senhor que tudo pode, cura a nossa cegueira e pode clarear melhor o que vemos e ouvimos.
“OXALÁ QUE OS QUE VENHAM PARA CÁ ENCONTREM UMA MÃO AMIGA E QUE NÃO SUCEDA QUE, COMO ACONTECE COM FREQUÊNCIA, AO CHEGAREM CÁ SEREM TRATADOS COMO VENEZUELANOS”
Jornal da Madeira – O que precisa neste momento com maior urgência, qual a ajuda que a nossa comunidade pode dar, o que podemos fazer?
Pe. Alexandre Mendonça – Aproveito para pedir a todos os leitores desta entrevista, que nos acompanhem com a sua oração, tenham muita fé em Deus, a Ele nada é impossível, quem a Deus tem nada lhe falta. Outra ajuda é para todos aqueles que venham para cá ou vão para outros países, porque não se pode tapar o sol com o dedo, há muito sofrimento na tomada de uma decisão… Oxalá que os que venham para cá encontrem uma mão amiga e que não suceda que, como acontece com frequência, ao chegarem cá serem tratados como venezuelanos. Como eu dizia no “Fórum Madeira Global”, lá somos tratados como portugueses, e isso muito nos honra, mas ao chegar à nossa terra não é agradável ser venezuelano. Oxalá encontrem na sua terra verdadeiro apoio e solidariedade, porque não se pode amar a Deus sem amar os irmãos mais necessitados.
Todos vivemos um momento propício para elevarmos a nossa fé e amor a Deus e a Nossa Senhora, na caridade que é a única que nos pode salvar e colocar em prática o que o Senhor nos pede, o amor uns pelos outros.
https://www.google.pt/search?q=Venzuela+-+Pe.+Alexandre+Mendon%C3%A7a&rlz=1C1PRFI_enPT730PT730&oq=Venzuela++-+Pe.+Alexandre+Mendon%C3%A7a&aqs=chrome..69i57.8287j1j8&sourceid=chrome&ie=UTF-8
Ago 3, 2018 | Conferência Episcopal Portuguesa, Missões, Recortes
D. António Vitalino, bispo emérito de Beja e religioso da Ordem do Carmo, celebra hoje as bodas de ouro da ordenação sacerdotal, destacando o ministério dedicado aos emigrantes.
“Os emigrantes foram sempre a minha paixão”, disse o prelado, em entrevista à Agência ECCLESIA, referindo o trabalho feito para ajudar estas pessoas, “conseguir contratos para os familiares, as mulheres, defendê-los junto da polícia, dos tribunais, nas fábricas”.
A ordenação sacerdotal aconteceu a 3 de agosto de 1968, no Santuário do Sameiro (Braga), e D. António Vitalino lembra que pediu “uma máquina fotográfica” com a qual “se fotografou a ordenação, a Missa Nova” e começou “a fazer fotografias” e depois slides; hoje, pede orações por si.
“Desejo que rezem por mim para que tenha juízo, e até à hora da morte. É realmente importante. Tenho tudo o que preciso, já tenho muita maquineta antiga”, pede.
O bispo emérito de Beja nasceu a 3 de novembro de 1941 em Barros, Vila Verde, na Arquidiocese de Braga, e lembra que na redação do exame da Quarta-classe escreveu que “queria ser missionário”.
As primeiras experiências foram as Ordens Franciscanas – os Frades Menores e os Capuchinhos -, seguindo-se o seminário Carmelita da Falperra, em Braga; depois do noviciado, D. António Vitalino pediu para ir para a Alemanha, explicando que “no Concílio Vaticano II os teólogos alemães se tinham distinguido muito”.
Enquanto estudava Teologia, descobriu os emigrantes, assistiu “às primeiras grandes levas” de portugueses para as “grandes fábricas alemãs”, e isso foi “providencial” para descobrir que a sua vocação “era mais entre o povo, era pastoral”.
“As autoridades precisavam de alguém que percebesse alemão e a língua dos portugueses”, assinala o entrevistado, que começou também “a traduzir documentos”.
Foi na emigração que D. António Vitalino encontrou “mais homens alentejanos numa celebração” – 220 trabalhadores que, depois de ouvirem os “seus direitos”, participaram “todos” na Eucaristia, quando o interlocutor “disse que era padre” e podia celebrar.
Um trabalho “muito interessante” que ajudou o entrevistado a “ser missionário na Europa”; a Pastoral das Migrações é um serviço que ainda hoje conta com o seu empenho.
»O padre carmelita regressou a Portugal em 1976 e foi para a Paróquia de Santo António dos Cavaleiros, em Loures; passados 20 anos foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa, a 3 de julho de 1996, tendo sido ordenado bispo aos 54 anos, a 29 de setembro de 1996, na igreja do Mosteiro dos Jerónimos.
A 25 de janeiro de 1999, o então Papa João Paulo II nomeou-o bispo de Beja; a entrada solene realizou-se dia 11 de abril, uma região onde a Ordem Carmelita está desde o século XIII.
O 16.º bispo da Diocese de Beja ordenou 19 presbíteros e dinamizou o primeiro Sínodo diocesano para “consultar o povo de Deus”.
Neste âmbito, lembra que realizou um pré-sínodo e com “mais de 1000 respostas” de leigos colaboradores mostrou aos padres “céticos que era altura de convocar o sínodo”.
Uma das conclusões do Sínodo da Diocese de Beja foi a necessidade de formação e “o saber trabalhar com o povo”.
“Não existimos para nós mesmos, existimos para o povo de Deus. Se não escutamos os leigos estamos a trabalhar em vão. Podemos estar só a repetir coisas do nosso ministério, mas não é a resposta adequada”, desenvolve o bispo emérito.
Em 17 anos de serviço episcopal em Beja, D. António Vitalino “nunca” sentiu resistências ideológicas: “Entendia-me bem com todos”.
A 10 de outubro de 2014, o Papa Francisco nomeou D. João Marcos como bispo coadjutor da Diocese de Beja, a pedido de D. António Vitalino que manifestou necessidade de um bispo coadjutor a quem confiar essa missão quando atingisse os 75 anos, que o entrevistado completou a 3 de novembro de 2016.
Atualmente, D. António Vitalino vive na casa dos Carmelitas em Fátima e revela que “faz o que pedem”.
O prelado é membro da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana e dedica-se, por exemplo, às migrações e ao Apostolado do Mar.
As tecnologias continuam a fazer parte das suas ocupações, dedicando-se “a digitalizar os slides”, e fazer “filmes nos tempos livres”, muitos deles para oferecer.
PR/CB/OC
Igreja: D. António Vitalino celebra 50 anos de sacerdócio (c/vídeo)
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