Beata Emilia Fernández Rodriguez de Cortés

 

Mãe de família, mártir

Tíjola, Almeria, Espanha, 13 de Abril, 1914

 

Prisão Gachas – Colorás, Almeria, 25 de Janeiro de 1939

 

Emilia Fernández Rodriguez de Cortés, uma cigana espanhola, nascida em Las Cuevas de Tíjola (Almeria), em 13 de abril de 1914, era fabricante de cestos.

Casada segundo os costumes do seu povo com Juan Cortés Cortés, por a igreja ter sido encerrada, opôs-se ao recrutamento do marido nas fileiras do exército republicano, e foi presa, embora estivesse num estado avançado de gravidez.

Na cadeia, Emilia aprendeu a rezar o Rosário e a confiar em Deus a sua vida e a da bebé que, pouco depois, nasceu enquanto Emilia estava no isolamento.

Morreu devido à ausência de assistência no parto, em 25 Janeiro  de 1939, sem nunca ter denunciado quem lhe tinha transmitido a fé cristã

A fase diocesana da causa da sua beatificação e a de outros cento e dezasseis mártires potenciais da diocese de Almeria, foi iniciada em 1995 e terminada em 1998. Foi beatificada, juntamente com outros 114 mártires de Almeria, durante a Guerra Civil de Espanha, em 25 de março de 2017, tornando-se a primeira mulher cigana beatificada em todo o mundo.

 

Emilia Fernández Rodriguez de Cortés nasceu em 13 de abril de 1914, na aldeia de Las Cuevas, em Tijola (Almeria). Foi batizada no mesmo dia em que nasceu, na igreja de Santa Maria. Seus pais, de etnia cigana, ganhavam a vida fazendo cestos de vime, arte que ensinaram a Emilia. Assim, Emilia que depois os vendia, no meio de uma grande pobreza, passou a ser conhecida como Emilia “la Canastera” (a Cesteira).

Emilia nunca aprendeu a ler nem a escrever e viveu uma vida tranquila de acordo com os costumes do seu povo, incluindo a participação nas atividades da Igreja.

Muito jovem, entre fevereiro e março de 1938, Emilia casou-se com o cigano  Juan Cortés Cortés. Como a igreja tinha sido fechada pelo Partido Republicano, por causa do começo da Guerra Civil Espanhola, o casamento realizou-se segundo a tradição cigana, com bailes e cânticos durante uma semana inteira.

O seu esposo foi chamado a combater na frente republicana, mas negou-se ir e Emilia apoiou-o na sua recusa em ir para a frente e foi à Câmara Municipal expressando com veemência a negação: “ Meu Senhor Presidente, nós somos uns ciganos bons, somos pobres mas honrados, não nos metemos com ninguém e casámo-nos no outro dia e não queremos separar-nos um do outro”.

A reposta foi do seguinte teor: “Em 21 de junho do ano corrente de 1938, o mancebo Juan Cortés Cortés deverá apresentar-se neste escritórios de recrutamento, a fim de se juntar à Frente de Guerra para a defesa dos interesses da República. No caso de não comparecer, será decretada a deserção e serão dadas as devidas ordens para a sua captura”.

Chegado o dia marcado, Juan não se apresentou. Os milicianos comunistas vieram a sua casa e prenderam-no por deserção, e a Emilia que estava em estado avançado de gravidez, por tê-lo apoiado. Os dois foram separados: o marido ficou na prisão conhecida como “El Ingenio”, e a mulher na cadeia feminina de Gachas-Colorás, foi condenada a seis anos de prisão. E foi ali que, inesperadamente, encontrou conforto e confiança na sua angústia.

Um grupo de prisioneiras, entre as quais algumas religiosas e senhoras da Ação Católica, recitavam o Rosário todos os dias. Curiosa com aquela maneira de rezar, Emilia pediu-lhes que lho ensinassem a rezar: foi Dolores del Olmo que fez de catequista. Embora fosse analfabeta, a cigana tinha uma inteligência viva e depressa aprendeu os ensinamentos da fé.

 

A simplicidade com que Emilía fazia as suas orações diante de todos, despertou em pouco tempo a preocupação da diretora da cadeia. Um dia dirigiu-se a Emilia para que ele denunciasse quem era a sua professora de religião, a troco de melhorar as condições em que estava na cadeia. Emilia não abriu a boca e nunca disse o nome da sua catequista, em consequência do que, Emília foi fechada na cela solitária. Foi aí que, a 13 de janeiro de 1939, deitada numa enxerga, Emília deu á luz uma menina, em abandono total, sem ajuda de ninguém.

A bebé foi batizada com o nome de Angeles, pelas suas companheiras de prisão.

Emilia esteve quatro dias sem receber assistência enquanto perdia sangue com uma terrível hemorragia. Ao quatro dia foi levada ao Hospital provincial, em estado grave, tendo regressado poucas horas depois à solitária na cadeia onde, em 25 de janeiro de 1939, 12 dias depois do parto, às 9h30m faleceu sem nunca ter denunciado a sua catequista.

Tinha 24 anos: se tivesse sobrevivido mais três meses, teria visto o fim da guerra.

Os restos mortais de Emilia foram sepultados numa vala comum, no território de Almeria, sem que nunca tenha sido exumada. Quanto à pequena Angeles, não foi confiada nem ao pai nem a nenhum familiar, mas internada num orfanato, para adoção, suspeitando-se que pudesse ter sido confiada a alguma família republicana.

A causa da beatificação de Emilia Fernandez Rodríguez foi incluída no grupo de cento e dezassete mártires potenciais da diocese de Almeria. O inquérito diocesano foi iniciado no dia 11 de abril de 1995, encerrado em 21 de maio de 1998 e declarado válido pelo decreto de 26 de fevereiro de 1999. A beatificação de Emília, a Cesteira realizou-se no Palacio de Congresos y Exposiciones de Aguadulce em Roquetas de Mar, Almeria, Espanha em 25 de março de 2017, tendo a cerimónia sido presidida pelo Prefeito da Congregação para as causas dos Santos, como delegado pontifício do Papa Francisco, Cardeal  Angelo  Amato, pelo Bispo de Almeria e pelo Arcebispo de Granada.

Em 2009, o Dia anual dos Mártires espanhóis da diocese de Almeria foi celebrado solenemente na sua paróquia, por ocasião do septuagésimo aniversário da sua morte.

Fontes:

 

Santi  Beati:  www.santibeati.it/Detailed/96425.html

Autores: Gianpiero Pettiti, Emilia Flocchini

Diálogo Gitano, Nov. 2013, Pastoral Gitana, Madrid.

Rom Sinto, nº 4, Nov. 2001, nº 5 Nov. 2002 - Comitato per la Canonizzazione del Beato Gitano Zeferino

Giménez Malla, “El Pelé”, Milano

Seronero, 14 marzo de 2010, la Gitana de Tijola, www.tijoladigital.com

http://seronero.blogspot.pt/2010/03/la-gitana-de-tijola.html

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Nevipens Romani, 1-5 abril 2017