PEREGRINAÇÃO DE MAIO ÀS SANTAS MARIAS DO MAR *

PEREGRINAÇÃO DE MAIO ÀS SANTAS MARIAS DO MAR *

Neste ano estivemos presentes, Manuela Mendonça e eu, nos três dias da festa – 23, 24 e 25 de maio.

Caminhando por povoação animada, no coração de Camarga, chegámos ao grande Santuário – construção gigante, do séc. IX.

Majestosa, elegante, com um altar-mor ao fundo, num plano superior à nave, ao qual se acede por duas escadarias. Mais abaixo que a nave fica a cripta, onde, descendo, vemos arder muitas velas, diante da imagem de Santa Sara.

 

Ao fim da nave, do lado esquerdo, temos a impressionante imagem de Cristo Crucificado e, caminhando em direção à saída, vemos do mesmo lado, a imagem de Nossa Senhora e mais adiante, sobre o altar lateral, as imagens, a par, de Santa Maria Salomé e Santa Maria Betsabé, representadas sobre uma embarcação.

 

De volta à rua, sabendo nós que estávamos no sul de França, parecia-nos que tínhamos chegado “ao país dos ciganos”, tantas, tantas eram as famílias com as suas crianças e aqui e ali os sons da viola e do canto, ou da concertina e violino e as figuras, em movimento ondulado, de raparigas que dançavam. Era vida, cor, festa, alegria.

Mas que festejávamos nós? Pelo ano 46, em tempo de perseguição aos primeiros cristãos, terão metido num barco Maria Salomé e Maria Betsabé e este veio acostar àquelas praias. E daqui proveio o nome da povoação.

E quem eram estas duas pessoas?

Seguidoras e discípulas amigas do Senhor Jesus, seguiram-no, até mesmo no percurso do calvário e logo na madrugada de Domingo, juntamente com Maria Madalena, foram as primeiras a ir ao sepulcro e a receber a maravilhosa notícia da Ressurreição.

Veneradas como as evangelizadoras destas terras da Provença, a elas se junta Santa Sara, que as ajudava, sendo ela cigana e reconhecida como padroeira dos ciganos. Por isso eles, como “gens de voyage” aqui se detêm nos seus percursos, em oração, ou sendo sedentários se deslocam até aqui nos seus carros, enchendo o enorme templo, juntamente com os habitantes locais.

Ao longo destes dias, houve celebrações e orações, tanto de dia, como à noite. Houve ainda duas procissões em dias diferentes, até ao mar, com peões e cavaleiros, a primeira em honra de Santa Sara e a outra em honra das Santas Marias.

E nós, no Santuário e fora, encontrámos amigos, amigas de há longos anos, amizades nascidas nos Encontros Anuais do CCIT.

Foram momentos únicos, vividos num clima de entusiasmo. Mas profunda foi a experiência do fim do dia da chegada. Convidadas pelo padre Claude Dumas, Presidente do CCIT, fomos ao terreno onde estavam as roulottes da Aumônerie e as de muitas famílias ciganas. Aí participámos, à volta duma mesa, como os primeiros cristãos, na Eucaristia, presidida por Mgr François JACOLIN, Bispo de Mende, que é também o Bispo responsável pela “aumônerie des Gitans et des Gens du Voyage” e concelebrada por um jovem padre colombiano, além do próprio padre Claude, com quem atualmente colabora.

Jesus Cristo ali estava, oferecendo-Se a todos nós, sob as duas Espécies.

Algo que não se escreve, não se diz.

Um pouco mais tarde, no mesmo local, saboreámos ainda o jantar, num clima de simplicidade fraterna, em alegre convívio.

Fernanda Reis**

 

* Esta é a maior peregrinação dos ciganos no sul da Europa (NR)

** Fernanda Reis foi a fundadora e Presidente do SDL – Secretariado Diocesano de Lisboa da Pastoral dos Ciganos e Manuela Mendonça é a atual Presidente (NR)