DIA INTERNACIONAL DOS CIGANOS* EM VISEU

DIA INTERNACIONAL DOS CIGANOS* EM VISEU

A inauguração de um novo espaço para atividades lúdico pedagógicas no Centro Comunitário do Bairro Social de Paradinha da Cáritas Diocesana de Viseu, marcou as comemorações do Dia Internacional dos Ciganos, assinalado pela primeira vez em Viseu pela Cáritas da Diocese em conjunto com a Câmara Municipal.

 

A assinatura de um protocolo entre as duas entidades permitiu alargar as instalações já existentes e vai possibilitar a extensão de um trabalho desenvolvido há vários anos pela Cáritas no bairro social, levando a “uma maior capacidade integração e participação social com maior sentido de comunidade”, destacou o presidente da Cáritas Diocesana de Viseu, Monteiro Marques.

 

“Foi sempre nossa preocupação fazer parte da solução na busca de respostas para os problemas. Utilizamos a estratégia da proximidade e mais perto não podíamos estar porquanto moramos nestes edifícios. A Cáritas desenvolve no bairro um trabalho de relevante interesse social com um saldo bastante positivo constituído por funções de apoio no atendimento, acompanhamento social, educação, saúde, formação, tempos livres, apoio na elaboração de projetos de Viseu”, entre outras funções, utilizando “estratégias de proximidade” e na “partilha com outras entidades” avançou Monteiro Marques.

O bairro social de Paradinha, na freguesia de Repeses e S. Salvador, foi a primeira comunidade escolhida pela Cáritas de Viseu para comemorar o Dia Internacional do Cigano na Diocese. No complexo habitacional residem 244 pessoas de etnia cigana organizadas em 58 famílias.

O presidente da Cáritas Diocesana referiu que o principal objetivo das comemorações foi “fazer festa com as famílias presentes” que hoje a Cáritas conhece “pelo seu nome”, sabe onde vivem e conhece também “as sus principais preocupações e esperanças” tentando resolver problemas. Monteiro Marques deixou, no entanto, um desfio: “devemos ter sempre presente a responsabilização e sensibilização de todos para o comportamento que devemos ter na sociedade, quer como indivíduos quer com famílias, reconhecendo que todos vivem numa sociedade com regras e devemos contribuir sempre para o esforço e o respeito de solidariedade entre as diferentes comunidades”.

Sabendo dos problemas do bairro de Paradinha ao nível social, de segurança e outros, as várias entidades mostraram estar a juntar sinergias para melhorar o complexo. O presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, garantiu àquela comunidade cigana que quer fazer de Viseu “a melhor cidade para viver, para todos” e anunciou um novo projeto de integração de pessoas de etnia cigana no mercado de trabalho. “A Câmara está na fase de integração de cinco pessoas de etnia cigana nos seus serviços exatamente para dar oportunidade de, através dessa integração, atingirmos um clima de respeito pelos nossos valores, mas também de respeito pela comunidade onde estão inseridos”, acrescentou o autarca, alertando que é preciso continuar o trabalho de integração. Almeida Henriques deu como exemplo positivo os 230 jovens de etnia cigana que se encontram a estudar nas várias escolas do concelho, mas quer mais, porque a escola é a base desse trabalho na opinião do autarca.

“A Câmara está disponível para ajudar e vocês também têm que nos ajudar a fazer o nosso trabalho, sabemos distinguir o trigo do joio temos que ir trabalhando com quem quer trabalhar”, realçou ainda Almeida Henriques ao lançar outro desafio: “O desafio que gostava de lançar aqui é que pudéssemos continuar a melhor este bairro mas também o respeitássemos e toda a comunidade que á habita possa viver num clima de harmonia. Este bairro de Paradinha tem que começar a ser olhado de outra maneira. Não tem que ser visto onde coisas más acontecem. Este bairro tem que ser um sítio onde coisas boas acontecem. Queremos trabalhar convosco todos os dias para melhorar a vossa integração.”

Doze anos depois de ter deixado de ser Pároco de S. Salvador que lhe permitiu ter trabalhado junto da comunidade cigana do bairro de Paradinha, o Bispo da Diocese, D. Ilídio Leandro, lembrou alguns episódios passados sobretudo com os mais novos e deixou uma mensagem de esperança. “Procurem assentar a vossa vida no bem, na verdade, na amizade uns com os outros, no espírito da família em espírito de entreajuda com a vizinhança”, apelou D. Ilídio Leandro.

Orlando Fernandes**

* 8 de abril (NR)

** jornalista (NR)