PROBLEMÁTICA DA HABITAÇÃO DOS CIGANOS NA TESE DE DOUTORAMENTO DE ALEXANDRA CASTRO

PROBLEMÁTICA DA HABITAÇÃO DOS CIGANOS NA TESE DE DOUTORAMENTO DE ALEXANDRA CASTRO

 

Na sequência da notícia publicada no nº 88 da Caravana, em que foi referida a publicação da tese de doutoramento de Alexandra Castro (AC) no ISCTE - IUL (2013-2016), no livro intitulado "Na Luta pelos bons lugares - Ciganos, visibilidade social e controvérsias espaciais", que teve o seu lançamento no dia 9 de abril p.p. no ACM (Alto Comissariado para as Migrações) em Lisboa, reunimos algumas indicações dadas no conteúdo do livro, sobretudo no que respeita a problemática da habitação das comunidades ciganas em Portugal.

 

Utilizando diversas investigações, AC conclui que o número de pessoas ciganas em Portugal será cerca de 41.000, com particular incidência nos distritos de (por ordem descendente): Lisboa, Setúbal, Faro, Porto, Braga, Santarém, Portalegre. Aveiro e Bragança. AC aborda com algum detalhe o problema do nomadismo forçado e das expulsões dos ciganos. Relativamente à precariedade habitacional entre a população cigana, AC conclui que se constata "por um lado, que os grupos de conselhos onde as necessidades habitacionais da população cigana mais se evidenciam tendem a ser aqueles onde a grande maioria da população vive em centros urbanos com menos de 5.000 habitantes e para onde menos foram canalizados os recursos das políticas públicas de habitação dos últimos anos. Por outro lado, nestes territórios a mesma ideologia política mantém-se há mais de dez anos, e esta homogeneidade poderá indiciar algum bloqueio à incorporação de outras perspetivas/soluções sobre as problemáticas que localmente se fazem sentir."

 

Já na Conclusão, AC diz que "o problema associado à situação de precariedade habitacional vivenciada pela população cigana raramente fica confinado à sua posição de classe mas à sua etnicidade e as discriminações que daqui decorrem exacerbam as suas diferenças sociais." Logo a seguir, AC faz uma citação em que se fala do "agravamento dos problemas associados ao 'dilema da diferença' ". O livro conclui com uma citação em que se afirma que "é muitas vezes com o velho que se faz novo e é por fidelidade ao passado que se pode agir sobre o futuro".