FRA FAZ INVESTIGAÇÃO SOBRE MULHERES CIGANAS NA EUROPA

FRA FAZ INVESTIGAÇÃO SOBRE MULHERES CIGANAS NA EUROPA

Em 8 de abril (Dia Internacional dos Ciganos), a FRA (Agência Europeia para os Direitos Fundamentais) divulgou o seu Segundo inquérito sobre as minorias da UE e a discriminação: relatório sobre as Mulheres ciganas em nove Estados membros da UE. Além das desigualdades de que as mulheres na UE sofrem, as mulheres ciganas sofrem ainda de anti ciganismo, pobreza extrema, exclusão e discriminação, o que realça a urgência da necessidade de iniciativas específicas e de género "que permitam às mulheres ciganas realizar todo o seu potencial".

 

As mulheres ciganas:

 

- Deixam a escola cedo: apenas 16% das mulheres ciganas completaram a escolarização secundária, em comparação com 22% dos homens ciganos e 75% das mulheres europeias.

- Casam novas: 29% das mulheres ciganas, comparadas com 12% dos homens ciganos, casam-se antes de perfazerem 18 anos.

- Ficam em casa: 40% das mulheres ciganas não andam à procura de trabalho, para  cuidarem das suas responsabilidades; esta percentagem é frequentemente o dobro da das  mulheres da população em geral.

– Não recebem salário: só 16% das mulheres ciganas estão empregadas em comparação com 34% dos homens.

Estes números mostram que ”precisamos de examinar cuidadosamente como combinar a previdência social com oportunidades de um trabalho digno”. E apelam para que se dê “uma voz forte e proeminente às mulheres ciganas na vida pública e no seio das suas próprias comunidades”.

Os países onde o estudo foi feito são: Bulgária, Croácia, Grécia, Rep. Checa, Hungria. Portugal, Roménia, Eslováquia e Espanha.

Nas conclusões ao inquérito, a FRA recomenda a introdução do tema "consciência da dimensão de género" no quadro da UE para a inclusão dos ciganos após 2020. Os condicionamentos acima indicados que tornam as mulheres ciganas "ainda em maior desvantagem e em maior risco de exclusão e de marginalização", são "uma violação séria dos seus direitos fundamentais e precisam de ser urgentemente encarados através de medidas específicas de género. Tais medidas precisam de ser concebidas e implementadas em conjunto com as mulheres e homens ciganos envolvidos, para evitar a estigmatização."

"É necessário um enquadramento mais ambicioso para a inclusão dos ciganos pós 2020 para atingir o objetivo da Agenda 2030:  "não deixar ninguém para trás" e o seu objetivo nº 5 de desenvolvimento específico sustentável que apela para que o estados 'atinjam a igualdade de género e a capacitação de todas as mulheres e raparigas'. Em toda a UE são necessárias mais ações fundamentadas, melhor focadas, bem financiadas e atentas ao género que correspondam por factos ao princípio ambicioso do primeiro enquadramento da UE pata a inclusão dos ciganos: 'fazer uma diferença tangível nas vida das pessoas ciganas'".