"SINA DA MULHER CIGANA? - UM COMPLEXO PROCESSO DE AUTONOMIZAÇÃO"

"SINA DA MULHER CIGANA? - UM COMPLEXO PROCESSO DE AUTONOMIZAÇÃO"

Em  30  de maio, na UCP -  Braga, a Editorial Cáritas fez a apresentação do livro de Ana Patrícia Pereira Barroso (AB), o qual é a sua tese de Mestrado na Universidade Católica em Braga e constitui um dos dois prémios "Padre David de Oliveira Martins" que a Editorial Cáritas atribui aos autores das melhores teses de mestrado de temática social, no âmbito do projeto "A Aliança do Pensar e do Agir".

 

O objetivo da tese foi "abordar o processo de autonomização feminina na cultura cigana e afe5rir em que medida a formação escolar e profissional influencia os processos relacionais e a autonomização feminina cigana ao nível das esferas pública e privada." Na conclusão do estudo AB diz que "desde o nascimento repousa sobre (a mulher cigana) a honra da família. ... Quando é necessário intervir para resolver problemas com instituições extracomunitárias (segurança social, finanças, escola, etc.), continuam a ser as mulheres ciganas responsáveis pela sua resolução." AB conclui ainda que algumas da mulheres que frequentam cursos de formação profissional " não se encontram ainda preparadas para trabalhar", por "terem sido educadas apenas  para o papel de donas de casa e por nunca terem desempenhado uma atividade profissional, sendo que a integração laboral  continua a não ser bem aceite pela comunidade cigana. … Contudo, estes projetos de formação e as respetivas ofertas educativas constituem, mesmo assim, um passo muito importante para estas mulheres, uma vez que lhes permite ganhar consciência das suas capacidades e do seu papel enquanto mulher no espaço público, o que pode vir a refletir-se na educação que transmitem aos seus filhos … em geral, e para as suas filhas em particular, começando a olhar para a instituição escolar  como uma oportunidade para as gerações mais novas e não apenas como uma entidade cultural concorrente a cultura cigana.”

AB conclui ainda que “é fulcral apostar  na formação de uma sociedade maioritária que continua a colocar de parte aqueles que são diferentes.”