O SENHOR CHAMOU A SI REINALDO RIBEIRO FERREIRA, O AMIGO DOS CIGANOS

O SENHOR CHAMOU A SI REINALDO RIBEIRO FERREIRA, O AMIGO DOS CIGANOS

Em 27 de outubro, em Vila Franca de Xira, o Senhor chamou a si Reinaldo Ribeiro Ferreira (RF), a quem chamavam “O Amigo dos Ciganos”.  Nos anos 90 contactou com o Cón. Filipe de Figueiredo, Diretor da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC), em Évora. Deste contacto e do conhecimento que teve do P. Filipe, nasceu o seu último projeto relativo aos ciganos, já no início deste ano, e cuja realização, infelizmente, a pandemia haveria de impossibilitar: fazer na própria ONPC um levantamento da obra tanto do P. Filipe, como da Irmã Zulmira Cunha, igualmente grande apóstola dos ciganos. Começou por conhecer uma família cigana em Baleizão, sobretudo o seu patriarca, tendo trabalhado na defesa das comunidades ciganas em Baleizão e no Bairro da Esperança, em Beja, onde havia uma grande comunidade cigana e também naquela que se situava perto da estacão ferroviária. Fez parte da Pastoral dos Ciganos de Beja, com o Bispo de então D. António Vitalino. Mais tarde, já a viver fora do Distrito de Beja, foi visitar o novo bairro que a Autarquia de Beja construiu para retirar os ciganos do local onde antes residiam, tendo ficado escandalizado com as condições (ou falta delas) do Novo Bairro, que de novo não tinha nada; para agravar essa situação, construíram um muro alto, que cercava os ciganos que assim ficaram isolados, não vendo nada para fora, o que os escondia de quem por lá passasse; apesar dos protestos, ainda hoje são visíveis pedaços desse muro vergonhoso.

 

m Vialonga, com a colaboração da Diretora do Agrupamento, Profª Armandina, com o Prof. novo que trabalhava com jovens adolescentes ciganos e com a antropóloga Lígia Teles, foram diversas vezes ao Bairro dos Estanques (um antigo aviário), onde residiam diversas famílias ciganas. RF deslocou-se muitas vezes a este local, acompanhado ou sozinho, tentando estimular os residentes a serem eles próprios e a lutarem pela sua comunidade e pelos seus direitos; simultaneamente demonstrava junto das entidades autárquicas e precária qualidade de vida dos habitantes dos Estanques. Devido à sua presença constante e à insistência na defesa do povo cigano e à sua frontalidade nas sessões da Câmara de Vila Franca de Xira (VFX); por vezes a sua presença era pouco desejada, sendo acompanhado algumas vezes por elementos da comunidade cigana (sempre com o objetivo de os envolver). Também contactou bastante com a Junta de Freguesia de VFX, sobre a situação pouco digna em que viviam os ciganos do acampamento do Sobralinho e do bairro da Costa de Alhandra.

 

Em Almeirim acompanhou uma comunidade de várias famílias ciganas, realizando um trabalho com a Camara Municipal e com a Escola do 1º Ciclo do Ensino Básico, tendo convidado a Pastoral Diocesana dos Ciganos de Lisboa que também ali efetuaram uma visita.

Aos sábados gostava de passar pelo Mercado Abastecedor em Alhandra para estabelecer relação com os feirantes ciganos. Sempre que encontrava ciganos, por onde quer que andasse, aproximava-se deles. O trabalho de RF apenas foi interrompido com o início da pandemia, pelo facto de pertencer a um grupo de elevado risco.

RF é lembrado com muito carinho por todos os que se relacionavam com ele e o escutaram, porque gostavam de falar com ele, pois Reinaldo deixava sempre uma mensagem…