TRABALHAR COM OS CIGANOS: PARTICIPAÇÃO E CAPACITAÇÃO DAS COMUNIDADES LOCAIS

TRABALHAR COM OS CIGANOS: PARTICIPAÇÃO E CAPACITAÇÃO DAS COMUNIDADES LOCAIS

Em 16 nov. a FRA (Agência da União Europeia para os Direitos Fundamentais) publicou o Relatório com o tema em epígrafe que se baseia nos resultados de participação de ciganos em atividades locais de integração nas áreas da habitação local, educação, emprego e desenvolvimento comunitário.

Conclusão dos nºs anteriores (92 e 93)

A construção de relações de confiança entre as comunidades para garantir o sucesso, é outro dos aspetos sublinhados pela investigação, tendo por base a confiança entre as partes interessadas, sendo que a sua falta afeta a implementação dos projetos de inclu­são. “Sempre que as comunidades confiam nas pessoas que implementam os proje­tos, é mais provável que participem em atividades do projeto e partilhem abertamente os seus pen­samentos e opiniões; como resultado, as interven­ções acabam por conduzir a resultados mais con­cretos e significativos”.

 

A investigação sublinha também a importância da comunicação, sendo que esta deve ser de forma transparente, acessível, adequada e adaptada no que respeita às políticas, às estratégias e aos projetos locais. Tal é vital para gerir as expectativas das popula­ções locais e para assegurar a implementação bem­-sucedida dos esforços de integração. “A forma como os objetivos, métodos e limitações de um projeto são comunicados às comunidades locais é, em mui­tos casos, tão importante como essa informação”.

 

A investigação recorda ainda a necessidade de prestar atenção às relações comunitárias para uma melhor conceção dos esforços de inclusão, e que podem afetar não só a escolha das téc­nicas de participação e envolvimento, como os resultados e o sucesso das intervenções locais. “Quando os projetos têm em conta os princi­pais promotores, estes podem ajudar a estabele­cer o contacto com outros membros da comunidade e a envolvê-los em atividades e projetos locais”.

“Quando as pessoas têm a oportunidade de expres­sarem as suas opiniões em diálogo com as autori­dades locais, estão mais bem preparadas para luta­rem pelos seus direitos, o que pode conduzir a uma maior emancipação”. Simultaneamente, as autoridades locais apren­dem a ouvir as necessidades e as opiniões dos seus cidadãos, e os residentes locais aprendem a desenvolver expectativas mais realistas. Mais importante ainda, a investigação mostra que a capacitação das pessoas pode ajudar a quebrar a imagem estereo­tipada dos ciganos como eternas vítimas e encora­já-las a assumir uma posição de igualdade na rei­vindicação da sua quota-parte no desenvolvimento social e no progresso”, tendo “os esforços cen­trados na capacitação das mulheres e dos jovens ciganos sido um elemento importante do êxito do projeto”.

A integração de abordagens participativas e a flexibilidade nos mecanismos de financiamento e na conceção dos projetos são a última das conclusões da investigação. “A inves­tigação conclui que a promoção de atividades de pequena escala e de base comunitária, incluindo a promoção da sensibilização para os direitos e a interação cultural, a conceção de intervenções dire­cionadas para os cidadãos ciganos e não ciganos, bem como a adoção de quadros mais flexíveis e de prazos mais longos, podem conduzir a resultados significativos e alterar a situação dos ciganos a nível local. O desenvolvimento de intervenções a nível local não de forma isolada, mas no contexto mais vasto dos projetos de inclusão social dos ciganos e das comunidades em situações marginalizadas ou vulneráveis, é igualmente importante para garantir um impacto sustentável a longo prazo”. Muitas vezes, o “proporcionar mais tempo e fle­xibilidade para abordagens participativas e proces­sos cíclicos que permitam rever e reajustar projetos pode também ajudar a alcançar resultados signifi­cativos a longo prazo”.