COLÓQUIO INTERNACIONAL“MIL ANOS DE NOMADIZAÇÃO. PASSADO, PATRIMÓNIO E PROBLEMAS DOS CIGANOS UM MILÉNIO APÓS A SUA DEPORTAÇÃO DA ÍNDIA (1018-2018)”

COLÓQUIO INTERNACIONAL“MIL ANOS DE NOMADIZAÇÃO. PASSADO, PATRIMÓNIO E PROBLEMAS DOS CIGANOS UM MILÉNIO APÓS A SUA DEPORTAÇÃO DA ÍNDIA (1018-2018)”

Em 24 de novembro, a Universidade Católica Portuguesa, através do centro de Estudos de Povos e Culturas de Expressão Portuguesa (CEPCEP) e do Instituto Correia de Lacerda de Estudos Orientais (ICLEO) organizaram um colóquio com a participação da Diretora do CEPCEP, Marília Lopes, e a intervenção do presidente do ICLEO, Luís Filipe Thomaz.

 

Desde a sua aparição na Europa ocidental, em começos do século XV, que as origens dos ciganos despertaram grande curiosidade. “A variedade dos nomes por que foram designados, como Rom, pareciam apontar para o Império Bizantino, outros como Gitano e Gipsy para o Egito, ao passo que Boémio apontava para a Boémia, no coração da Europa, e outros, como Tsiganós, Zìngaro, Manuche, etc., não apontavam para parte nenhuma, já que o último significa genericamente "gente" e os dois primeiros, que parecem remontar ao persa chaugân, "jogo da choca, polo", aludiam aos empurrões que de cá para lá e de lá para cá ao longo dos séculos sofreram.

 

Foi apenas em 1782 que o filólogo alemão Johann Christian Rüdiger… notou o parentesco entre a língua que falavam e o hindustani falado no norte da Índia, provando assim a sua origem indiana. A partir daí desenvolveram-se variadas teorias para explicar a sua migração. A maior parte das vezes considerou-se “que seriam nómadas, cuja nomadização incessante os trouxera, grupo a grupo, ao Ocidente”, teoria que “enfermava de duas pechas: … não existem praticamente nómadas na quase totalidade da Índia e… se tivessem migrado para ocidente gota a gota, não se explicaria como puderam durante tantos séculos manter uma língua comum”. Foi só muito recentemente que, folheando as crónicas indo-muçulmanas, se descobriu uma explicação aceitável: os ciganos são, em última análise, os descendentes da população da Kanauj, a sueste da atual Delhi, que em 1018 foi aprisionada, reduzida à escravidão e trazida para o Afeganistão pelas tropas de Mahmud de Ghazni (971-1030), o caudilho muçulmano que lançou as primeiras incursões de pilhagem sobre a Índia, arrebanhando 53.000 prisioneiros. Vendidos a seguir aos Turcos Seljúcidas e utilizados como escravos militares, participaram na conquista turca do Império Bizantino, sendo em grande número sediados pelos Otomanos no vale do Danúbio, para guardarem a fronteira do império”. Essa teoria é testemunhada pela “análise do vocabulário da sua língua – em que abundam os empréstimos persas, arménios e gregos”.

Mal integrados, em geral, nas sociedades em cujo seio viviam, foram alvo de diversas perseguições, a última das quais por parte do regime nazi da Alemanha. Em Portugal a sua presença está atestada desde a época de D. João II. Bastas vezes denunciados como indesejáveis, foram alvo de diversos projetos de deportação, mormente para o Brasil, para onde, de facto, logo D. João III enviou alguns”.

Além do presidente do ICLEO, intervieram no Colóquio Elisabeth Lamanit, de França, Maria do Rosário Carneiro, Maria José Casa-Nova, Universidade do Minho, Braga / Coordenadora do Observatório das Comunidades Ciganas, que falou sobre“Desnaturalizando desigualdades: educação escolar e integração emancipatória”, e Ana Oliveira da UCP que falou sobre “Comunidades Ciganas e Diálogo Intercultural: as pontes para a inclusão”, tendo desenvolvido o projeto que leva a cabo junto das comunidades ciganas e outras, no Bairro das Murtas (Campo Grande, Lisboa).