{"id":119,"date":"2009-07-20T15:43:01","date_gmt":"2009-07-20T15:43:01","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/qa-enciclica-da-criseq-por-joaquim-franco\/"},"modified":"2009-07-20T15:43:01","modified_gmt":"2009-07-20T15:43:01","slug":"qa-enciclica-da-criseq-por-joaquim-franco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/qa-enciclica-da-criseq-por-joaquim-franco\/","title":{"rendered":"&#8220;A enc\u00edclica da crise&#8221;, por Joaquim Franco"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span id=\"Title\"><span><img decoding=\"async\" src=\"\/instituicao\/ktml2\/images\/61\/JFanco%20foto.jpg?0.40756868468602725\" alt=\"\" width=\"202\" height=\"140\" align=\"left\" border=\"0\" hspace=\"0\" \/><\/span><\/span><span id=\"artsubt\"><span id=\"SubTitle\">Sem preconceitos, porque \u00e9 assim que deve ser abordada, a enc\u00edclica social de Bento XVI \u00e9 um comp\u00eandio, um guia, para compreender a crise e o mundo. <br \/>Artigo do jornalista Joaquim Franco, membro da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz.<br \/><\/span><\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\"><span id=\"Text\">Naturalmente, todo o texto respira e transpira uma vis\u00e3o transcendental, o pensamento cat\u00f3lico sobre a vida, o Homem e o mundo. Mas este \u00e9 um texto que derruba fronteiras. Corajoso, nada conservador, critica governos e gestores de um mercado falido, como nenhum pol\u00edtico eleito fez at\u00e9 agora. Rasga, no sentido positivo do termo, uma certa l\u00f3gica pragm\u00e1tica, sem \u00e9tica, que domina a economia e a pol\u00edtica, motivadora de resigna\u00e7\u00e3o e imprud\u00eancia, geradora da crise. Os valores que atravessam a enc\u00edclica social de Bento XVI, s\u00e3o os valores da exegese do tempo, propostas de constru\u00e7\u00e3o de fraternidade, esmagadas por pressupostos com p\u00e9s de barro que servem de desculpa para adiar op\u00e7\u00f5es. radicais. <\/p>\n<p>Apresentada na v\u00e9spera de mais uma reuni\u00e3o dos &#8220;colossos&#8221; econ\u00f3micos no G8, A Caridade na Verdade \u00e9 uma enc\u00edclica marcada pela crise, mas que permanecer\u00e1 actual nas crises e entre as crises do futuro. Na senda de outros documentos importantes que definem a chamada Doutrina Social da Igreja &#8211; como a Rerum Novarum de Le\u00e3o XIII, a Pacem in Terris de Jo\u00e3o XXIII, os documentos do Conc\u00edlio Vaticano II, a Populorum Progressio de Paulo VI ou a Centesimus Annus de Jo\u00e3o Paulo II, cada qual com a marca do seu tempo -, Caritas in Veritate retrata um mundo e um tempo de incertezas, com a certeza de que muita coisa tem de mudar. Est\u00e1 l\u00e1 tudo, com uma gram\u00e1tica criteriosa e uma invulgar capacidade de leitura do tempo e dos sinais. \u00c9tica e Justi\u00e7a ser\u00e3o palavras-chave da enc\u00edclica, mas n\u00e3o chegam para compreender a(s) direc\u00e7\u00e3o(\u00f5es) proposta(s). <\/p>\n<p>Mediaticamente faz eco o apelo, que n\u00e3o \u00e9 in\u00e9dito &#8211; Jo\u00e3o XXIII j\u00e1 o fizera -, para uma &#8220;reforma da ONU&#8221; e a cria\u00e7\u00e3o de uma &#8220;Autoridade Pol\u00edtica Mundial&#8221; reguladora da globaliza\u00e7\u00e3o, reconhecida por todos, &#8220;com poder efectivo para garantir a observ\u00e2ncia da justi\u00e7a, o respeito dos direitos&#8221; e planificar o desenvolvimento, orientada pelos &#8220;princ\u00edpios da subsidiariedade e da solidariedade&#8221;. Propostas em jeito de renovadas utopias. Mas o texto \u00e9 muito mais profundo. Foi elaborado com tempo, amadurecido enquanto se atravessava a crise. <\/p>\n<p>Sob o signo da crise econ\u00f3mica, Bento XVI defende tamb\u00e9m, como dimens\u00e3o imprescind\u00edvel, a liberdade religiosa que &#8220;n\u00e3o significa indiferentismo religioso&#8221;, promotor do afastamento da dimens\u00e3o transcendental da esfera p\u00fablica, ou sincretismo que relativiza. <\/p>\n<p>No laicismo, por um lado, ou no fundamentalismo, por outro, &#8220;perde-se a possibilidade de um di\u00e1logo (.) entre a raz\u00e3o e a f\u00e9 religiosa&#8221;, defende Bento XVI. <\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o, o lucro, as desloca\u00e7\u00f5es de empresas &#8211; &#8220;n\u00e3o s\u00e3o l\u00edcitas somente para gozar de especiais condi\u00e7\u00f5es&#8221; -, a reavalia\u00e7\u00e3o do papel dos Estados, os sistemas de seguran\u00e7a social, a import\u00e2ncia das organiza\u00e7\u00f5es sindicais &#8211; embora com novos paradigmas de luta -, a mobilidade laboral, os fluxos migrat\u00f3rios, o &#8220;absolutismo tecnol\u00f3gico&#8221; que deslumbra, a vida, o ambiente, a agricultura, os recursos naturais, a pobreza, a fome, a liberdade, o desenvolvimento, a comunica\u00e7\u00e3o social, a interac\u00e7\u00e3o cultural, a interdepend\u00eancia, os dilemas antropol\u00f3gicos. s\u00e3o abordagens aparentemente inconcili\u00e1veis numa \u00fanica reflex\u00e3o e que ganham, nesta enc\u00edclica, a forma de um rendilhado coerente e conciso. <\/p>\n<p>A hist\u00f3ria j\u00e1 provou que uma crise oferece possibilidades e antecipa mudan\u00e7as. <\/p>\n<p>Bento XVI fala de confian\u00e7a, mas n\u00e3o consegue esconder um certo cepticismo, uma dose de desalento com o homem contempor\u00e2neo, menos dispon\u00edvel para os valores da religi\u00e3o, da transcend\u00eancia. da f\u00e9, que, no entender do papa, purifica a raz\u00e3o. <\/p>\n<p>&#8220;Os custos humanos s\u00e3o sempre custos econ\u00f3micos e as disfun\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas acarretam sempre custos humanos&#8221;, por isso, n\u00e3o haver\u00e1 fraternidade sem &#8220;transpar\u00eancia, honestidade e responsabilidade&#8221;. <\/p>\n<p>Tendo o homem como meta, e na sequ\u00eancia da enc\u00edclica Deus Caritas est (Deus \u00e9 Amor), a nova enc\u00edclica A Caridade na Verdade reabre o leque de interven\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os: &#8220;O caminho pol\u00edtico da caridade n\u00e3o \u00e9 menos qualificado e incisivo do que \u00e9 a caridade que vai directamente ao encontro do pr\u00f3ximo&#8221;. <\/p>\n<p>Nas primeiras linhas, o papa lembra que &#8220;a caridade \u00e9 a via mestra da doutrina social da Igreja&#8221;. Mas a pr\u00e1tica tamb\u00e9m revela que a falta de coer\u00eancia \u00e9 a fragilidade maior entre os crist\u00e3os, a quem o papa se dirige em primeiro lugar. <\/p>\n<p>Bento XVI critica os alicerces do mercado desregrado, o &#8220;crescimento de uma classe de gestores&#8221; preocupados apenas com o lucro. <\/p>\n<p><\/span><span id=\"Text\">Muitos gestores, que se dizem cat\u00f3licos, foram c\u00famplices ou respons\u00e1veis pela crise, aproveitaram-se dela ou das fragilidades do mercado sem regras que a provocou. Devem ter as orelhas a arder. <\/span><span class=\"ArticleBody\"><span id=\"Text\"><br \/><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem preconceitos, porque \u00e9 assim que deve ser abordada, a enc\u00edclica social de Bento XVI \u00e9 um comp\u00eandio, um guia, para compreender a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-119","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}