{"id":154,"date":"2010-06-10T15:19:16","date_gmt":"2010-06-10T15:19:16","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/esperanca-e-criterios-de-vida\/"},"modified":"2010-06-10T15:19:16","modified_gmt":"2010-06-10T15:19:16","slug":"esperanca-e-criterios-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/esperanca-e-criterios-de-vida\/","title":{"rendered":"Esperan\u00e7a e Crit\u00e9rios de Vida"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">Em momento marcado pela d\u00favida e pela incerteza &#8211; elementos perturbadores das rela\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f3micas, das decis\u00f5es pol\u00edticas &#8211; a Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz de Coimbra (CDJP) julga oportuna uma palavra de esperan\u00e7a\u00a0neste per\u00edodo em que somos chamados a um novo esfor\u00e7o que imp\u00f5e mudan\u00e7as radicais, quer a n\u00edvel pessoal, quer colectivo.\u00a0<\/p>\n<p align=\"justify\">Convicta de que a crise, tendo sempre uma carga negativa gravosa, pode &#8211; e deve &#8211; ser oportunidade estimuladora de um mundo diferente, importa salientar que o trabalho que temos pela frente exige di\u00e1logo e projectos em comum, cujos frutos dependem da nossa capacidade de sermos exigentes na \u00e9tica, connosco e com os outros, e solid\u00e1rios para com aqueles que necessitam.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sejamos, assim, construtores do futuro, norteados pelo sentido de justi\u00e7a e de paz que o Verbo de Deus inscreveu em cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p align=\"justify\">[<a href=\"\/instituicao\/ktml2\/files\/61\/Esperanca%20cdjp%20coimb.pdf\" target=\"_blank\" style=\"text-align: justify;\">documento em pdf<\/a>]<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h2 align=\"center\">Esperan\u00e7a e Crit\u00e9rios de Vida<\/h2>\n<p>\u00a01. Vivemos dias marcados pela d\u00favida e pela incerteza, que afectam os indiv\u00edduos e as institui\u00e7\u00f5es e perturbam sobremaneira as rela\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f3micas e as decis\u00f5es pol\u00edticas. Em face deste espectro, que amarga a exist\u00eancia e tolhe a raz\u00e3o, a CDJP (Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz) de Coimbra julga oportuna uma palavra de esperan\u00e7a, fundamentada na f\u00e9 em Jesus de Nazar\u00e9, que centrou a sua mensagem no convertei os vossos crit\u00e9rios de vida (Mc 1,15), na capacidade de superar as crises, que marcaram a nossa Hist\u00f3ria colectiva, e na for\u00e7a transformadora dos valores \u00e9ticos por que pugnamos e que tantos reclamam como essenciais \u00e0 vida em sociedade.<\/p>\n<p>Reconhecemos que a presente situa\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 complexa e grave, marcada por uma crise, mais estrutural do que conjuntural, e por uma globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e financeira desregulada, que inverte a ordem dos valores, ao colocar os interesses econ\u00f3micos e a especula\u00e7\u00e3o acima da dignidade e dos direitos das pessoas, com efeitos perversos sobre sociedades, indiv\u00edduos e decisores pol\u00edticos.\u00a0<\/p>\n<p>As sociedades em geral &#8211; e a ocidental em particular &#8211; vivem demasiado centradas em interesses imediatos e ego\u00edstas, com a consequente perda do sentido do bem comum e de referenciais \u00e9ticos estruturantes. Parece prevalecer o comodismo de quem desiste de construir o futuro, conformando-se, como agora nos referiu Bento XVI, com uma din\u00e2mica social que &#8220;absolutiza o presente, isolando-o do patrim\u00f3nio cultural do passado e sem a inten\u00e7\u00e3o de delinear um futuro&#8221;. \u00c9 uma cultura do ef\u00e9mero, perme\u00e1vel \u00e0 publicidade manipuladora, \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o sob m\u00faltiplas formas, ao endividamento irrespons\u00e1vel.<\/p>\n<p>Portugal, em concreto, \u00e9 um pa\u00eds que soma a esta cultura um conjunto de defici\u00eancias preocupantes, entre as quais se destacam:<\/p>\n<p>&#8211; situa\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica e escassos recursos naturais nem sempre aproveitados da melhor forma;<\/p>\n<p>&#8211; fraco desenvolvimento econ\u00f3mico;<\/p>\n<p>&#8211; popula\u00e7\u00e3o envelhecida e acentuada queda da natalidade;<\/p>\n<p>&#8211; d\u00e9bil vontade na procura de qualidade e excel\u00eancia individual, institucional e colectiva<\/p>\n<p>&#8211; com demorada aplica\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a,<\/p>\n<p>&#8211; com n\u00edveis preocupantes de iliteracia e insucesso na Escola,<\/p>\n<p>&#8211; com falta de equidade no acesso aos cuidados de Sa\u00fade, apesar dos padr\u00f5es de qualidade \u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0 reconhecidos internacionalmente;<\/p>\n<p>&#8211; assimetria econ\u00f3mica (a maior da Uni\u00e3o Europeia) em que quase dois milh\u00f5es de pobres contrastam com titulares de remunera\u00e7\u00f5es ou pr\u00e9mios exorbitantes, sem rela\u00e7\u00e3o com resultados das empresas, reformas escandalosas, com curt\u00edssimas carreiras contributivas, e outras mordomias e benef\u00edcios, fruto, em grande parte dos casos, de clientelismo pol\u00edtico-partid\u00e1rio;<\/p>\n<p>&#8211; problemas graves, persistentes e estruturais, ao n\u00edvel do emprego e das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, que remetem um n\u00famero preocupante de concidad\u00e3os para a exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Na g\u00e9nese desta situa\u00e7\u00e3o encontram-se diversas raz\u00f5es, tais como:<\/p>\n<p>&#8211; a inexist\u00eancia de um projecto, ambicioso e inovador, para o desenvolvimento do pa\u00eds, que seja cred\u00edvel e mobilizador dos cidad\u00e3os na constru\u00e7\u00e3o de novos paradigmas;<\/p>\n<p>&#8211; a falta de lideran\u00e7as cred\u00edveis empenhadas na prossecu\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios do Estado de Direito Social, sem submiss\u00e3o a conveni\u00eancias eleitoralistas ou promo\u00e7\u00f5es pessoais;<\/p>\n<p>&#8211; a exist\u00eancia de uma d\u00e9bil sociedade civil, demasiado acomodada nos seus &#8220;direitos&#8221; e reticente \u00e0s mudan\u00e7as;<\/p>\n<p>&#8211; a incapacidade para alcan\u00e7ar consensos pol\u00edtico-sociais suficientemente alargados, que possibilitem o empreendimento de reformas h\u00e1 muito diagnosticadas como essenciais para o desenvolvimento sustentado do pa\u00eds;<\/p>\n<p>&#8211; o aproveitamento ineficiente dos fundos europeus e das comparticipa\u00e7\u00f5es estatais e das oportunidades hist\u00f3ricas que os mesmos constitu\u00edram;<\/p>\n<p>&#8211; a coniv\u00eancia das elites financeiras que, displicentemente e escondendo a realidade, aliciaram os cidad\u00e3os com propostas de empr\u00e9stimos ao consumo e nunca de poupan\u00e7as,<\/p>\n<p>&#8211; o desenvolvimento de uma economia paralela alimentada, por exemplo, por pequenos e grandes neg\u00f3cios que n\u00e3o pagam impostos ou pela coniv\u00eancia de quem n\u00e3o pede factura dos bens e servi\u00e7os que compra,<\/p>\n<p>&#8211; sintomas de uma corrup\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica que se estende desde os patamares mais elevados da administra\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao cidad\u00e3o comum.<\/p>\n<p>Acresce que a actual situa\u00e7\u00e3o or\u00e7amental e o n\u00edvel de endividamento ao estrangeiro s\u00e3o terreno f\u00e9rtil para crescente especula\u00e7\u00e3o financeira, o que coloca Portugal &#8211; a par com outros pa\u00edses &#8211; em graves dificuldades para alcan\u00e7ar maior credibilidade no concerto das na\u00e7\u00f5es e para conseguir empr\u00e9stimos internacionais, a fim de fazer face ao pagamento da d\u00edvida e das despesas n\u00e3o cobertas pelas receitas fiscais. Basta lembrar que no Or\u00e7amento de Estado para 2010 as despesas dos juros eram j\u00e1 superiores a cinco mil milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>2. A situa\u00e7\u00e3o acima referida condicionou as medidas pol\u00edticas, necess\u00e1rias e urgentes, que s\u00e3o do conhecimento p\u00fablico. Reconhecemos que, num contexto de interdepend\u00eancia e de globaliza\u00e7\u00e3o, controlado pela especula\u00e7\u00e3o financeira, essas decis\u00f5es se tornam cada vez mais dif\u00edceis e complexas, parecendo-nos indispens\u00e1vel que sejam acompanhadas de uma procura activa de consensos.<\/p>\n<p>De facto, o esfor\u00e7o de equil\u00edbrio das finan\u00e7as p\u00fablicas deve manter-se associado \u00e0 correc\u00e7\u00e3o das grandes desigualdades na reparti\u00e7\u00e3o da riqueza e do rendimento. Assim, \u00e9 fundamental que o Estado cumpra o seu papel na regula\u00e7\u00e3o social, em particular no combate \u00e0 pobreza e na protec\u00e7\u00e3o dos desempregados. Al\u00e9m disso, na reorganiza\u00e7\u00e3o das empresas e das institui\u00e7\u00f5es, do sector p\u00fablico e do sector privado, importa promover maior rendibilidade dos bens e servi\u00e7os e melhorar o grau de efici\u00eancia e efic\u00e1cia humana, econ\u00f3mica e energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Por exig\u00eancia do bem comum, compete ainda aos que mais ganham, podem e sabem estar \u00e0 altura da solidariedade e das responsabilidades que podem e devem assumir.<\/p>\n<p>Portanto, exige-se que, em todas as medidas, o direito do pobre seja sempre o primeiro a ser salvaguardado, evitando a deteriora\u00e7\u00e3o da j\u00e1 dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o em que se encontram os mais fragilizados.<\/p>\n<p>3. A CDJP deseja, neste momento de desalento e de d\u00favidas, trazer uma palavra de esperan\u00e7a, pois acredita que os portugueses, tal como t\u00eam feito ao longo da sua Hist\u00f3ria, saber\u00e3o superar as dificuldades e assumir os sacrif\u00edcios, fazendo valer as suas energias e potencialidades.\u00a0<\/p>\n<p>Em nome da esperan\u00e7a, somos chamados hoje a um novo esfor\u00e7o que imp\u00f5e mudan\u00e7as radicais, a n\u00edvel pessoal e colectivo. O futuro est\u00e1 tamb\u00e9m nas nossas m\u00e3os, e isso exige a generaliza\u00e7\u00e3o de um ambiente social de comportamentos \u00e9ticos, que deve assentar:<\/p>\n<p>&#8211; numa forte consci\u00eancia de que todos temos alguma responsabilidade na actual situa\u00e7\u00e3o, pois, &#8220;\u00e9 por demais f\u00e1cil alijar sobre os outros a responsabilidade das injusti\u00e7as se se n\u00e3o d\u00e1 conta ao mesmo tempo de como se tem parte nelas e de como a convers\u00e3o pessoal \u00e9 algo necess\u00e1rio, primeiro que tudo o mais&#8221; (OA 48);<\/p>\n<p>&#8211; em novos estilos de vida, que alterem h\u00e1bitos consolidados de consumismo, de falta de cidadania, de degrada\u00e7\u00e3o da Natureza, de modo a garantir um desenvolvimento sustent\u00e1vel e a manuten\u00e7\u00e3o da Terra habit\u00e1vel pelas gera\u00e7\u00f5es futuras;<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;numa justa liberdade perante os bens materiais&#8221; (FC 37), nomeadamente perante o dinheiro, um instrumento para a nossa qualidade de vida e n\u00e3o um deus que nos escraviza e aliena;<\/p>\n<p>&#8211; na disponibilidade para acolher o outro como companheiro na constru\u00e7\u00e3o da sociedade, sem o hostilizar ou recear como um concorrente, enriquecendo-nos mutuamente com as diversidades individuais e grupais;<\/p>\n<p>&#8211; numa confian\u00e7a respons\u00e1vel na solidariedade, cimento estruturante da coes\u00e3o social, inerente a uma cidadania comprometida e interventiva;<\/p>\n<p>&#8211; em formas novas de organizar a sociedade, fundadas no servi\u00e7o ao bem comum, a\u00a0 come\u00e7ar pelas institui\u00e7\u00f5es, nacionais e internacionais, reguladoras dos mercados financeiros;<\/p>\n<p>&#8211; na multiplica\u00e7\u00e3o de iniciativas inovadoras de quem acredita na nossa capacidade para encontrar solu\u00e7\u00f5es para grande parte das dificuldades que nos atingem;<\/p>\n<p>&#8211; uma aten\u00e7\u00e3o s\u00e9ria para que os principais respons\u00e1veis da crise em que vivemos n\u00e3o sejam os primeiros benefici\u00e1rios da mesma;<\/p>\n<p>&#8211; na procura de um &#8220;desenvolvimento econ\u00f3mico, social e pol\u00edtico, autenticamente humano&#8221;, baseado no &#8220;princ\u00edpio da gratuitidade como express\u00e3o de fraternidade&#8221; (CV 34).<\/p>\n<p>Em nome da mesma esperan\u00e7a, decorrendo o Ano Europeu da Luta contra a Pobreza e a Exclus\u00e3o Social e vivendo o \u00fanico tempo da Hist\u00f3ria em que temos recursos mais do que suficientes, \u00e9 imperativo combater estere\u00f3tipos e preconceitos colectivos sobre a pobreza e cuidar de todos os habitantes da Terra &#8220;sem privilegiar nem excluir ningu\u00e9m&#8221; (CA 31), por exig\u00eancia<\/p>\n<p>&#8211; da promo\u00e7\u00e3o da dignidade inviol\u00e1vel de cada pessoa,<\/p>\n<p>&#8211; do destino universal dos bens, que &#8220;Deus criou para uso de todos&#8221; (GS 69) e<\/p>\n<p>&#8211; da indispens\u00e1vel coes\u00e3o social, pacificadora e geradora de uma justa equidade.<\/p>\n<p>Sabemos que uma das principais causas da pobreza \u00e9 o desemprego. Por isso, urge tomar medidas adequadas para que o emprego se torne, como \u00e9 de facto, o factor mais decisivo na inclus\u00e3o. Efectivamente, como diz Bento XVI, &#8220;a exclus\u00e3o do trabalho por muito tempo ou ent\u00e3o uma prolongada depend\u00eancia da assist\u00eancia p\u00fablica ou privada corroem a liberdade e a criatividade da pessoa e as suas rela\u00e7\u00f5es familiares e sociais, causando enormes sofrimentos a n\u00edvel psicol\u00f3gico e espiritual&#8221;. E continua, recordando &#8220;a todos, sobretudo aos governantes que est\u00e3o empenhados a dar um perfil renovado aos sistemas econ\u00f3micos e sociais do mundo, que o primeiro capital a preservar e valorizar \u00e9 o homem, a pessoa, na sua integridade: com efeito, o homem \u00e9 o protagonista, o centro e o fim de toda a vida econ\u00f3mico-social&#8221; (CV 25).<\/p>\n<p>Neste contexto, \u00e9 de condenar tanto quem contrata a recibo verde, com sal\u00e1rios indignos, ou ilegalmente, como quem recusa propostas de emprego e continua a receber apoios sociais, bem como quem permanece &#8220;de baixa&#8221; sem estar doente.<\/p>\n<p>4. A Comiss\u00e3o est\u00e1 convicta de que a crise, tendo sempre uma gravosa carga negativa, \u00e9 ou pode ser uma oportunidade estimuladora de um mundo diferente, at\u00e9 porque na sociedade portuguesa h\u00e1 muitas pessoas e organiza\u00e7\u00f5es que d\u00e3o um testemunho de vida nesse sentido:<\/p>\n<p>&#8211; cuidam fraternalmente dos outros, sobretudo dos mais fr\u00e1geis, contribuindo activamente para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e solid\u00e1ria,<\/p>\n<p>&#8211; partilham gratuitamente saberes e compet\u00eancias t\u00e9cnicas e profissionais em apoio de pessoas e situa\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis,<\/p>\n<p>&#8211; acreditam na nossa capacidade de inovar e empenham-se em construir alternativas, por exemplo, reestruturando empresas ou ocupando novos nichos do mercado;<\/p>\n<p>\u00a0&#8211; assumem o compromisso de ser agentes de uma Hist\u00f3ria comum e com o seu testemunho de vida estimulam colegas e amigos,<\/p>\n<p>&#8211; persistem mesmo perante fracassos ou falta de resultados imediatos, muitas vezes\u00a0 servindo-se das dificuldades para descobrir caminhos novos.<\/p>\n<p>O trabalho que temos pela frente, come\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o de cada um e concretiza-se nos v\u00e1rios espa\u00e7os de influ\u00eancia e poder de que todos dispomos. Um trabalho que exige di\u00e1logo, projectos em comum, colabora\u00e7\u00e3o em rede. Se foi a &#8220;rede&#8221; que gerou esta crise \u00e9 em &#8220;rede&#8221; que vamos venc\u00ea-la, tendo presente a senten\u00e7a evang\u00e9lica de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel &#8220;colocar vinho novo em odres velhos&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>As comunidades eclesiais s\u00e3o especialmente chamadas<\/p>\n<p>&#8211; a testemunhar os valores de &#8220;um reino de verdade e de vida, de santidade e de gra\u00e7a, de justi\u00e7a, de amor e de paz&#8221; (GS 39) e a convic\u00e7\u00e3o de que &#8220;a \u00abcidade do homem\u00bb n\u00e3o se move apenas por rela\u00e7\u00f5es feitas de direitos e de deveres, mas antes e sobretudo por rela\u00e7\u00f5es de gratuidade, miseric\u00f3rdia e comunh\u00e3o&#8221; (CV 6),<\/p>\n<p>&#8211; a ser voz das v\u00edtimas de injusti\u00e7as silenciosas e silenciadas (cf. JM 20),<\/p>\n<p>&#8211; a estimular espa\u00e7os de debate e de consciencializa\u00e7\u00e3o da gravidade da situa\u00e7\u00e3o e da necessidade de uma convers\u00e3o de mentalidades e atitudes.<\/p>\n<p>Saibamos, pois, ser exigentes na \u00e9tica, connosco e com os outros, e ser solid\u00e1rios com aqueles que necessitam. Sejamos os construtores do futuro, norteados pelo sentido de justi\u00e7a e de paz que o Verbo de Deus inscreveu em cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>&#8220;Soou a hora da ac\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o em jogo a sobreviv\u00eancia de tantas crian\u00e7as inocentes, o acesso a uma condi\u00e7\u00e3o humana de tantas fam\u00edlias infelizes, a paz do mundo e o futuro da civiliza\u00e7\u00e3o. Que todos os homens e todos os povos assumam as suas responsabilidades&#8221; (PP 80).<\/p>\n<p>Coimbra, Julho de 2010<\/p>\n<p><span lang=\"PT-BR\">Abel da Concei\u00e7\u00e3o dos Santos Pinto<\/span><\/p>\n<p>Alberto Lopes Gil<\/p>\n<p>Carlos Alberto das Neves Joaquim<\/p>\n<p>Carlos Jos\u00e9 Rodrigues de Paiva<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Lu\u00eds Pereira Soeiro de Campos<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Henriques dos Santos Cabral<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Dias da Silva<\/p>\n<p>Maria Teresa dos Reis Pedroso de Lima Oliveira<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em momento marcado pela d\u00favida e pela incerteza &#8211; elementos perturbadores das rela\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f3micas, das decis\u00f5es pol\u00edticas &#8211; a Comiss\u00e3o Diocesana [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-154","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos-cdjps"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=154"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}