{"id":216,"date":"2013-02-03T15:18:00","date_gmt":"2013-02-03T15:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/?p=216"},"modified":"2026-10-12T15:18:27","modified_gmt":"2026-10-12T15:18:27","slug":"etica-nas-financas-reflexao-para-a-quaresma-de-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/etica-nas-financas-reflexao-para-a-quaresma-de-2013\/","title":{"rendered":"\u00c9tica nas finan\u00e7as \u2013 reflex\u00e3o para a Quaresma de 2013"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-214 alignright\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/ETICA_FINANCAS_capa.webp\" alt=\"\u00c9tica nas Finan\u00e7as -- reflex\u00e3o para a Quaresma 2013\" width=\"212\" height=\"300\" \/>Na sua reflex\u00e3o para a Quaresma de 2013, a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz aborda o tema <strong>\u00c9tica nas Finan\u00e7as uma quest\u00e3o de Justi\u00e7a e Paz<\/strong>.\u00a0Este documento \u00e9 subscrito por\u00a0v\u00e1rias comiss\u00f5es diocesanas Justi\u00e7a e Paz e integra-se na ac\u00e7\u00e3o conjunta da rede <a title=\"Justitia et Pax Europa\" href=\"http:\/\/www.juspax-eu.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Justitia et Pax Europa<\/a><\/p>\n<p>Pode parecer estranho que as Comiss\u00f5es Justi\u00e7a e Paz escolham o tema\u00a0das finan\u00e7as para a sua mensagem quaresmal de 2013. Acontece, no entanto,\u00a0que, na linha dos anteriores, tamb\u00e9m o ano de 2013 continua dominado pela\u00a0crise financeira, a qual tem sido enfrentada com medidas que afectam gravemente o bem-estar e as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o portuguesa.<\/p>\n<p>[<a title=\"\u00c9tica nas finan\u00e7as - reflex\u00e3o para a Quaresma de 2013\" href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/ETICA_FINANCAS_Quaresma_2013.pdf\" target=\"_self\">documento em PDF<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/contactos\/\" target=\"_self\">solicitar exemplares impressos<\/a>]<span style=\"font-size: 11px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h1>\u00c9TICA NAS FINAN\u00c7AS\u00a0uma quest\u00e3o de Justi\u00e7a e Paz<\/h1>\n<p><em>Reflex\u00e3o para a Quaresma de 2013. Documento conjunto da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz\u00a0e das Comiss\u00f5es Diocesanas Justi\u00e7a e Paz do Algarve, Aveiro,\u00a0Beja, Braga, Bragan\u00e7a-Miranda, Coimbra, Leiria-F\u00e1tima,\u00a0Portalegre-Castelo Branco, Porto, Set\u00fabal e Viseu.<\/em><\/p>\n<p>1. Pode parecer estranho que as Comiss\u00f5es Justi\u00e7a e Paz (CJP) escolham o tema\u00a0das finan\u00e7as para a sua mensagem quaresmal de 2013. Acontece, no entanto,\u00a0que, na linha dos anteriores, tamb\u00e9m o ano de 2013 continua dominado pela\u00a0crise financeira, a qual tem sido enfrentada com medidas que afectam gravemente o bem-estar e as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o portuguesa. Acresce a\u00a0circunst\u00e2ncia, altamente preocupante, de que as pol\u00edticas adoptadas, apesar de\u00a0n\u00e3o surtirem os efeitos esperados, foram recentemente refor\u00e7adas no Or\u00e7amento de Estado para 2013. (1)<\/p>\n<p>2. Os malef\u00edcios associados \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds s\u00e3o conhecidos e n\u00e3o carecem de novas descri\u00e7\u00f5es exaustivas. N\u00e3o se pode, todavia, deixar de lembrar que o pa\u00eds est\u00e1 sujeito a um Programa de Ajustamento que tem tido consequ\u00eancias muito pesadas sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o, em virtude dos cortes nos sal\u00e1rios e nas presta\u00e7\u00f5es sociais, aumento da carga fiscal e subida pronunciada dos n\u00edveis de desemprego. Assiste-se, igualmente, a um forte sentimento de des\u00e2nimo, na aus\u00eancia de perspectivas cred\u00edveis de recupera\u00e7\u00e3o da economia, de percep\u00e7\u00e3o de que os sacrif\u00edcios n\u00e3o est\u00e3o a ser equitativamente distribu\u00eddos, e de desconfian\u00e7a sobre se os sacrif\u00edcios impostos levar\u00e3o a resultados aceit\u00e1veis. Por outro lado, ressalta a situa\u00e7\u00e3o de muitas fam\u00edlias que contra\u00edram empr\u00e9stimos para aquisi\u00e7\u00e3o de casa, no pressuposto de que os seus recursos n\u00e3o sofreriam quedas bruscas e permitiriam satisfazer os compromissos assumidos.<br \/>\nCom a perda de empregos e de rendimentos, que sobrevieram, essas fam\u00edlias passaram a conhecer dificuldades, ou mesmo a impossibilidade de pagarem as presta\u00e7\u00f5es, o que as coloca em posi\u00e7\u00e3o particularmente vulner\u00e1vel ou na imin\u00eancia de perderem a sua casa. Imp\u00f5e-se a busca de solu\u00e7\u00f5es que evitem o despejo e sejam adaptadas \u00e0 situa\u00e7\u00e3o actual.<\/p>\n<p>3. A comunidade crist\u00e3 n\u00e3o pode deixar de ter presente este quadro nacional, estas fam\u00edlias e estas pessoas, ao entrar no per\u00edodo anual de prepara\u00e7\u00e3o para celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, que inaugurou a nova cria\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 na P\u00e1scoa de Jesus, que tamb\u00e9m \u00e9 a P\u00e1scoa dos seus disc\u00edpulos e da humanidade inteira, que a nossa esperan\u00e7a encontra as suas ra\u00edzes. E se \u00e9 certo que esta Quaresma se insere no Ano da F\u00e9, \u00e9 for\u00e7oso que tamb\u00e9m seja vivida sob o signo da Esperan\u00e7a e da Caridade.<\/p>\n<p>4. A tend\u00eancia mais frequente ao pensarmos em problemas como os que o pa\u00eds\u00a0enfrenta actualmente, \u00e9 a de procurarmos vias de solu\u00e7\u00e3o que dependam de cada um e de institui\u00e7\u00f5es, p\u00fablicas e privadas, dedicadas \u00e0 ajuda assistencial.\u00a0Esse esfor\u00e7o \u00e9 indispens\u00e1vel para satisfazer as car\u00eancias mais urgentes. Acontece, no entanto, que essa ajuda, se bem que necess\u00e1ria, n\u00e3o atinge as causas profundas dos problemas. \u00c9 hoje consensual que aquelas causas se situam, a\u00a0um tempo, a tr\u00eas n\u00edveis: o interno dos pa\u00edses, a esfera de espa\u00e7os mais largos,\u00a0como \u00e9, por exemplo, o da Uni\u00e3o Europeia, e, finalmente, o n\u00edvel global. \u00c9 a\u00a0todos esses n\u00edveis, consoante as possibilidades de cada um, que os crist\u00e3os\u00a0dever\u00e3o intervir, para que a hist\u00f3ria dos homens se aproxime cada vez mais da\u00a0hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>5. A \u00abassist\u00eancia social\u00bb de que acima falamos, n\u00e3o se confunde com o \u00abassistencialismo\u00bb. Este \u00faltimo comp\u00f5e-se de um conjunto de ac\u00e7\u00f5es facultativas, aleat\u00f3rias e discricion\u00e1rias, concedidas pelos servi\u00e7os p\u00fablicos ou institui\u00e7\u00f5es particulares, e que concentra o m\u00e9rito no prestador. Diversamente, a \u00abassist\u00eancia social\u00bb tem subjacente a no\u00e7\u00e3o da dignidade humana do benefici\u00e1rio, a que est\u00e3o associados direitos indeclin\u00e1veis. Estamos no dom\u00ednio da justi\u00e7a. A situa\u00e7\u00e3o de crise pode justificar que se modifiquem algumas formas concretas de assist\u00eancia, mas n\u00e3o pode prejudicar os direitos indissoci\u00e1veis daquela dignidade. Do ponto de vista \u00e9tico, que \u00e9 o nosso, esta \u00e9 uma incumb\u00eancia primeiramente do Estado, porque se trata de um aspecto fundamental do bem comum, mas que se alarga a toda a sociedade civil, enquanto sujeito colectivo da pr\u00e1tica da justi\u00e7a e da solidariedade.<\/p>\n<p>6. As principais caracter\u00edsticas da evolu\u00e7\u00e3o recente das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o portuguesa s\u00e3o acompanhadas persistentemente por taxas negativas de\u00a0crescimento do PIB, que permitem falar numa \u00abespiral recessiva\u00bb. Em todo este processo sobressai uma falta incompreens\u00edvel de pol\u00edticas que fomentem o crescimento econ\u00f3mico que seja criador de emprego e promova uma justa distribui\u00e7\u00e3o do rendimento e da riqueza. Portugal \u00e9, de momento, o pa\u00eds mais desigual da Uni\u00e3o Europeia. O alargamento do prazo de amortiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida junto das entidades representadas pela Troika e o abaixamento dos respectivos juros tamb\u00e9m s\u00e3o factores que poder\u00e3o permitir honrar os compromissos do \u00e2mbito do programa de ajustamento com menos sacrif\u00edcios para o povo. Algo neste sentido acaba de ser conseguido. Devemos saudar a iniciativa e o resultado, e, ao mesmo tempo, reconhecer que n\u00e3o basta.<\/p>\n<p>7. Perante o flagrante insucesso do modelo de pol\u00edtica seguido em 2012, a insist\u00eancia de id\u00eantico modelo, nalguns aspectos agravado, em 2013, pode ser eticamente inaceit\u00e1vel. O povo, as pessoas e as fam\u00edlias n\u00e3o podem servir de objecto de experi\u00eancias de pol\u00edtica econ\u00f3mica de sucesso altamente duvidoso. Ao\u00a0denunci\u00e1-lo, as CJP afastam-se da cumplicidade do sil\u00eancio.<\/p>\n<p>8. As CJP acreditam na constru\u00e7\u00e3o europeia como espa\u00e7o de Estado-na\u00e7\u00f5es que livremente escolhem integrar uma Uni\u00e3o de iguais, dotada de institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas pr\u00f3prias. Lamentam que o processo de decis\u00e3o vigente conceda predomin\u00e2ncia injustificada aos membros economicamente mais fortes, em preju\u00edzo da vontade e das necessidades dos mais fracos, e n\u00e3o pode aceitar que, por raz\u00f5es de incapacidade ou de estrat\u00e9gia, o governo do pa\u00eds tenha optado por uma postura objectiva de seguidismo pol\u00edtico perante os ditames do(s) poderoso(s). O que est\u00e1 em causa \u00e9 demasiado grave para ficar ao sabor dos gostos de um ou outro governante. \u00c9 fundamental que o processo de integra\u00e7\u00e3o Europeia envolva a cria\u00e7\u00e3o de estruturas e legisla\u00e7\u00e3o que v\u00e3o ao encontro de maior justi\u00e7a e solidariedade entre os pa\u00edses-membros.<\/p>\n<p>9. Como salientamos acima, sabemos que as causas da crise que abrange o mundo\u00a0se n\u00e3o limitam \u00e0 esfera nacional, embora muito haja que pode ser feito a esse n\u00edvel. As causas s\u00e3o profundas e complexas e, como antes da crise, continuam a ser geridas pelos que, por ac\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, geraram a crise. O que revela, al\u00e9m do mais, a urgente necessidade de uma consci\u00eancia c\u00edvica e pol\u00edtica do comum dos cidad\u00e3os perante as coisas do mundo.<\/p>\n<p>10. Na sua ainda recente Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2013 (1 de Janeiro), o Papa Bento XVI apontou algumas quest\u00f5es particularmente relevantes,\u00a0entre as quais as que seguidamente se transcrevem, e que merecem uma leitura atenta e muita pondera\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"margin-left: 30px;\">\u201cPara sair da crise financeira e econ\u00f3mica actual, que provoca um aumento das desigualdades, s\u00e3o necess\u00e1rias pessoas, grupos, institui\u00e7\u00f5es que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da pr\u00f3pria crise uma ocasi\u00e3o de discernimento e de um novo modelo econ\u00f3mico. O modelo que prevaleceu nas \u00faltimas d\u00e9cadas apostava na busca da maximiza\u00e7\u00e3o do lucro e do consumo, numa \u00f3ptica individualista e ego\u00edsta que pretendia avaliar as pessoas apenas pela sua capacidade de dar resposta \u00e0s exig\u00eancias da competitividade.\u201d<\/p>\n<p>11. Noutro texto, o Papa observaria que no cora\u00e7\u00e3o da crise actual est\u00e1 a quebra \u00e9tica que teve lugar em todos os n\u00edveis da economia mundial, cada vez mais dominada pelo utilitarismo e materialismo (2). Quer isto dizer que qualquer proposta de reforma do sistema financeiro ter\u00e1 de estar voltada para a resolu\u00e7\u00e3o desta \u201cquebra \u00e9tica\u201d, o que pressup\u00f5e que, no m\u00ednimo: os crit\u00e9rios \u00e9ticos n\u00e3o podem situar-se apenas na esfera da consci\u00eancia individual, mas devem ser considerados em todo o processo de tomada de decis\u00e3o, tanto a n\u00edvel individual como colectivo; a educa\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de economia e finan\u00e7as precisam de enfatizar o impacto humano destas actividades, com especial enfoque na justi\u00e7a social; os nossos compromissos para com a dignidade da pessoa humana e o desenvolvimento humano integral necessitam de ser inscritos na legisla\u00e7\u00e3o, com os adequados mecanismos de coac\u00e7\u00e3o, a n\u00edvel internacional e nacional.<\/p>\n<p>Torna-se por isso indispens\u00e1vel refor\u00e7ar os mecanismos de regula\u00e7\u00e3o financeira, a n\u00edvel nacional, europeu e mundial, atrav\u00e9s da imposi\u00e7\u00e3o de um corpus\u00a0m\u00ednimo partilhado de regras necess\u00e1rias \u00e0 gest\u00e3o do mercado financeiro. Vem\u00a0a prop\u00f3sito recordar o apelo do Conselho Pontif\u00edcio para a Justi\u00e7a e a Paz, para\u00a0a cria\u00e7\u00e3o de uma autoridade p\u00fablica de compet\u00eancia universal, \u201cdada a necessidade de respostas, n\u00e3o apenas sectoriais e isoladas, mas sistem\u00e1ticas e integradas, inspiradas pela solidariedade e pela subsidiariedade, e orientadas para\u00a0o bem comum universal\u201d (3).<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em causa n\u00e3o \u00e9 uma forma de governan\u00e7a que retire poder \u00e0s pessoas e as afaste do processo pol\u00edtico, mas antes a adop\u00e7\u00e3o de um modelo de governan\u00e7a claramente ditado pelas exig\u00eancias da justi\u00e7a, da solidariedade e da\u00a0subsidiariedade. Da\u00ed que as institui\u00e7\u00f5es internacionais devam intervir para\u00a0apoiar os estados nas mat\u00e9rias que n\u00e3o podem resolver sozinhos, promovendo\u00a0o bem comum, acima dos interesses ego\u00edstas. Importa assegurar que os mesmos padr\u00f5es est\u00e3o a ser aplicados em todos os pa\u00edses, o que permite aos governos introduzir medidas contra a injusti\u00e7a e a desigualdade, sem receio de que\u00a0as actividades econ\u00f3micas sejam deslocadas para fora do pa\u00eds pelos investidores ou empregadores.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas financeiras e monet\u00e1rias n\u00e3o devem prejudicar os pa\u00edses mais fracos, antes devem contribuir para a distribui\u00e7\u00e3o equitativa da riqueza mundial, atrav\u00e9s de formas in\u00e9ditas de solidariedade fiscal e global.\u00a0A tarefa de reformar as principais institui\u00e7\u00f5es da sociedade pode parecer arrojada, mas a doutrina social da Igreja recorda-nos que as reformas s\u00e3o realiz\u00e1veis porque todas as nossas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o afinal o resultado de escolhas e decis\u00f5es humanas.<br \/>\nSalienta o Papa Bento XVI: \u201cCausam apreens\u00e3o os focos de tens\u00e3o e conflito causados por crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo predom\u00ednio duma mentalidade ego\u00edsta e individualista que se exprime inclusivamente por um capitalismo financeiro desregrado.\u201d (4)<\/p>\n<p>12. Por outro lado, \u201co primado do espiritual e da \u00e9tica tem que ser restaurado e,\u00a0com ele, o primado da pol\u00edtica \u2013 que \u00e9 respons\u00e1vel pelo bem-comum \u2013 sobre a economia e a finan\u00e7a\u201d (5). Para tanto, n\u00e3o basta proceder s\u00f3 \u00e0 reforma do sistema financeiro. Torna-se necess\u00e1rio utilizar v\u00e1rias aproxima\u00e7\u00f5es, nomeadamente, a regula\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o de todos, para refor\u00e7ar os la\u00e7os entre a actividade econ\u00f3mica e o bem-comum da sociedade.\u00a0Em particular, as igrejas e as comunidades dos crentes s\u00e3o chamadas a reflectir, quer individualmente quer colectivamente, sobre as exig\u00eancias da f\u00e9 no contexto dos desafios actuais das nossas sociedades, designadamente: na an\u00e1lise auto-cr\u00edtica sobre a extens\u00e3o da nossa participa\u00e7\u00e3o num sistema econ\u00f3mico que falhou na protec\u00e7\u00e3o dos mais vulner\u00e1veis; na procura de que a actividade financeira das nossas actividades e organiza\u00e7\u00f5es respeite os mais altos padr\u00f5es \u00e9ticos poss\u00edveis, promovendo e divulgando boas pr\u00e1ticas; na organiza\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o no debate p\u00fablico para dar voz aos princ\u00edpios \u00e9ticos; na adop\u00e7\u00e3o de\u00a0estilos de vida mais sustent\u00e1veis, que impliquem tamb\u00e9m maior solidariedade\u00a0para com os irm\u00e3os que est\u00e3o a passar por dificuldades e para com as organiza-\u00e7\u00f5es que trabalham para a justi\u00e7a social; na escolha dos bancos e dos investimentos que respeitem os princ\u00edpios \u00e9ticos, muitas vezes consubstanciados em\u00a0C\u00f3digos de Conduta \u00c9tica, que devem ser desenvolvidos e merecer o nosso\u00a0apoio, quando contribuem para a transpar\u00eancia, a defesa dos Direitos Humanos\u00a0e a distribui\u00e7\u00e3o justa dos lucros.<\/p>\n<p>13. As Comiss\u00f5es Justi\u00e7a e Paz subscritoras deste documento apelam tamb\u00e9m aos \u00f3rg\u00e3os pol\u00edticos do pa\u00eds, designadamente \u00e0 Assembleia da Rep\u00fablica e ao Governo, no sentido de:<\/p>\n<p style=\"margin-left: 30px;\">a) apoiar a cria\u00e7\u00e3o da autoridade internacional de regula\u00e7\u00e3o, acima referida, que seja independente das institui\u00e7\u00f5es financeiras e tenha em conta as considera\u00e7\u00f5es \u00e9ticas, designadamente as relacionadas com a elimina\u00e7\u00e3o dos para\u00edsos fiscais;<\/p>\n<p style=\"margin-left: 30px;\">b) manter o apoio \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de uma taxa sobre as transac\u00e7\u00f5es financeiras, tal como foi proposto pela Comiss\u00e3o Europeia em 2011;<\/p>\n<p style=\"margin-left: 30px;\">c) subir a participa\u00e7\u00e3o nacional na Ajuda ao Desenvolvimento, por forma a atingir a meta dos 0,7% do PIB, de acordo com os compromissos assumidos<br \/>\ne que n\u00e3o devem ser esquecidos, mesmo em situa\u00e7\u00e3o de crise;<\/p>\n<p style=\"margin-left: 30px;\">d) identificar \u00e1reas de regula\u00e7\u00e3o adicional \u2013 a n\u00edvel nacional e internacional \u2013 de modo a assegurar que a actividade econ\u00f3mica esteja em conformidade com a procura da justi\u00e7a;<\/p>\n<p style=\"margin-left: 30px;\">e) introduzir legisla\u00e7\u00e3o destinada a lutar contra a corrup\u00e7\u00e3o e a evas\u00e3o fiscal;<\/p>\n<p style=\"margin-left: 30px;\">f) procurar, junto do sistema banc\u00e1rio, solu\u00e7\u00f5es para as fam\u00edlias que, sem culpa pr\u00f3pria, estejam com dificuldades para pagarem as presta\u00e7\u00f5es decorrentes do cr\u00e9dito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o e em risco de perderem a casa, sob pena de se vir a assistir a um problema social de vastas propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>14. \u201cO obreiro da paz \u2013 diz Bento XVI \u2013 deve ter presente tamb\u00e9m que as ideologias do liberalismo radical e da tecnocracia insinuam, numa percentagem cada\u00a0vez maior da opini\u00e3o p\u00fablica, a convic\u00e7\u00e3o de que o crescimento econ\u00f3mico se deve conseguir mesmo \u00e0 custa da eros\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o social do Estado e das redes de solidariedade da sociedade civil, bem como dos direitos e deveres sociais. Ora, h\u00e1 que considerar que estes direitos e deveres s\u00e3o fundamentais para a plena realiza\u00e7\u00e3o de outros, a come\u00e7ar pelos direitos civis e pol\u00edticos.\u201d<\/p>\n<p>15. As CJP expressam votos de solidariedade a todos os seus concidad\u00e3os e concidad\u00e3s. Aos seus irm\u00e3os na f\u00e9, desejam uma celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa marcada pela\u00a0paz, certas de que uma maior fidelidade \u00e0 mensagem do Evangelho de Jesus Cristo d\u00e1 sentido ao sofrimento e aponta para crit\u00e9rios de felicidade que levam, depois da crise, por caminhos diversos dos que levaram \u00e0 crise.<\/p>\n<p>3 de Fevereiro de 2013<\/p>\n<p>\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014<\/p>\n<p>1 A \u00ab\u00e9tica nas finan\u00e7as\u00bb \u00e9 o tema eleito pela JPEuropa para a \u00abac\u00e7\u00e3o concertada\u00bb comum em 2013, das Comiss\u00f5es associadas. A JPEuropa \u00e9 uma rede constitu\u00edda por Comiss\u00f5es Justi\u00e7a e Paz da Europa.<\/p>\n<p>2 Bento XVI, Caritas in Veritate, 2009.<\/p>\n<p>3 Conselho Pontif\u00edcio para a Justi\u00e7a e a Paz (2011), Para uma reforma do sistema financeiro e monet\u00e1rio<br \/>\ninternacional na perspectiva de uma autoridade p\u00fablica de compet\u00eancia universal.<\/p>\n<p>4 Bento XVI, (2012), Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2013.<\/p>\n<p>5 Conselho Pontif\u00edcio para a Justi\u00e7a e a Paz, ibidem<\/p>\n<p>6 Bento XVI, ibidem<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sua reflex\u00e3o para a Quaresma de 2013, a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz aborda o tema \u00c9tica nas Finan\u00e7as uma quest\u00e3o de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":214,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[],"class_list":["post-216","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reflexoes"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=216"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1073,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216\/revisions\/1073"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}