{"id":375,"date":"2015-05-01T18:34:51","date_gmt":"2015-05-01T18:34:51","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/reinventar-a-paz\/"},"modified":"2015-05-01T18:34:51","modified_gmt":"2015-05-01T18:34:51","slug":"reinventar-a-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/reinventar-a-paz\/","title":{"rendered":"Reinventar a Paz"},"content":{"rendered":"<p>Pendurei-me na minha camisa branca para gritar a minha ades\u00e3o ao \u201csomostodospessoas\u201d. Depressa senti um sobressalto, uma agita\u00e7\u00e3o, porque por momentos tinha a alma em paz, j\u00e1 tinha o \u201cdever cumprido\u201d com a camisa branca, mas j\u00e1 est\u00e1 tudo feito?<\/p>\n<p>Entretanto, \u00e0 janela dos dias perpassa o cinzentismo de nuvens carregadas de intoler\u00e2ncias, argueiros ou traves, <em>eus<\/em> inchados de mesquinhas raz\u00f5es, subtis interesses, v\u00e3s aspira\u00e7\u00f5es de gl\u00f3rias.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Pendurei-me na minha camisa branca para gritar a minha ades\u00e3o ao \u201csomostodospessoas\u201d. Depressa senti um sobressalto, uma agita\u00e7\u00e3o, porque por momentos tinha a alma em paz, j\u00e1 tinha o \u201cdever cumprido\u201d com a camisa branca, mas j\u00e1 est\u00e1 tudo feito?<\/p>\n<p>Entretanto, \u00e0 janela dos dias perpassa o cinzentismo de nuvens carregadas de intoler\u00e2ncias, argueiros ou traves,&nbsp;<em>eus<\/em>&nbsp;inchados de mesquinhas raz\u00f5es, subtis interesses, v\u00e3s aspira\u00e7\u00f5es de gl\u00f3rias.<\/p>\n<p>E o cinzentismo carrega l\u00e1grimas destiladas de tantas dores que, mesmo sem nos darmos conta, fazem germinar sementes novas e a verdade \u00e9 procurada entre a humildade das incertezas.<\/p>\n<p>O cinzentismo perturba porque nos quer fazer crer na monotonia do \u2018n\u00e3o vale a pena\u2019, de um fatalismo castrador da rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O cinzentismo exacerba o negativo como se estiv\u00e9ssemos numa via sem sa\u00edda.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-374\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/promotingtolerance.webp\" width=\"400\" height=\"271\" alt=\"promotingtolerance\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/promotingtolerance.webp 669w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/promotingtolerance-400x271.webp 400w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p>Poder\u00e1 ter passado ao lado do cinzentismo o recente debate na ONU sobre a <strong>Promo\u00e7\u00e3o<\/strong> <strong>da toler\u00e2ncia e reconcilia\u00e7\u00e3o: favorecendo sociedades pac\u00edficas, inclusivas e neutralizando o extremismo violento<\/strong>, nos dias 21 e 22 de abril. Do Pal\u00e1cio de Vidro em Nova Iorque foi poss\u00edvel entrever uma fresta de um caminho com outras cores. Por iniciativa do Presidente da Assembleia Geral Sam Kutesa, do Secret\u00e1rio-Geral Ban Ki\u2010moon e do Alto Representante da Alian\u00e7a das Civiliza\u00e7\u00f5es Nassir Abdulaziz Al\u2010Nasser, participaram os 193 Estados Membros e foram convidados diversos l\u00edderes religiosos.<\/p>\n<p>No primeiro dia foram as interven\u00e7\u00f5es dos Estados Membros e o segundo abarcou as potencialidades da dimens\u00e3o religiosa com as interven\u00e7\u00f5es de diversos l\u00edderes religiosos que apresentaram o papel dos diferentes grupos e comunidades na promo\u00e7\u00e3o da toler\u00e2ncia diante das diferen\u00e7as, o valor da liberdade de express\u00e3o baseada nos direitos humanos e a promo\u00e7\u00e3o de uma pr\u00e1xis social e pol\u00edtica agregadora de um pluralismo em prol do bem comum e capaz de ser alternativa aos extremismos que parecem dominar o presente.<\/p>\n<p>Uma perspetiva de 360 graus abarcando as interven\u00e7\u00f5es de Abdallah bin Bayyah, presidente do <em>Forum for Peace in Muslim Societies<\/em>, David Rosen, diretor internacional para os assuntos inter-religiosos do <em>American Jewish Committee<\/em>, H. H. Samdech Tep Vong, <em>Great Supreme Patriarch of the Kingdom of Cambodia<\/em>, Beatriz Schulthess, presidente do <em>Indigenous Peoples Ancestral Spiritual Council<\/em>, Bhai Sahib Mohinder Singh, presidente do <em>Guru Nank Nishkam Sewak Jatha<\/em> e Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, e ainda Laura Trevelyan, jornalista da BBC, como moderadora.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o de Maria Voce, uma mulher forjada na \u2018cultura de confian\u00e7a\u2019 de um Deus-Amor, centrou-se na narrativa de uma vida, feita de muitas vidas, um movimento nascido entre os escombros da Segunda Guerra Mundial e que foi capaz de \u201cesmagar o c\u00edrculo vicioso da viol\u00eancia com gestos e a\u00e7\u00f5es que no clima do conflito poderiam parecer irrealistas ou irrelevantes\u201d. Depois teceu um paralelismo com a realidade de hoje onde em muitas partes do mundo se percebe o esboroar das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f3micas e sociais incapazes de estancar os conflitos e a viol\u00eancia gritando um novo paradigma. Foi oferecida a experi\u00eancia do \u201cencontro entre culturas e religi\u00f5es\u201d \u201cque n\u00e3o se limita \u00e0 toler\u00e2ncia ou ao simples reconhecimento da diversidade, que vai mesmo al\u00e9m da fundamental reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 um di\u00e1logo que constela os cinco continentes, desde as grandes metr\u00f3poles aos mais rec\u00f4nditos lugares, um di\u00e1logo que abarca respostas concretas \u00e0s necessidades e desafios para uma nova humanidade capaz de voltar costas aos fratric\u00eddios e se torne mais fraterna.<\/p>\n<p>Diante dos extremismos m\u00faltiplos, n\u00e3o podemos ser mornos, t\u00edbios, envergonhados, mas a resposta s\u00f3 pode ser do mesmo calibre atrav\u00e9s do \u00abextremismo do di\u00e1logo\u00bb, afirmou Maria Voce! Depois pincelou o di\u00e1logo com palavras precisas: incompreens\u00e3o, medo, ressentimento, envolvimento, risco, exig\u00eancia, desafio.<\/p>\n<p>Baseando-se na iniciativa da ONU da \u00abAlian\u00e7a das Civiliza\u00e7\u00f5es\u00bb, prop\u00f4s um passo avante para a &#8220;Civiliza\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a&#8221;, um caminho para uma civiliza\u00e7\u00e3o \u201cque faz do di\u00e1logo a estrada para nos reconhecermos livres, iguais e irm\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p>Ali, diante dos senhores do mundo falou da seguran\u00e7a que \u201capesar de indispens\u00e1vel, n\u00e3o equivale necessariamente \u00e0 paz\u201d e que, \u00e0 escala planet\u00e1ria, se d\u00ea um passo de \u201camar a p\u00e1tria do outro como a pr\u00f3pria\u201d, o desafio lan\u00e7ado por Chiara Lubich em 1977 para uma efetiva e real fraternidade universal.<\/p>\n<p>Trabalhar juntos, pa\u00edses ricos e pobres, com elevados \u00edndices de escolaridade ou onde a educa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 um luxo, marcados por op\u00e7\u00f5es religiosas ou aconfessionais, todos numa paridade corajosa para \u201cinventar a paz\u201d.<\/p>\n<p>Qual o contributo das religi\u00f5es?<\/p>\n<p>A regra de ouro \u2013 faz aos outros o que gostarias fosse feito a ti; n\u00e3o fa\u00e7as aos outros o que n\u00e3o gostarias fosse feito a ti \u2013 \u00e9 relevada como um caminho que se percorre passo a passo numa partilha de sofrimentos e alegrias.<\/p>\n<p>Maria Voce fez-se acompanhar de um jovem, expressando assim uma realidade presente que olha para o futuro.<\/p>\n<p>Um evento que n\u00e3o ficou circunscrito a umas horas nem ficou confinado \u00e0s paredes da ONU, mesmo se de vidro, pois estes debates far\u00e3o parte dos conte\u00fados da <strong>Agenda para o Desenvolvimento p\u00f3s 2015<\/strong> onde toler\u00e2ncia e reconcilia\u00e7\u00e3o dever\u00e3o pontificar e fazer germinar uma cultura social pac\u00edfica, inclusiva e fraterna, capaz de reinventar a paz, sempre nova a cada momento.<\/p>\n<p><em>Jos\u00e9 Maia,&nbsp;<\/em><i>26.abril.2015<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pendurei-me na minha camisa branca para gritar a minha ades\u00e3o ao \u201csomostodospessoas\u201d. 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