{"id":387,"date":"2015-06-03T21:01:36","date_gmt":"2015-06-03T21:01:36","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/etica-da-vida-e-etica-social\/"},"modified":"2015-06-03T21:01:36","modified_gmt":"2015-06-03T21:01:36","slug":"etica-da-vida-e-etica-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/etica-da-vida-e-etica-social\/","title":{"rendered":"\u00c9tica da vida e \u00e9tica social"},"content":{"rendered":"<p>Numa mensagem recente, dirigida aos participantes de uma confer\u00eancia internacional sobre as mulheres e o desenvolvimento, organizada pelo Conselho Pontif\u00edcio da Justi\u00e7a e da Paz, em colabora\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Mundial das Organiza\u00e7\u00f5es Femininas Cat\u00f3licas e a World Women\u2019s Alliance for Life and Family, o Papa Francisco sublinhou uma quest\u00e3o que j\u00e1 o Papa Bento XVI havia, mais do que uma vez, sublinhado: a estreita liga\u00e7\u00e3o entre a \u00e9tica da vida e a \u00e9tica social. Afirmou a este respeito: \u00abAs quest\u00f5es ligadas \u00e0 vida s\u00e3o intrinsecamente conexas com as quest\u00f5es sociais; quando defendemos o direito \u00e0 vida, fazemo-lo tamb\u00e9m para que essa vida possa, da sua conce\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao seu termo natural, ser uma vida digna, que n\u00e3o conhe\u00e7a as chagas da fome e da pobreza, da viol\u00eancia e da persegui\u00e7\u00e3o\u00bb. E citou a enc\u00edclica de Bento XVI Caritas in veritate : \u00abA Igreja prop\u00f5e, com vigor, esta liga\u00e7\u00e3o entre \u00e9tica da vida e \u00e9tica social, ciente de que n\u00e3o pode ter s\u00f3lidas bases uma sociedade que afirma valores como a dignidade da pessoa, a justi\u00e7a e a paz, mas contradiz-se radicalmente aceitando e tolerando as mais diversas formas de desprezo e viola\u00e7\u00e3o da vida humana, sobretudo se d\u00e9bil e marginalizada\u00bb (n. 15).<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Numa mensagem recente, dirigida aos participantes de uma confer\u00eancia internacional sobre as mulheres e o desenvolvimento, organizada pelo Conselho Pontif\u00edcio da Justi\u00e7a e da Paz, em colabora\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Mundial das Organiza\u00e7\u00f5es Femininas Cat\u00f3licas e a World Women\u2019s Alliance for Life and Family, o Papa Francisco sublinhou uma quest\u00e3o que j\u00e1 o Papa Bento XVI havia, mais do que uma vez, sublinhado: a estreita liga\u00e7\u00e3o entre a \u00e9tica da vida e a \u00e9tica social. Afirmou a este respeito: \u00abAs quest\u00f5es ligadas \u00e0 vida s\u00e3o intrinsecamente conexas com as quest\u00f5es sociais; quando defendemos o direito \u00e0 vida, fazemo-lo tamb\u00e9m para que essa vida possa, da sua conce\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao seu termo natural, ser uma vida digna, que n\u00e3o conhe\u00e7a as chagas da fome e da pobreza, da viol\u00eancia e da persegui\u00e7\u00e3o\u00bb. E citou a enc\u00edclica de Bento XVI Caritas in veritate : \u00abA Igreja prop\u00f5e, com vigor, esta liga\u00e7\u00e3o entre \u00e9tica da vida e \u00e9tica social, ciente de que n\u00e3o pode ter s\u00f3lidas bases uma sociedade que afirma valores como a dignidade da pessoa, a justi\u00e7a e a paz, mas contradiz-se radicalmente aceitando e tolerando as mais diversas formas de desprezo e viola\u00e7\u00e3o da vida humana, sobretudo se d\u00e9bil e marginalizada\u00bb (n. 15).<\/p>\n<p>Nessa mesma enc\u00edclica tamb\u00e9m afirmou o Papa em\u00e9rito: \u00abA abertura \u00e0 vida est\u00e1 no centro do verdadeiro desenvolvimento. Quando uma sociedade come\u00e7a a negar e a suprimir a vida, acaba por deixar de encontrar as motiva\u00e7\u00f5es e energias necess\u00e1rias para trabalhar ao servi\u00e7o do verdadeiro bem do homem. Se se perde a sensibilidade pessoal e social ao acolhimento duma nova vida, definham tamb\u00e9m outras formas de acolhimento \u00fateis \u00e0 vida social. O acolhimento da vida revigora as energias morais e torna-nos capazes de ajuda rec\u00edproca. Os povos ricos, cultivando a abertura \u00e0 vida, podem compreender melhor as necessidades dos pa\u00edses pobres, evitar o emprego de enormes recursos econ\u00f3micos e intelectuais para satisfazer desejos ego\u00edstas dos pr\u00f3prios cidad\u00e3os e promover, ao inv\u00e9s, a\u00e7\u00f5es virtuosas na perspetiva duma produ\u00e7\u00e3o moralmente sadia e solid\u00e1ria, no respeito do direito fundamental de cada povo e de cada pessoa \u00e0 vida.\u00bb (n. 28).<\/p>\n<p>A tutela da vida \u00e9 um imperativo desde o seu in\u00edcio e at\u00e9 ao seu termo natural. Em todas as suas fases, n\u00e3o certamente apenas no seu in\u00edcio. Mas tamb\u00e9m no seu in\u00edcio; se n\u00e3o for protegida uma vida antes do nascimento, nunca o ser\u00e1 depois. A tutela da vida no seu sentido biol\u00f3gico \u00e9 um pressuposto da tutela da vida na sua plenitude, que se confunde com a tutela da dignidade humana. Haver\u00e1 sempre incoer\u00eancia quando nos limitamos a algum aspeto dessa tutela.<\/p>\n<p>Madre Teresa de Calcut\u00e1, que dedicou a sua vida ao servi\u00e7o dos pobres, considerava o nascituro \u201co mais pobre dos pobres\u201d. A sua pobreza e vulnerabilidade tamb\u00e9m decorre da sua invisibilidade. Mas muitas outras facetas tem a pobreza e a vulnerabilidade, mais ou menos vis\u00edveis. Tamb\u00e9m haver\u00e1 incoer\u00eancia quando se defendem umas categorias de pobres e se esquecem outras.<\/p>\n<p>Considerar que a \u00e9tica da vida e a \u00e9tica social s\u00e3o indissoci\u00e1veis implica que o empenho nas causas de defesa da vida e o empenho nas causas da justi\u00e7a social n\u00e3o podem ser, para os crist\u00e3os, compartimentos estanques (como diferentes \u201cgavetas\u201d \u2013 ouvi dizer a algu\u00e9m) que se ignoram e n\u00e3o comunicam entre si.<\/p>\n<p><em>Pedro Vaz Patto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa mensagem recente, dirigida aos participantes de uma confer\u00eancia internacional sobre as mulheres e o desenvolvimento, organizada pelo Conselho Pontif\u00edcio da Justi\u00e7a e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-387","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reflexoes-dos-membros-da-cnjp"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}