{"id":423,"date":"2016-01-25T22:38:15","date_gmt":"2016-01-25T22:38:15","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/medo-dos-refugiados\/"},"modified":"2016-01-25T22:38:15","modified_gmt":"2016-01-25T22:38:15","slug":"medo-dos-refugiados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/medo-dos-refugiados\/","title":{"rendered":"Medo dos Refugiados?"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 os atentados de Paris, em novembro, para isso tinham contribu\u00eddo. Mas foi sobretudo a s\u00e9rie maci\u00e7a de agress\u00f5es de cariz sexual a mulheres na noite de passagem de ano, em Col\u00f3nia e noutras cidades alem\u00e3s, a colocar em causa, em muitos setores da opini\u00e3o p\u00fablica, a pol\u00edtica de abertura e acolhimento para com a atual vaga de refugiados na Europa. Em vez de suscitarem a solidariedade, estes parece que agora suscitam medo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>J\u00e1 os atentados de Paris, em novembro, para isso tinham contribu\u00eddo. Mas foi sobretudo a s\u00e9rie maci\u00e7a de agress\u00f5es de cariz sexual a mulheres na noite de passagem de ano, em Col\u00f3nia e noutras cidades alem\u00e3s, a colocar em causa, em muitos setores da opini\u00e3o p\u00fablica, a pol\u00edtica de abertura e acolhimento para com a atual vaga de refugiados na Europa. Em vez de suscitarem a solidariedade, estes parece que agora suscitam medo.<\/p>\n<p>N\u00e3o deve ser minimizada a gravidade desses acontecimentos de Col\u00f3nia e outras cidades, al\u00e9m do mais pelo seu car\u00e1ter m\u00faltiplo e organizado (e nessa medida in\u00e9dito). Nem deve ocultar-se a origem e nacionalidade dos respons\u00e1veis, muitos deles, na verdade, candidatos a obter o estatuto de refugiado e de origem \u00e1rabe ou norte-africana.<\/p>\n<p>Mas j\u00e1 me parece abusivo o que tenho lido sobre a suposta especial propens\u00e3o de homens de cultura mu\u00e7ulmana, \u00e1rabe ou africana, para esse tipo de crimes. Como se os seus autores n\u00e3o representassem uma exce\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria no conjunto dos refugiados.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que h\u00e1 um caminho a percorrer no sentido do respeito pela dignidade da mulher em sociedades de cultura isl\u00e2mica, que tradicionalmente aceitam a poligamia ou casamentos for\u00e7ados. N\u00e3o pode ignorar-se que \u00e9 maior o respeito por essa dignidade onde se sente a influ\u00eancia do cristianismo. Mas nem nessas sociedades de cultura isl\u00e2mica, ou africanas, se aceitam formas de viol\u00eancia sexual como as que est\u00e3o em causa. N\u00e3o pode um bando de delinquentes (por muito extenso ou organizado que seja), muitos deles embriagados, representar os valores da cultura isl\u00e2mica, ou da cultura africana.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na Europa muito caminho h\u00e1 a percorrer no sentido do respeito pela dignidade da mulher. Algumas inova\u00e7\u00f5es que aqui se apresentam como progressistas (a legaliza\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o ou das \u201cbarrigas de aluguer\u201d) representam at\u00e9 um retrocesso nesse caminho, porque se traduzem em formas legaliza\u00e7\u00e3o da \u201ccoisifica\u00e7\u00e3o\u201d da mulher. Muitos europeus s\u00e3o clientes das mulheres v\u00edtimas de redes de tr\u00e1fico para prostitui\u00e7\u00e3o. E a viol\u00eancia sexual na Europa tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9, obviamente, exclusivo de imigrantes ou refugiados. Houve quem recordasse, a prop\u00f3sito, as viola\u00e7\u00f5es praticadass habitualmente durante a Oktoberfest (a \u201cfesta da cerveja\u201d) de Munique, em n\u00famero maior dos que as praticadas em Col\u00f3nia na noite de passagem de ano.<\/p>\n<p>\u00c0 viol\u00eancia sexual pode associar-se uma mentalidade hedonista sem limites, que n\u00e3o valoriza o autodom\u00ednio dos instintos sexuais, mentalidade t\u00e3o comum nas nossas sociedades europeias. Um estudo recente, das Universidades de Indiana e do Havai, baseado numa meta-an\u00e1lise de outros 22 estudos de v\u00e1rios pa\u00edses, publicado no Journal of Communication de 29 de dezembro, vem demonstrar (contra o que tamb\u00e9m, j\u00e1 se sustentou), a correla\u00e7\u00e3o ente o consumo de pornografia e a pr\u00e1tica de crimes sexuais (ver <a href=\"http:\/\/www.lifesitenews.com\/\">www.lifesitenews.com<\/a>). Ora, a liberdade desse consumo \u00e9 geralmente tida, nas sociedades ocidentais, como absolutamente intoc\u00e1vel, ou at\u00e9 sinal de avan\u00e7o civilizacional no confronto com outras culturas.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o se deixa influenciar pelo clima de medo para com os refugiados que parece crescer na Europa \u00e9, claramente, o Papa Francisco.<\/p>\n<p>No seu recente discurso ao corpo diplom\u00e1tico acreditado junto da Santa S\u00e9 (ver www.vatican.va), afirmou que <em>\u00abas migra\u00e7\u00f5es constituir\u00e3o uma pedra angular do futuro do mundo, mais do que o t\u00eam sido at\u00e9 agora\u00bb<\/em>, e que as respostas a este fen\u00f3meno <em>\u00abs\u00f3 poder\u00e3o ser fruto dum trabalho comum, que respeite a dignidade humana e os direitos das pessoas\u00bb<\/em>. Salienta como <em>\u00abmuitos migrantes, origin\u00e1rios da \u00c1sia e da \u00c1frica, veem na Europa um ponto de refer\u00eancia por princ\u00edpios, como a igualdade perante a lei, e valores inscritos na pr\u00f3pria natureza de cada ser humano, como a inviolabilidade da dignidade e da igualdade de cada pessoa, o amor ao pr\u00f3ximo sem distin\u00e7\u00e3o de origem nem de ra\u00e7a, a liberdade de consci\u00eancia e a solidariedade com o seu semelhante\u00bb<\/em>. Considera que o regime de acolhimento de refugiados <em>\u00ablaboriosamente constru\u00eddo sobre as cinzas do segundo conflito mundial\u00bb constitui ainda \u00abum farol de humanidade a servir de refer\u00eancia\u00bb<\/em>. E adverte que a resposta \u00e0 atual crise de refugiados n\u00e3o pode <em>\u00abminar as bases daquele \u201cesp\u00edrito humanista\u201d que a Europa ama e defende desde sempre\u00bb<\/em>.<\/p>\n<p>Nesse discurso, o Papa n\u00e3o ignora a exig\u00eancia de reciprocidade quanto aos direitos e deveres dos refugiados e imigrantes, por um lado, e de quem os acolhe, por outro. Nem a possibilidade de choques culturais. Mas a resposta h\u00e1 de ir para al\u00e9m do fechamento, da ignor\u00e2ncia, do preconceito e do medo: <em>\u00abo acolhimento pode ser ocasi\u00e3o prop\u00edcia para uma nova compreens\u00e3o e abertura de horizonte, tanto para quem \u00e9 acolhido, que tem o dever de respeitar os valores, as tradi\u00e7\u00f5es e as leis da comunidade que o acolhe, como para esta \u00faltima, chamada a valorizar aquilo que cada imigrante pode oferecer para benef\u00edcio de toda a comunidade\u00bb<\/em>.<\/p>\n<p>Pedro Vaz Patto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 os atentados de Paris, em novembro, para isso tinham contribu\u00eddo. 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