{"id":454,"date":"2016-09-05T20:34:21","date_gmt":"2016-09-05T20:34:21","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/guerra-de-religioes\/"},"modified":"2016-09-05T20:34:21","modified_gmt":"2016-09-05T20:34:21","slug":"guerra-de-religioes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/guerra-de-religioes\/","title":{"rendered":"Guerra de religi\u00f5es?"},"content":{"rendered":"<p>A todos impressionou o b\u00e1rbaro assassinato do padre Jacques Hamel. O pr\u00f3prio Presidente da Fran\u00e7a, o pa\u00eds da laicidade (que, por vezes, degenera em laicismo), qualificou o ato como \u00abprofana\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica\u00bb. O padre Jacques Hamel juntou o sacrif\u00edcio da sua vida ao de Jesus Cristo, literal e fisicamente. Como m\u00e1rtir, morreu v\u00edtima do \u00f3dio \u00e0 f\u00e9 (<em>in odium fidei<\/em>).<\/p>\n<p>Perante este dram\u00e1tico epis\u00f3dio, n\u00e3o foram poucas as vozes que se ouviram a acusar a religi\u00e3o isl\u00e2mica de estar intrinsecamente ligada \u00e0 viol\u00eancia e a advogar, por isso, restri\u00e7\u00f5es \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o de mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p>Em resposta a estas vozes, o Papa Francisco reconheceu que estamos perante uma guerra, mas n\u00e3o uma guerra de religi\u00f5es. E salientou que o terrorismo n\u00e3o pode ser confundido com o Isl\u00e3o.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A todos impressionou o b\u00e1rbaro assassinato do padre Jacques Hamel. O pr\u00f3prio Presidente da Fran\u00e7a, o pa\u00eds da laicidade (que, por vezes, degenera em laicismo), qualificou o ato como \u00abprofana\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica\u00bb. O padre Jacques Hamel juntou o sacrif\u00edcio da sua vida ao de Jesus Cristo, literal e fisicamente. Como m\u00e1rtir, morreu v\u00edtima do \u00f3dio \u00e0 f\u00e9 (<em>in odium fidei<\/em>).<\/p>\n<p>Perante este dram\u00e1tico epis\u00f3dio, n\u00e3o foram poucas as vozes que se ouviram a acusar a religi\u00e3o isl\u00e2mica de estar intrinsecamente ligada \u00e0 viol\u00eancia e a advogar, por isso, restri\u00e7\u00f5es \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o de mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p>Em resposta a estas vozes, o Papa Francisco reconheceu que estamos perante uma guerra, mas n\u00e3o uma guerra de religi\u00f5es. E salientou que o terrorismo n\u00e3o pode ser confundido com o Isl\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 que identificar na motiva\u00e7\u00e3o dos autores do homic\u00eddio do padre Jacques Hamel uma ideologia de morte que instrumentaliza a religi\u00e3o isl\u00e2mica com objetivos pol\u00edticos e que \u00e9 inimiga da civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e humanista. Muitas vezes, por detr\u00e1s das guerras est\u00e3o interesses econ\u00f3micos, mas tamb\u00e9m h\u00e1 guerras movidas por ideologias, por ideias perversas, como o atesta a hist\u00f3ria do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Por isso, h\u00e1 que denunciar e combater essa ideologia, tamb\u00e9m no plano das ideias. Da\u00ed o importante papel pedag\u00f3gico que podem desempenhar os mu\u00e7ulmanos que condenam o terrorismo em nome da sua f\u00e9. O procurador italiano Armando Spataro, especialista em terrorismo, ao enaltecer o gesto dos mu\u00e7ulmanos que, depois da morte do padre Hamel, quiseram assistir \u00e0 missa em v\u00e1rias cidades francesas e italianas, em sinal de solidariedade para com os cat\u00f3licos, salientou isso mesmo: \u00abningu\u00e9m pode combater o terrorismo sem a ajuda das comunidades isl\u00e2micas\u00bb (<a href=\"http:\/\/www.lastampa.it\/\">www.lastampa.it<\/a>, 31\/7\/2016).&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 quem, por\u00e9m, recuse a qualifica\u00e7\u00e3o do Isl\u00e3o como \u201creligi\u00e3o de paz\u201d. O padre eg\u00edpcio Samir Khalil, S.J., conceituado especialista no tema, tem afirmado com insist\u00eancia que o Cor\u00e3o e a vida de Maom\u00e9 cont\u00eam elementos de viol\u00eancia e que se continuarmos a dizer que o Isl\u00e3o \u00e9 uma religi\u00e3o de paz, \u00abs\u00f3 criaremos confus\u00e3o e perplexidade\u00bb (<a href=\"http:\/\/www.asianews.it\/\">www.asianews.it<\/a>, 26\/7\/2016).<\/p>\n<p>Ter\u00e1 alguma raz\u00e3o. Mas, como ele pr\u00f3prio reconhece, essa \u00e9 apenas uma das poss\u00edveis leituras do Isl\u00e3o (que, mesmo assim, n\u00e3o d\u00e1 cobertura ao terrorismo). H\u00e1 outras. Independentemente de saber qual a mais fiel, o certo \u00e9 que com ela n\u00e3o se identifica a maioria dos mu\u00e7ulmanos de hoje, que sabem distinguir o essencial da mensagem espiritual do Cor\u00e3o de particularidades ligadas a contextos hist\u00f3ricos ultrapassados. Estes mu\u00e7ulmanos devem ser como tal identificados e encorajados e receber a solidariedade dos crist\u00e3os e dos ocidentais, e nunca confundidos com os terroristas (de quem eles tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas, at\u00e9 em maior n\u00famero).<\/p>\n<p>Deve ser dado relevo, por exemplo, \u00e0 iniciativa de pensadores mu\u00e7ulmanos A Common Word, que aponta o amor a Deus e ao pr\u00f3ximo como \u201cpalavra comum\u201d a mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os (www.acommonword.com). Ou a declara\u00e7\u00e3o de Marraquexe, sobre os direitos das minorias religiosas nos pa\u00edses isl\u00e2micos (<a href=\"http:\/\/www.marrakeshdeclaration.org\">www.marrakeshdeclaration.org<\/a>).<\/p>\n<p>\u00c9 este o sentido que deve ser dado \u00e0s palavras do Papa Francisco quando fala do Isl\u00e3o como \u201creligi\u00e3o de paz\u201d. Palavras id\u00eanticas \u00e0s de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II aquando da sua visita ao Casaquist\u00e3o poucos dias depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A alternativa a esta postura \u00e9, na verdade, alguma forma de \u201cguerra\u201d entre Isl\u00e3o e cristianismo, ou entre Isl\u00e3o e cultura ocidental. As fraturas que da\u00ed decorreriam, num mundo cada vez mais globalizado (em que n\u00e3o \u00e9 sequer poss\u00edvel isolar os mu\u00e7ulmanos nos seus pa\u00edses de origem, nem \u00e9 sequer realista pensar que estes se integrar\u00e3o nas sociedades ocidentais renegando a sua religi\u00e3o), s\u00e3o inimagin\u00e1veis. E \u00e9 isso mesmo que querem os terroristas.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pedro Vaz Patto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A todos impressionou o b\u00e1rbaro assassinato do padre Jacques Hamel. 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