{"id":589,"date":"2018-10-16T11:33:01","date_gmt":"2018-10-16T11:33:01","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/chocante-desigualdade-nota-da-comissao-nacional-justica-e-paz-2\/"},"modified":"2018-10-16T11:33:01","modified_gmt":"2018-10-16T11:33:01","slug":"chocante-desigualdade-nota-da-comissao-nacional-justica-e-paz-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/chocante-desigualdade-nota-da-comissao-nacional-justica-e-paz-2\/","title":{"rendered":"CHOCANTE DESIGUALDADE  Nota da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-587\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/desigualdades-salariais.webp\" alt=\"desigualdades salariais\" width=\"450\" height=\"231\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/desigualdades-salariais.webp 700w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/desigualdades-salariais-400x206.webp 400w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<h2 align=\"center\"><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/CHOCANTE-DESIGUALDADE-Nota-da-CNJP.pdf\" target=\"_self\">CHOCANTE DESIGUALDADE<\/a><\/h2>\n<h2 align=\"center\"><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/CHOCANTE-DESIGUALDADE-Nota-da-CNJP.pdf\" target=\"_self\">Nota da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/a><\/h2>\n<p>Foi com indigna\u00e7\u00e3o que muitos receberam recentemente a not\u00edcia de que a disparidade entre o n\u00edvel dos sal\u00e1rios dos dirigentes de topo das maiores empresas portuguesas, por um lado, e o n\u00edvel dos sal\u00e1rios m\u00e9dio e m\u00ednimo dos trabalhadores dessas empresas, por outro lado, j\u00e1 de si muito elevado (chega a atingir, nalguns casos, a propor\u00e7\u00e3o de um para cem), se acentuou no per\u00edodo de crise econ\u00f3mica que atravess\u00e1mos: entre 2010 e 2017, os sal\u00e1rios desses dirigentes subiram cerca de 50%, quando o sal\u00e1rio m\u00e9dio desses trabalhadores desceu cerca de 6% (ver <em>Expresso <\/em>de 29\/10\/2018). Esta situa\u00e7\u00e3o vem confirmar e agravar a mais geral desigualdade de rendimentos que caracteriza a sociedade portuguesa. Revela uma particular injusti\u00e7a diante dos sacrif\u00edcios por que muitos passaram durante o per\u00edodo dessa crise e de que ainda hoje n\u00e3o recuperaram.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Foi com indigna\u00e7\u00e3o que muitos receberam recentemente a not\u00edcia de que a disparidade entre o n\u00edvel dos sal\u00e1rios dos dirigentes de topo das maiores empresas portuguesas, por um lado, e o n\u00edvel dos sal\u00e1rios m\u00e9dio e m\u00ednimo dos trabalhadores dessas empresas, por outro lado, j\u00e1 de si muito elevado (chega a atingir, nalguns casos, a propor\u00e7\u00e3o de um para cem), se acentuou no per\u00edodo de crise econ\u00f3mica que atravess\u00e1mos: entre 2010 e 2017, os sal\u00e1rios desses dirigentes subiram cerca de 50%, quando o sal\u00e1rio m\u00e9dio desses trabalhadores desceu cerca de 6% (ver&nbsp;<em>Expresso&nbsp;<\/em>de 29\/10\/2018). Esta situa\u00e7\u00e3o vem confirmar e agravar a mais geral desigualdade de rendimentos que caracteriza a sociedade portuguesa. Revela uma particular injusti\u00e7a diante dos sacrif\u00edcios por que muitos passaram durante o per\u00edodo dessa crise e de que ainda hoje n\u00e3o recuperaram.<\/p>\n<p>Esta tem\u00e1tica da desigualdade de rendimentos em Portugal tem merecido a aten\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz, que a ela dedicou a sua confer\u00eancia anual de h\u00e1 dois anos, \u00e0 qual deu o t\u00edtulo: \u201c<em>Sociedade Desigual ou Sociedade Fraterna?<\/em>\u201d<\/p>\n<p>Consideramos, na verdade, que uma sociedade com um t\u00e3o acentuado grau de desigualdade de rendimentos se afasta de um modelo de sociedade justa, coesa e fraterna. E o mesmo se diga em rela\u00e7\u00e3o a cada empresa onde se verifiquem t\u00e3o grandes disparidades salariais, se encararmos a empresa como uma comunidade de pessoas, unidas em torno de prop\u00f3sitos que deveriam ser, em larga medida, comuns. O sentimento de perten\u00e7a a uma comunidade, a comunidade nacional ou a comunidade da empresa, muito se enfraquece em face dessas desigualdades.<\/p>\n<p>Afirma, de forma clara e vigorosa, o Papa Francisco que enquanto n\u00e3o forem atacadas as causas estruturais da desigualdade social, que \u00e9 a raiz dos males sociais, n\u00e3o se resolver\u00e3o os problemas do mundo e, em definitivo, problema algum (<em>Evangelii Gaudium<\/em>, 202).<\/p>\n<p>As desigualdades salariais a que assistimos nas maiores empresas portuguesas v\u00e3o muito para al\u00e9m do que poderia justificar o incentivo ou a recompensa do m\u00e9rito. De um modo geral, os sal\u00e1rios dos dirigentes do topo n\u00e3o dependem estritamente do sucesso da empresa e mant\u00eam-se mesmo quando n\u00e3o se verifica esse sucesso. N\u00e3o pode ignorar-se, por outro lado, que o sucesso de uma empresa nunca depende unicamente do trabalho dos seus dirigentes, mas de um trabalho de equipa onde todos desempenham o seu papel. Tamb\u00e9m a cada um dos trabalhadores s\u00e3o devidos o incentivo e a recompensa.<\/p>\n<p>S\u00e3o chocantes os muito elevados n\u00edveis salariais dos dirigentes de topo das maiores empresas portuguesas, que rivalizam com os de outros pa\u00edses europeus mais ricos, sobretudo porque contrastam com n\u00edveis salariais m\u00ednimos e m\u00e9dios muito inferiores aos desses pa\u00edses. O fosso deve, por isso, ser atenuado sobretudo atrav\u00e9s do aumento desses n\u00edveis salariais m\u00ednimos e m\u00e9dios.<\/p>\n<p>Sem indicarmos medidas concretas para corrigir esta situa\u00e7\u00e3o, por entendermos que n\u00e3o nos cabe faz\u00ea-lo, queremos manifestar a nossa indigna\u00e7\u00e3o perante esta chocante desigualdade e apelar a que, de uma ou outra forma, ela seja corrigida. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; 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