{"id":623,"date":"2019-02-13T16:14:22","date_gmt":"2019-02-13T16:14:22","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/violencia-domestica-nota-da-cnjp\/"},"modified":"2019-02-13T16:14:22","modified_gmt":"2019-02-13T16:14:22","slug":"violencia-domestica-nota-da-cnjp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/violencia-domestica-nota-da-cnjp\/","title":{"rendered":"VIOL\u00caNCIA DOM\u00c9STICA Nota da CNJP"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-622\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Violencia-Domestica.webp\" alt=\"Viol\u00eancia Dom\u00e9stica\" width=\"450\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Violencia-Domestica.webp 480w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Violencia-Domestica-400x300.webp 400w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<h2 align=\"center\"><b>VIOL\u00caNCIA DOM\u00c9STICA <\/b><\/h2>\n<h2 align=\"center\"><b>Nota da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/b><\/h2>\n<p>Mais uma vez a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz junta a sua voz \u00e0 consterna\u00e7\u00e3o coletiva face aos dados tremendos do persistente flagelo da viol\u00eancia dom\u00e9stica e ao apelo a uma a\u00e7\u00e3o consistente, articulada e perseverante na sua erradica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vivemos num Estado de Direito dotado de um amplo quadro legal, informado pelos direitos humanos, que de forma gen\u00e9rica define, prev\u00ea e enquadra as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica procurando proteger a v\u00edtima e sancionar o agressor;<\/p>\n<p>Vivemos num Estado que disp\u00f5e de institui\u00e7\u00f5es apetrechadas com recursos humanos treinados para o efeito;<\/p>\n<p>Vivemos numa sociedade com n\u00edveis de escolaridade sem paralelo no passado, com acesso a informa\u00e7\u00e3o ampla quer preventiva, quer curativa, e por isso formadora de um melhor discernimento na an\u00e1lise e interven\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Mais uma vez a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz junta a sua voz \u00e0 consterna\u00e7\u00e3o coletiva face aos dados tremendos do persistente flagelo da viol\u00eancia dom\u00e9stica e ao apelo a uma a\u00e7\u00e3o consistente, articulada e perseverante na sua erradica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vivemos num Estado de Direito dotado de um amplo quadro legal, informado pelos direitos humanos, que de forma gen\u00e9rica define, prev\u00ea e enquadra as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica procurando proteger a v\u00edtima e sancionar o agressor;<\/p>\n<p>Vivemos num Estado que disp\u00f5e de institui\u00e7\u00f5es apetrechadas com recursos humanos treinados para o efeito;<\/p>\n<p>Vivemos numa sociedade com n\u00edveis de escolaridade sem paralelo no passado, com acesso a informa\u00e7\u00e3o ampla quer preventiva, quer curativa, e por isso formadora de um melhor discernimento na an\u00e1lise e interven\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas, face \u00e0 persistente trag\u00e9dia e imenso sofrimento expresso nos n\u00fameros dos crimes de viol\u00eancia dom\u00e9stica que continuamos a registar e das mortes conhecidas que da\u00ed resultam, \u00e9 evidente que o quadro legal n\u00e3o foi suficiente, as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o funcionaram pelo menos na necess\u00e1ria forma articulada, os conhecimentos e a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o produziram a indispens\u00e1vel altera\u00e7\u00e3o de comportamentos nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais.<\/p>\n<p>O tempo em que vivemos \u00e9 complexo e contradit\u00f3rio.<\/p>\n<p>Desde logo, o princ\u00edpio estruturante da igualdade \u00e9 contraditado por uma sociedade ela pr\u00f3pria profundamente desigual e discriminat\u00f3ria entre os seus cidad\u00e3os, nas oportunidades, nos rendimentos, nas obriga\u00e7\u00f5es e responsabilidades, nas estruturas e nos comportamentos, e de forma particular, desigual no reconhecimento das mulheres como a sua metade igual. E a desigualdade \u00e9 em si mesma violenta e geradora de viol\u00eancia, sendo a viol\u00eancia uma forma das formas mais gravosas de discrimina\u00e7\u00e3o que as mulheres sofrem pelo simples facto de serem mulheres.<\/p>\n<p>O \u201cMundo Plano\u201d em que tudo \u00e9 globalizado, conhecido, onde nos deixamos comover pelas grandes trag\u00e9dias e somos compelidos, envolvidos (mesmo que s\u00f3 momentaneamente) em grandes causas, fica, no entanto, indiferente ao sofrimento que \u00e9 pr\u00f3ximo, olha para o lado, fecha a porta. A v\u00edtima, o seu sofrimento, incomodam. E o inc\u00f3modo e a indiferen\u00e7a redundam em prote\u00e7\u00e3o do agressor, reduzindo-lhe a culpa, quase que a eliminando, e sendo c\u00famplice com a sua a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 quadros legais perfeitos e as leis carecem sempre de ser melhoradas, mas t\u00eam que ser cumpridas. N\u00e3o h\u00e1 pol\u00edticas p\u00fablicas suficientemente abrangentes, mas as que est\u00e3o definidas t\u00eam que ser executadas e consolidadas. N\u00e3o h\u00e1 sistemas completos,&nbsp;&nbsp; mas os que existem t\u00eam que funcionar de forma articulada e consistente. N\u00e3o h\u00e1 responsabilidades exclusivas, mas responsabilidades partilhadas por todos os decisores numa imensa hierarquia das estruturas de interven\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m, na viv\u00eancia concreta do dia-a-dia, responsabilidades partilhadas por todos n\u00f3s, cidad\u00e3os conscientes da sua perten\u00e7a coletiva.<\/p>\n<p>N\u00e3o pode neste contexto deixar de se lembrar o papel especial que cabe \u00e0 Igreja como instrumento atento e ativo na preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e na prote\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>O Papa Francisco em diversas interven\u00e7\u00f5es tem chamado a aten\u00e7\u00e3o para esta nossa humanidade que perdeu a capacidade de amar, que \u00e9 indiferente. \u00c9 tempo de ativamente recuperar compet\u00eancias de rela\u00e7\u00e3o, de empatia, sem as quais nenhum tecido social subsiste e se desenvolve em paz e com justi\u00e7a. Educar, formar, olhar e atender, prevenir e agir. Sempre. De forma convicta, concertada, persistente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>13 de fevereiro de 2019<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VIOL\u00caNCIA DOM\u00c9STICA Nota da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz Mais uma vez a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz junta a sua voz \u00e0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":622,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[30],"tags":[],"class_list":["post-623","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-notas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/623","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=623"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/623\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/622"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}