{"id":646,"date":"2019-10-03T13:15:49","date_gmt":"2019-10-03T13:15:49","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/conferencia-um-planeta-doente-uma-economia-que-mata-reflexao-e-propostas\/"},"modified":"2019-10-03T13:15:49","modified_gmt":"2019-10-03T13:15:49","slug":"conferencia-um-planeta-doente-uma-economia-que-mata-reflexao-e-propostas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/conferencia-um-planeta-doente-uma-economia-que-mata-reflexao-e-propostas\/","title":{"rendered":"Confer\u00eancia \u00abUm planeta doente-Uma economia que mata\u00bb, Reflex\u00e3o e Propostas"},"content":{"rendered":"<div>&nbsp;<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-645\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Cartaz-Um-Planeta-Doente.webp\" alt=\"Cartaz Um Planeta Doente\" width=\"350\" height=\"495\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Cartaz-Um-Planeta-Doente.webp 794w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Cartaz-Um-Planeta-Doente-326x460.webp 326w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Cartaz-Um-Planeta-Doente-725x1024.webp 725w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Cartaz-Um-Planeta-Doente-768x1085.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/div>\n<div><strong style=\"color: #1c3f94; font-size: 14.3px;\">Reflex\u00e3o&nbsp;<\/strong><\/div>\n<div>\n<p><strong>I-Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criada \u201ca fim de desenvolver o estudo, a reflex\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o em favor do bem integral da pessoa humana\u201d a Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz da Diocese de Coimbra (CDJP) tem no seu horizonte o pronunciamento p\u00fablico sobre \u201cas alegrias e esperan\u00e7as, dores e ang\u00fastias\u201d que vivem os homens nossos concidad\u00e3os. Em raz\u00e3o das grandes mudan\u00e7as que est\u00e3o a acontecer no mundo, da reflex\u00e3o interna da CDJP sobre as mesmas e da frescura introduzida no discurso pelo Papa Francisco, vimos propor a presente reflex\u00e3o, que se inscreve historicamente na linha de duas outras mensagens desta Comiss\u00e3o, j\u00e1 de h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s &#8211; \u201cTrabalho digno para todos\u201d (dezembro 2013) e \u201cEsperan\u00e7a e Crit\u00e9rios de Vida\u201d (junho, 2010),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma reflex\u00e3o que partilhamos com todas as pessoas, cidad\u00e3os e cidad\u00e3s co-construtores connosco da \u2018cidade\u2019 e do \u2018tempo\u2019 que vivemos. Mas \u00e9 uma reflex\u00e3o nascida no seio de uma comiss\u00e3o com uma especificidade eclesial, inserida numa Igreja concreta, a Igreja Diocesana de Coimbra e, portanto, uma reflex\u00e3o informada e comprometida com a vis\u00e3o desta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Noutros espa\u00e7os, e com a parceria de muitos outros organismos e institui\u00e7\u00f5es, temos apresentado ou reproposto uma reflex\u00e3o sobre diferentes circunst\u00e2ncias mais particulares e, em certo sentido, mais pr\u00f3ximas.<a title=\"\" name=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><\/a>[1] Queremos com esta <em>Mensagem<\/em>, diferentemente, olhar mais largo e mais longe, percecionar o mundo como um todo, para tomar consci\u00eancia de quanto lhe pertencemos, de quanto o influenciamos e de quanto o que nele ocorre nos afeta tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, naturalmente, uma reflex\u00e3o \u00e9tica. S\u00e3o hoje muitas as vozes \u2013 entre as quais e com particular acuidade a do Papa Francisco \u2013 a sublinharem a necessidade desta reflex\u00e3o, na convic\u00e7\u00e3o crescente de que a t\u00e9cnica separada da \u00e9tica corre o risco de se virar contra o pr\u00f3prio homem.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De entre os fatores que hoje dominam as preocupa\u00e7\u00f5es da humanidade, a Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz da Diocese de Coimbra tem vindo a refletir dois em particular: a altera\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e degrada\u00e7\u00e3o ambiental; e o trabalho humano. Tem-no feito nas suas reuni\u00f5es, nos col\u00f3quios que promove, na presen\u00e7a p\u00fablica consigo conotada (como as cr\u00f3nicas escritas na imprensa regional). \u00c9 um pouco dessa reflex\u00e3o que agora partilhamos aqui.&nbsp; Gostar\u00edamos que a mesma pudesse ajudar a questionar-nos nos nossos modelos de vida, a \u201cconverter-nos\u201d \u00e0s <em>\u2018mudan\u00e7as necess\u00e1rias e nalguns casos urgentes\u2019<\/em>, a revestir-nos um pouco mais daquela esperan\u00e7a libertadora que se alimenta da leitura atenta dos \u201csinais dos tempos\u201d, na certeza da f\u00e9 de que Deus constr\u00f3i a Hist\u00f3ria connosco!<\/p>\n<p><strong>II \u2013 O FUTURO, HOJE<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Projetar-se no futuro \u00e9, verdadeiramente, o distintivo humano; n\u00e3o s\u00f3 nem principalmente a capacidade de prever acontecimentos, mas sim a absoluta necessidade de os sonhar e de participar hoje, ativamente, na sua constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como distintivo humano, o projetar-se no futuro vincula tanto as pessoas individualmente, como as sociedades. E traduz-se cultural, e religiosamente, na virtude da esperan\u00e7a. Continua v\u00e1lida para hoje, e para todos os povos, a no\u00e7\u00e3o que j\u00e1 o povo b\u00edblico tinha de si pr\u00f3prio como \u2018<em>o povo que se alimenta da esperan\u00e7a\u2019<\/em>!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essa raz\u00e3o, tamb\u00e9m, quando o futuro \u00e9 visto como uma barreira de problemas superiores \u00e0 nossa capacidade para os resolver, ou como um mero diluir-se no nada, ou quando ainda simplesmente algu\u00e9m \u2013 pessoa ou comunidade \u2013 o nega, esta atitude reflui sobre o presente, criando ang\u00fastia e desespero, descomprometendo da transforma\u00e7\u00e3o humanizante da sociedade, criando obsess\u00f5es m\u00faltiplas que aprisionam o esp\u00edrito ao ef\u00e9mero (entre estas, o aprisionamento ao dinheiro).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta observa\u00e7\u00e3o que se refere \u00e0s pessoas e sociedades em geral, ganha particular densidade quando pensamos em termos da f\u00e9 crist\u00e3. Os crist\u00e3os &#8211; e a Igreja &#8211; s\u00e3o chamados a viver tamb\u00e9m \u00e0 imagem do modo como Jesus de Nazar\u00e9 viveu, como felizes anunciadores de um Reino sempre futuro e sempre transcendente, mas j\u00e1 gerado e em crescimento cont\u00ednuo na hist\u00f3ria. O crist\u00e3o dever\u00e1 ser um co-criador, assumindo a sua responsabilidade pela constru\u00e7\u00e3o do futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este futuro apareceu sempre a cada gera\u00e7\u00e3o com uma dupla face: a da amea\u00e7a; e a da possibilidade da liberta\u00e7\u00e3o. Assim o leem, por exemplo, a cada passo, os profetas b\u00edblicos. Nalgumas gera\u00e7\u00f5es, certamente, pesa mais a amea\u00e7a, noutras a liberta\u00e7\u00e3o. Na nossa gera\u00e7\u00e3o, os sinais apontam para a preval\u00eancia de uma vis\u00e3o amea\u00e7ante, percet\u00edvel tanto \u201c<em>nas ideias que andam no ar<\/em>\u201d ou nos gostos liter\u00e1rios e cinematogr\u00e1ficos, como nos f\u00f3runs cient\u00edficos ou nas cimeiras pol\u00edticas\u2026. A\u00ed encontramos, como amea\u00e7as, ainda e sempre a guerra e os diversos tipos de guerra (t\u00e9cnico-militar, comercial, financeira\u2026); a concentra\u00e7\u00e3o do poder e de poderes (pol\u00edtico, econ\u00f3mico, militar, tecnol\u00f3gico, inform\u00e1tico, cultural) na m\u00e3o de um pequen\u00edssimo grupo de pessoas; a muta\u00e7\u00e3o viral e a multirresist\u00eancia das bact\u00e9rias; poderes adversos, da tecnologia ou do espa\u00e7o, dominadores da esp\u00e9cie humana&#8230; Ou, a reforma na velhice, a seguran\u00e7a no emprego, a confian\u00e7a no sistema de sa\u00fade, a qualidade da carne que nos \u00e9 vendida\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta vis\u00e3o \u201camea\u00e7adora\u201d, n\u00e3o espanta que ganhem terreno os discursos pol\u00edticos centrados no fechamento, no rearmamento, no racismo, na xenofobia, na exclus\u00e3o do outro. Como sintetiza o Papa Francisco: <em>\u201cVivemos tempos em que parecem retomar vida e difundir-se sentimentos que muitos supunham superados. Sentimentos de suspeita, de temor, de desprezo e at\u00e9 de \u00f3dio em rela\u00e7\u00e3o a indiv\u00edduos ou grupos julgados diversos devido \u00e0 sua perten\u00e7a \u00e9tnica, nacional ou religiosa e, enquanto tal, considerados n\u00e3o suficientemente dignos de participar de modo pleno na vida da sociedade<\/em>\u201d (A<em>os participantes na Confer\u00eancia Mundial sobre o tema &#8220;Xenofobia, Racismo e Nacionalismo populista, no contexto das Migra\u00e7\u00f5es Mundiais &#8220;, 20 de setembro de 2018).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recusamos esse discurso. Porque reprova no exame hist\u00f3rico (com os seus milh\u00f5es de mortos no s\u00e9c. XX, para n\u00e3o ir mais longe), porque viola a liberdade e a possibilidade de rela\u00e7\u00f5es cordiais inerentes \u00e0 dignidade humana, porque fere os Direitos Humanos tal como s\u00e3o enunciados e reconhecidos pela comunidade internacional, porque rompe, \u00e0 luz da f\u00e9 que professamos, a fraternidade humana, fundada na comum identidade de cada pessoa como imagem de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contra esta amea\u00e7a, a nossa vis\u00e3o \u00e9 de esperan\u00e7a. Em todo o caso, a esperan\u00e7a nunca \u00e9 uma atitude passiva, de mera espera, expetativa ou acaso, mas uma virtude ativa que prepara a realiza\u00e7\u00e3o do bem desejado. E quanto maior a amea\u00e7a que pesa sobre esse bem, tanto mais urge que a esperan\u00e7a se fa\u00e7a do imperativo de sonhar o futuro, refleti-lo com os saberes dispon\u00edveis, influenci\u00e1-lo com as capacidades poss\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Temos \u00e0 nossa frente a tarefa de \u00abmudar o modelo de desenvolvimento global\u00bb (Laudato Si\u2019.<\/em>, 194), <em>abrindo um novo di\u00e1logo sobre o futuro do nosso planeta (ibid., 14). Possam os vossos debates e o vosso compromisso dar o fruto de contribuir para uma transforma\u00e7\u00e3o profunda a todos os n\u00edveis das nossas sociedades contempor\u00e2neas: indiv\u00edduos, empresas, institui\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas. Mesmo se esta tarefa pode atemorizar-nos, encorajo-vos a n\u00e3o perder a esperan\u00e7a, pois esta esperan\u00e7a baseia-se no amor misericordioso do Pai celeste<\/em>\u201d. (<em>Papa Francisco, aos participantes na Confer\u00eancia internacional promovida pela Funda\u00e7\u00e3o Centesimus Annus &#8211; Pro Pontifice, 8 de junho de 2019<\/em>)<\/p>\n<p><strong>III \u2013 MUDAN\u00c7A CLIM\u00c1TICA E DEGRADA\u00c7\u00c3O AMBIENTAL<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 cada vez maior a consci\u00eancia do comum dos cidad\u00e3os para os riscos que nascem do desrespeito pela Casa Comum que \u00e9 a Terra. Seja qual for o \u00e2mbito f\u00edsico ou geogr\u00e1fico em que nos coloquemos, os sinais de mudan\u00e7a clim\u00e1tica e degrada\u00e7\u00e3o ambiental aparecem-nos cada vez mais evidentes e confrontam-nos com uma realidade que, at\u00e9 h\u00e1 algum tempo, era encarada como uma mera divaga\u00e7\u00e3o abstrata, fruto da especula\u00e7\u00e3o de alguns cientistas ou do fundamentalismo de ecologistas. Hoje, a mesma realidade entra no nosso dia-a-dia e interpela-nos para o futuro que nos espera pois que, como refere o Papa Francisco na enc\u00edclica <em>Laudato Si\u2019,<\/em> \u201c<em>As previs\u00f5es catastr\u00f3ficas j\u00e1 n\u00e3o se podem olhar com desprezo e ironia. O ritmo de consumo, desperd\u00edcio e altera\u00e7\u00e3o do meio ambiente superou de tal maneira as possibilidades do planeta, que o estilo de vida atual \u2013 por ser insustent\u00e1vel \u2013 s\u00f3 pode desembocar em cat\u00e1strofes, como ali\u00e1s j\u00e1 est\u00e1 a acontecer periodicamente em v\u00e1rias regi\u00f5es\u201d <\/em>(cf LS 161)<em>.&nbsp;<\/em>Para Ant\u00f3nio Guterres<em>,<\/em> Secret\u00e1rio-geral da ONU, tudo indica que as coisas est\u00e3o piores do que o que se pensava e que a realidade do mundo \u00e9 pior do que as piores previs\u00f5es feitas. J\u00e1 nem as metas sobre as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas definidas no Acordo de Paris ser\u00e3o suficientes, mas se nem ao menos essas forem cumpridas, <em>\u201cchegaremos ao final do s\u00e9culo com mais tr\u00eas graus, o que \u00e9 uma cat\u00e1strofe absoluta&#8221;,<\/em> salienta o mesmo Secret\u00e1rio-Geral.<em><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As altera\u00e7\u00f5es do clima e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental n\u00e3o est\u00e3o isoladas do homem e das sociedades humanas. S\u00e3o, pelo menos em grande medida, consequ\u00eancia de escolhas e comportamentos humanos individuais, coletivos e pol\u00edticos, e refletem-se depois sobre as pr\u00f3prias pessoas e sobre as sociedades, atingindo mais violentamente as pessoas mais vulner\u00e1veis: <em>\u201cO ambiente humano e o ambiente natural est\u00e3o a deteriorar-se conjuntamente, e esta deteriora\u00e7\u00e3o do planeta pesa sobre as pessoas mais vulner\u00e1veis. O impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas repercute-se, antes de mais nada, sobre aqueles que vivem pobremente em cada \u00e2ngulo do globo. O dever que temos de usar responsavelmente dos bens da terra implica o reconhecimento e o respeito por cada pessoa e por todas as criaturas vivas. O apelo e o desafio urgentes a cuidar da cria\u00e7\u00e3o constituem um convite a toda a humanidade para trabalhar por um desenvolvimento sustent\u00e1vel e integral<\/em> (mensagem conjunta do Papa Francisco e do Patriarca Ecum\u00e9nico Bartolomeu no dia mundial de ora\u00e7\u00e3o pela cria\u00e7\u00e3o, 1 de setembro de 2017<em>)<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em paralelo, coloca tamb\u00e9m em maior risco as gera\u00e7\u00f5es futuras: \u201c<em>Existe o perigo real de deixar \u00e0s gera\u00e7\u00f5es vindouras escombros, desertos e imund\u00edcie<\/em>\u201d, alerta o Papa Francisco, com base na elabora\u00e7\u00e3o de \u201cavalia\u00e7\u00f5es cada vez mais exatas\u201d da comunidade cient\u00edfica, nas \u00faltimas d\u00e9cadas (cf. <em>Confer\u00eancia internacional por ocasi\u00e3o do 3\u00ba anivers\u00e1rio da enc\u00edclica &#8220;Laudato si'&#8221;, 6 de julho de 2018)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u00faltima an\u00e1lise falamos de solidariedade entre todos os seres humanos e no respeito pela Terra e na solidariedade geracional, convocados pelo bem comum. Como refere o Papa Francisco na <em>Laudato Si\u2019, <\/em>a ecologia integral \u00e9 insepar\u00e1vel da no\u00e7\u00e3o de \u2018bem comum\u2019, express\u00e3o que aparece 29 vezes na enc\u00edclica! E deve ser entendida de modo concreto: o compromisso pelo bem comum implica escolhas solid\u00e1rias com base na op\u00e7\u00e3o preferencial pelos mais pobres e, simultaneamente, aponta no legado dum mundo sustent\u00e1vel \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras: \u201c<em>Nas condi\u00e7\u00f5es atuais da sociedade mundial, onde h\u00e1 tantas desigualdades e s\u00e3o cada vez mais numerosas as pessoas descartadas, privadas dos direitos humanos fundamentais, o princ\u00edpio do bem comum torna-se imediatamente, como consequ\u00eancia l\u00f3gica e inevit\u00e1vel, um apelo \u00e0 solidariedade e uma op\u00e7\u00e3o preferencial pelos mais pobres\u201d. (LS, 158); \u201cA no\u00e7\u00e3o de bem comum engloba tamb\u00e9m as gera\u00e7\u00f5es futuras\u201d.<\/em> (LS, 159).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, o mundo gira entre dois movimentos: o da conscientiza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, alargada e progressiva, por um lado, e o da resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a, por outro lado, como apresenta e exemplifica ainda o Papa Francisco: \u201c<em>Nos quatro anos da publica\u00e7\u00e3o da Enc\u00edclica [Laudato Si\u2019] houve certamente sinais de um aumento da sensibiliza\u00e7\u00e3o acerca da necessidade de cuidar da nossa casa comum. Penso na ado\u00e7\u00e3o, por parte de muitas na\u00e7\u00f5es, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas; no crescente investimento em recursos de energia renov\u00e1vel e sustent\u00e1vel; em novos m\u00e9todos de efici\u00eancia energ\u00e9tica; e numa maior sensibilidade, sobretudo entre os jovens, no respeitante aos temas ecol\u00f3gicos. Ao mesmo tempo, permanecem ainda um grande n\u00famero de desafios e de problemas, por exemplo, o progresso na consecu\u00e7\u00e3o dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel foi, em diversos casos, lento ou at\u00e9 inexistente; ou, infelizmente, retrocedeu. O uso impr\u00f3prio dos recursos naturais e os modelos de desenvolvimento n\u00e3o inclusivos e sustent\u00e1veis continuam a ter efeitos negativos sobre a pobreza, sobre o crescimento e a justi\u00e7a social<\/em>\u201d. (<em>Papa Francisco, aos participantes na Confer\u00eancia internacional promovida pela Funda\u00e7\u00e3o Centesimus Annus &#8211; Pro Pontifice, 8 de junho de 2019<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>As diretrizes para a solu\u00e7\u00e3o dos m\u00faltiplos problemas relacionados com o ambiente &#8211; \u00abrela\u00e7\u00e3o entre a natureza e a sociedade que a habita\u00bb &#8211; requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos exclu\u00eddos e, simultaneamente, cuidar da natureza\u201d<\/em> (cf LS, 139).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa, por isso, que se avolume a consci\u00eancia do comum dos cidad\u00e3os, tome for\u00e7a e se organize \u00e0 escala regional, e global, pressionando institui\u00e7\u00f5es e governos. Tal press\u00e3o \u00e9 tanto mais urgente quanto \u00e9 certo que, n\u00e3o obstante os acordos celebrados at\u00e9 ao momento, nenhuma das grandes economias procedeu efetivamente a uma altera\u00e7\u00e3o significativa de comportamentos.<\/p>\n<p>Na consci\u00eancia de que todas as op\u00e7\u00f5es contam [e tamb\u00e9m a aus\u00eancia das mesmas] e todas refluem mutuamente umas sobre as outras, salientamos 5 campos de trabalho priorit\u00e1rio:<\/p>\n<ol>\n<li><strong><em>Culturalmente<\/em><\/strong>. Continuar a criar, aumentar e consolidar uma cultura ecol\u00f3gica integral, que compreenda como um todo o respeito pela cria\u00e7\u00e3o, pela humanidade, pelas popula\u00e7\u00f5es mais pobres e pelas gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Eticamente<\/em><\/strong>. Assumir comportamentos respons\u00e1veis, fraternais, solid\u00e1rios, de redu\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria dos consumos excessivos e de redistribui\u00e7\u00e3o dos recursos globais, mantendo ao mesmo tempo a press\u00e3o sobre governos, institui\u00e7\u00f5es e empresas para que promovam ao seu n\u00edvel as a\u00e7\u00f5es exig\u00edveis. O progresso t\u00e9cnico deve servir mais, e melhor, o desenvolvimento integral das pessoas e das sociedades. O seu principal objetivo deve ser a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades humanas e n\u00e3o o aumento da produ\u00e7\u00e3o por si mesma.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Tecnicamente.<\/em><\/strong> Assumir a s\u00e9rio as m\u00faltiplas perspetivas de interven\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas concretas que t\u00eam sido levantadas, n\u00e3o excluindo nenhuma <em>a priori<\/em>, sem fundamentada raz\u00e3o \u00e9tica ou cient\u00edfica. Entre estas, aparecem como mais relevantes: a concita\u00e7\u00e3o de governos, ind\u00fastria e organiza\u00e7\u00f5es internacionais para o uso da energia e fontes da mesma; aumentar as pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia energ\u00e9tica; importa proteger e preservar o mundo natural na sua plena diversidade biol\u00f3gica e gen\u00e9tica, na certeza de que sem a preserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas n\u00e3o existe futuro poss\u00edvel. A introdu\u00e7\u00e3o de qualquer nova tecnologia dever\u00e1 assentar numa pondera\u00e7\u00e3o custo-beneficio do ponto de vista ambiental e social.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Politicamente.<\/em><\/strong> \u00c9 imperioso construir uma nova economia social que rompa com os mecanismos de cria\u00e7\u00e3o de desigualdade do nosso atual modelo econ\u00f3mico e de desenvolvimento, <a title=\"\" name=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\"><\/a>[2]Na mesma linha, \u00e9 essencial realizar reformas importantes dos atuais organismos que regem o com\u00e9rcio e as finan\u00e7as internacionais, como a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio, o Banco Mundial e o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, que s\u00e3o hoje atores importantes na manuten\u00e7\u00e3o de uma economia global insustent\u00e1vel.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deve ser exigido que os governos cumpram os compromissos assumidos internacionalmente. Na aus\u00eancia de outros instrumentos, a ado\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio do poluidor pagador \u00e0 escala universal poder\u00e1 ser um instrumento fulcral na procura duma gest\u00e3o racional e equilibrada dos recursos. Devem ser exigidas pol\u00edticas internas de defesa do meio ambiente e promo\u00e7\u00e3o de comportamentos saud\u00e1veis. Importa, tamb\u00e9m, valorizar e proporcionar condi\u00e7\u00f5es de vida digna \u00e0s comunidades rurais e, no caso de Portugal, do \u201cinterior\u201d.<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Pessoalmente e nas nossas pequenas comunidades de perten\u00e7a<\/em><\/strong>. Op\u00e7\u00e3o por modelos de vida de consumo respons\u00e1vel. Ado\u00e7\u00e3o de comportamentos de redu\u00e7\u00e3o, reciclagem e reutiliza\u00e7\u00e3o. Uso reduzido ou nulo de produtos potencialmente t\u00f3xicos do ambiente (ex., pl\u00e1stico). Como diz o Santo Padre, \u201ccada fiel crist\u00e3o, cada membro da fam\u00edlia humana pode contribuir para tecer, como um fio subtil, mas \u00fanico e indispens\u00e1vel, a&nbsp;<em>rede da vida<\/em>&nbsp;que a todos abra\u00e7a. Sintamo-nos implicados e respons\u00e1veis por tomar a peito, com a ora\u00e7\u00e3o e o compromisso, o cuidado da cria\u00e7\u00e3o\u201d. (Mensagem para o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelo Cuidado da Cria\u00e7\u00e3o, 1 de setembro de 2019).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensando particularmente nos crist\u00e3os e nas comunidades crist\u00e3s, relembramos as tr\u00eas palavras-atitudes \u201cpragm\u00e1ticas\u201d propostas pelo Papa Francisco (Mensagem ao II F\u00f3rum das Comunidades Laudato Si\u2019, 6 de julho de 2019):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>A primeira palavra \u00e9&nbsp;<strong>doxologia<\/strong><\/em> &#8211; Diante do bem da cria\u00e7\u00e3o e sobretudo face ao bem do homem, que \u00e9 o \u00e1pice da cria\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m o guardi\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio adotar uma atitude de louvor. Diante de tal beleza, de renovada maravilha, de olhos infantis, devemos ser capazes de apreciar a beleza que nos circunda e com a qual tamb\u00e9m o homem foi criado. O louvor \u00e9 fruto da contempla\u00e7\u00e3o, a contempla\u00e7\u00e3o e o louvor levam ao respeito, o respeito torna-se quase venera\u00e7\u00e3o diante dos bens da cria\u00e7\u00e3o e do seu Criador.<\/p>\n<p><em>A segunda palavra \u00e9&nbsp;<strong>Eucaristia<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atitude eucar\u00edstica em rela\u00e7\u00e3o ao mundo e aos seus habitantes sabe captar o estatuto de dom que cada pessoa carrega dentro de si. Tudo nos \u00e9 dado gratuitamente, n\u00e3o para ser depredado nem destru\u00eddo, mas para se tornar, por sua vez, um dom a partilhar, um dom a doar para que a alegria seja para todos e, por conseguinte, maior.<\/p>\n<p><em>A terceira palavra \u00e9&nbsp;<strong>ascese<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qualquer forma de respeito vem de uma atitude asc\u00e9tica, isto \u00e9, da capacidade de saber renunciar a algo por um bem maior, pelo bem dos outros. A ascese ajuda-nos a converter a atitude predat\u00f3ria, sempre em emboscada, em partilha, em rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, respeitadoras e educadas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Terminamos esta breve reflex\u00e3o recordando as palavras agora proferidas no S\u00ednodo da Amaz\u00f3nia \u201c<em>A quest\u00e3o ecol\u00f3gica n\u00e3o diz respeito apenas aos ambientalistas e \u00e0s ONG, mas envolve todos: cada homem deve sentir-se respons\u00e1vel pelo futuro do planeta. Os homens n\u00e3o s\u00e3o os donos da natureza. Pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o chamados a ser &#8220;os guardi\u00e3es da Cria\u00e7\u00e3o&#8221; e a defender este dom de Deus. \u00c9 preciso aprender a respeitar a Casa comum<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz de Coimbra<\/p>\n<div><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" name=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\"><\/a>[1] Recordamos, por exemplo, os recentes col\u00f3quios sobre as pris\u00f5es e sobre a justi\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a title=\"\" name=\"_ftn2\" href=\"#_ftnref2\"><\/a>2-Mais de 1,9 bilh\u00e3o de pessoas, ou 26,2% da popula\u00e7\u00e3o mundial, viviam com menos de US$ 3,20 por dia em 2015 e cerca de 46% da popula\u00e7\u00e3o mundial com menos de US$ 5,50 por dia.<sup><sup>[2]<\/sup><\/sup> Segundo a OXFAM<sup><sup>[2]<\/sup><\/sup> em 2018, os 26 mais ricos do mundo tinham em seu poder tantos recursos como os 3,8 mil milh\u00f5es de pessoas que fazem parte da metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o mundial. A falta de distribui\u00e7\u00e3o justa \u00e9 s\u00f3 a ponta do icebergue da desigualdade. Na verdade, \u00e9 insustent\u00e1vel um desequil\u00edbrio \u00e0 escala global que conduza a que, durante 2018, mais de&nbsp;dois mil milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo n\u00e3o tiveram um acesso regular a alimentos suficientes, seguros e nutritivos, ou seja,&nbsp;viveram numa situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar moderada ou grave.<sup><sup>[2]<\/sup><\/sup> No mesmo ano a fome atingiu&nbsp; 821,6 milh\u00f5es de pessoas dos quais cerca de 150 milh\u00f5es s\u00e3o crian\u00e7as com menos de cinco anos.&nbsp;<sup>(<\/sup> Comision General de Justicia y Paz Espanha \u201cCrisis medioambiental y crisis econ\u00f3mica\u201d em <a href=\"https:\/\/www.juspax-es.org\/products\/crisis-medioambiental-y-crisis-economica\/\">https:\/\/www.juspax-es.org\/products\/crisis-medioambiental-y-crisis-economica\/<\/a> e&nbsp; \u201cPor una reforma de sistema financero\u201d em <a href=\"https:\/\/www.juspax-es.org\/products\/por-una-reforma-del-sistema-financiero\/\">https:\/\/www.juspax-es.org\/products\/por-una-reforma-del-sistema-financiero\/<\/a>; Banco Mundial.; <a href=\"https:\/\/oxfamilibrary.openrepository.com\/bitstream\/handle\/10546\/620599\/bp-public-good-or-private-wealth-210119-en.pdf\" target=\"_blank\"><em>Public Good or Private Wealth<\/em><\/a>; Relat\u00f3rio coassinado pelo Programa Alimentar Mundial (PAM) e pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agr\u00edcola (IFAD) ),<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/div>\n<div>\n<h1 style=\"text-align: left;\"><strong>Propostas<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na efervesc\u00eancia dos dias que correm, \u00e9 cada vez maior aten\u00e7\u00e3o e a consci\u00eancia, assim se espera, da Humanidade sobre o estado do ambiente, a crise clim\u00e1tica e a necessidade de, com urg\u00eancia, enfrentar as suas consequ\u00eancias. Como afirmou o Secret\u00e1rio-Geral da ONU tudo indica que a realidade \u00e9 pior do que as piores previs\u00f5es feitas e as metas sobre as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas definidas no Acordo de Paris j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o suficientes. &#8220;Se forem cumpridas, chegaremos ao final do s\u00e9culo com mais tr\u00eas graus, o que \u00e9 uma cat\u00e1strofe absoluta&#8221;, salienta Ant\u00f3nio Guterres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m o Papa Francisco denunciou a situa\u00e7\u00e3o actual ao referir que \u201c<em>cri\u00e1mos uma emerg\u00eancia clim\u00e1tica, que amea\u00e7a gravemente a natureza e a vida, inclusive a nossa<\/em>\u201d e que, portanto, nos deve mobilizar para a imperiosa necessidade duma transforma\u00e7\u00e3o global orientada para uma ecologia integral ao servi\u00e7o do Homem, como j\u00e1 tinha expressado na Carta Enc\u00edclica LAUDATO SI\u2019, datada de 24 de maio de 2015, sobre \u201cO Cuidado da Causa Comum<a title=\"\" name=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><\/a><sup><sup>[1]<\/sup><\/sup>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carta que, ali\u00e1s, recorda as palavras e alertas do Papa Paulo VI no discurso \u00e0 FAO, no seu XXV anivers\u00e1rio (16 de Novembro de 1970), chamando a aten\u00e7\u00e3o para a \u201c<em>possibilidade duma \u00abcat\u00e1strofe ecol\u00f3gica sob o efeito da explos\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o industrial<\/em>\u00bb e \u00ab<em>necessidade urgente duma mudan\u00e7a radical no comportamento da humanidade<\/em>\u00bb, porque \u00ab<em>os progressos cient\u00edficos mais extraordin\u00e1rios, as inven\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas mais assombrosas, o desenvolvimento econ\u00f3mico mais prodigioso, se n\u00e3o estiverem unidos a um progresso social e moral, voltam-se necessariamente contra o homem<\/em>\u00bb \u201d;<\/p>\n<p>-A resolu\u00e7\u00e3o desta \u00abcrise ecol\u00f3gica e emerg\u00eancia clim\u00e1tica\u00bb \u00e9 essencial \u2013 importa sempre recordar &#8211; para assegurar a justi\u00e7a e a paz no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto e porque \u201c<em>nada deste mundo nos \u00e9 [pode ser] indiferente<\/em>\u201d que, no \u00e2mbito da prepara\u00e7\u00e3o e objectivos que se pretendem com este col\u00f3quio tendo por tema \u201c<em>Um Planeta Doente-Uma Economia que Mata<\/em>\u201d, os organizadores-Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz; Coimbra Business School\/ISCAC e ACEGE colocam \u00e0 discuss\u00e3o no espa\u00e7o p\u00fablico e na sociedade civil os seguintes pontos e propostas de\/para reflex\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">I-Elabora\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o duma <em>Lei-quadro de combate \u00e0 Altera\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica e Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica<\/em> que permitam <em>efectivar<\/em><a title=\"\" name=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\"><\/a><sup><sup>[2]<\/sup><\/sup> <em>medidas e politicas integradas<\/em> (e n\u00e3o meras boas inten\u00e7\u00f5es) e garantam medidas de adapta\u00e7\u00e3o, conserva\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de recursos (seja \u00e1 \u00e1gua, o solo, agricultura, energ\u00e9ticos n\u00e3o f\u00f3sseis \u2026) e adequado enquadramento social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">II-Necessidade duma urgente <em>implementa\u00e7\u00e3o<\/em> do de um <em>Plano Estrat\u00e9gico de Combate Desertifica\u00e7\u00e3o humana e f\u00edsica<\/em>, com relevo para a prevista pen\u00faria da \u00e1gua e a necessidade duma gest\u00e3o eficaz do sistema h\u00eddrico nacional (reconhecendo a \u00e1gua como um recurso e bem publico essencial \u00e0 vida e que exige o cuidado de todos) e protec\u00e7\u00e3o dos solos, coberto vegetal e ecossistemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">III- O que exige a <em>efectiva\u00e7\u00e3o de uma estrat\u00e9gia de fixa\u00e7\u00e3o de pessoas nas \u00e1reas de menor densidade<\/em> e mesmo a seu <em>reconhecimento como os primeiros agentes de protec\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o dos valores e patrim\u00f3nio natural<\/em> existente Considera-se relevante a necessidade duma <em>pol\u00edtica integrada de protec\u00e7\u00e3o do solo e gest\u00e3o sustentada, modernizada e eficaz da agricultura e da floresta<\/em>, privilegiando (prioritariamente) <em>as zonas mais desfavorecidas e desertificadas, f\u00edsica e humanamente<\/em>, assegurando um impacto positivo no ambiente; apoiar e executar um <em>plano de refloresta\u00e7\u00e3o que assegure o refor\u00e7o de \u00e1reas florestadas com esp\u00e9cies aut\u00f3ctones<\/em> (p.e. assumindo desde j\u00e1 o objectivo de plantar 10 \u00e1rvores aut\u00f3ctones por cada portugu\u00eas at\u00e9 2025.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IV- Promo\u00e7\u00e3o da \u201csa\u00fade\u201d do mar e dos rios com um <em>plano de protec\u00e7\u00e3o, limpeza e despolui\u00e7\u00e3o<\/em> adequado, eliminando descargas descontroladas e recolhendo os res\u00edduos e detritos acumulados, nomeadamente com origem no pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>V-Implementa\u00e7\u00e3o duma <em>economia circular<\/em> com vista \u00e0 adequada utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais locais e redu\u00e7\u00e3o ao m\u00ednimo os res\u00edduos n\u00e3o recicl\u00e1veis.<\/p>\n<p>VI- Real\u00e7a-se a <em>import\u00e2ncia de as medidas fiscais apoio que visam o incentivo \u00e0 efici\u00eancia energ\u00e9tica<\/em> <em>na edifica\u00e7\u00e3o<\/em> (formas passivas de conserva\u00e7\u00e3o de energia) e <em>reabilita\u00e7\u00e3o urbana<\/em>, bem como de planos de desenvolvimento e qualifica\u00e7\u00e3o urbana, fundados num <em>urbanismo de rosto humano<\/em>, que <em>introduzam objectivamente medidas e solu\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o adequada de recursos<\/em> (em particular \u00e1gua e solo) e <em>mobilidade sustentada<\/em>; bem como \u00e0 <em>transi\u00e7\u00e3o para sistemas de energia renov\u00e1vel de pequena escala<\/em>, focados localmente e ecologicamente sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>VII-Julga-se relevante a <em>promo\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico<\/em> e a <em>mobilidade suave<\/em> e a penaliza\u00e7\u00e3o do transporte motorizado privado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VIII &#8211;<em>Apoiar<\/em> (incluindo financeiramente) e <em>difundir projectos industriais que promovam a investiga\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas <\/em>de adapta\u00e7\u00e3o do sector aos desafios da digitaliza\u00e7\u00e3o da descarboniza\u00e7\u00e3o, da transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e da globaliza\u00e7\u00e3o<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IX- \u00c9 igualmente necess\u00e1ria a <em>cria\u00e7\u00e3o duma entidade capaz de cobrir eficazmente a integralidade do territ\u00f3rio do pa\u00eds<a title=\"\" name=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\"><\/a><sup><strong><sup>[3]<\/sup><\/strong><\/sup> e de cada regi\u00e3o<\/em>, dotada de <em>adequados recursos humanos e materiais<\/em>, altamente especializada, <em>vocacionada para a investiga\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o dos delitos e desperd\u00edcios ambientais<\/em> (incluindo energ\u00e9ticos), protegendo o solo, o ar e a \u00e1gua, tornando efectivo os princ\u00edpios do <em>utilizador-pagador<\/em> e do <em>poluidor-pagador<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">X- Salienta-se a import\u00e2ncia da inclus\u00e3o, em todas as escolas secund\u00e1rias, profissionais e superiores de \u201c<em>uma unidade curricular<\/em>\u201d obrigat\u00f3ria <em>dedicada \u00e0 emerg\u00eancia ambiental e \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/em>, ajudando a preparar cidad\u00e3os informados e quadros de todas as \u00e1reas do saber para dar uma resposta global a este desafio.<\/p>\n<p>Em <em>\u00faltima an\u00e1lise<\/em>,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as ideias e iniciativas s\u00e3o importantes desde que falem e se centrem na solidariedade entre todos os seres humanos e da responsabilidade geracional, convocados pelo bem comum e respeitando o planeta em que vivemos.<\/p>\n<p>Os desafios s\u00e3o conhecidos e exigem respostas e ac\u00e7\u00f5es imediatas.<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o desta \u00ab<em>crise ecol\u00f3gica e emerg\u00eancia clim\u00e1tica<\/em>\u00bb \u00e9 <em>essencial<\/em> \u2013 importa sempre recordar &#8211; para <em>assegurar a justi\u00e7a e a paz no mundo<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos n\u00f3s, cidad\u00e3os e comunidades, temos um papel fundamental a desempenhar, mas a situa\u00e7\u00e3o actual refor\u00e7a o sentir de que os nossos esfor\u00e7os s\u00f3 ser\u00e3o eficazes com uma mudan\u00e7a global sist\u00e9mica, apoiada por pol\u00edticas transformadoras globais, integradas e \u201c<em>orientada para uma ecologia integral ao servi\u00e7o do Homem<\/em>\u201d e aplicadas de forma persistente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na esteira da declara\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o Conjunta para a Cimeira de Altera\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica das Na\u00e7\u00f5es Unidas da CIDSE temos inteira consci\u00eancia de que 75% do esfor\u00e7o necess\u00e1rio para cumprir o Acordo de Paris adv\u00e9m da ac\u00e7\u00e3o dos governos e 25% de iniciativas individuais. Essa circunst\u00e2ncia deve-nos interpelar para o papel fundamental dos cidad\u00e3os e das comunidades, mas tamb\u00e9m da import\u00e2ncia da exig\u00eancia de ac\u00e7\u00e3o aos governantes. Importa que estes assumam as suas responsabilidades hist\u00f3ricas e, entre estas, \u00e9 fundamental que as emiss\u00f5es de carbono sejam reduzidas para, pelo menos 65% at\u00e9 2030, para permanecer no caminho do aumento da temperatura at\u00e9 1,5\u00b0.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como refere aquela Declara\u00e7\u00e3o n\u00e3o basta organizar uma Cimeira, fazer alguns apelos e reconhecer a emerg\u00eancia, enquanto pouco se faz para resolv\u00ea-la. O compromisso real \u00e9 demonstrado, pela nossa ac\u00e7\u00e3o pessoal e colectiva concreta e pelas metas pol\u00edticas, financeiras e pela implementa\u00e7\u00e3o de medidas de emiss\u00f5es reduzidas.<\/p>\n<p>A real integridade \u00e9 demonstrada na coer\u00eancia na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas socialmente justas, requisito b\u00e1sico para alcan\u00e7ar os objectivos necess\u00e1rios e a paz.<\/p>\n<p>O dever moral de agir \u00e9 sem precedentes.<\/p>\n<p align=\"center\"> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz de Coimbra&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Coimbra Business School\/ ISCAC<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Empres\u00e1rios e Gestores<\/p>\n<div><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" name=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\"><\/a>[1] \u201cA nossa casa comum se pode comparar ora a uma irm\u00e3, com quem partilhamos a exist\u00eancia, ora a uma boa m\u00e3e, que nos acolhe nos seus bra\u00e7os\u201d, como S\u00e3o Francisco de Assis no in\u00edcio do s\u00e9culo XIII se referia num gracioso c\u00e2ntico.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" name=\"_ftn2\" href=\"#_ftnref2\"><\/a>[2]&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o essencial a nosso ver \u00e9 efectivar e medidas e pol\u00edticas, sem preju\u00edzo de se conhecerem e referir os Programas mais recentes, como se refere abaixo (entre outras). Exigem-se ac\u00e7\u00f5es integradas, horizontais e menos sectoriais.<\/p>\n<p>Na verdade, n\u00e3o ser\u00e1 por falta de diagn\u00f3stico e identifica\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rio e medidas. A quest\u00e3o est\u00e1 mesmo na forma de decis\u00e3o e concretiza\u00e7\u00e3o, nos meios de regula\u00e7\u00e3o, t\u00e9cnicos e de investimento dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Agenda 2030.<\/p>\n<p>A RCM 130\/2019 aprova o Programa de Ac\u00e7\u00e3o para a Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas (P-3AC) com objectivos de curto e m\u00e9dio prazo para 2020 e 2030,resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Ministros n.\u00ba 37\/2012,; Estrat\u00e9gia Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas (ENAAC), aprovada pela Resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Ministros n.\u00ba 24\/2010, de 1 de Abril, sustentada nos primeiros estudos sobre esta mat\u00e9ria em Portugal (projectos SIAM I e SIAM II) posteriormente revista pela Resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Ministros n.\u00ba 56\/2015, de 30 de Julho, que aprovou a ENAAC 2020,<\/p>\n<p>O Fundo Ambiental criado pelo Decreto-Lei n.\u00ba 42-A\/2016 de 12 de agosto (que sucede e procede \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do Fundo Portugu\u00eas de Carbono, do Fundo de Interven\u00e7\u00e3o Ambiental, do Fundo de Protec\u00e7\u00e3o dos Recursos H\u00eddricos e do Fundo para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e da Biodiversidade, criados pelo Decreto-Lei n.\u00ba 71\/2006, de 24 de Mar\u00e7o, pelo artigo 69.\u00ba da Lei n.\u00ba 50\/2006, de 29 de agosto, pelo Decreto-Lei n.\u00ba 172\/2009, de 3 de agosto, e pelo Decreto-Lei n.\u00ba 171\/2009, de 3 de agosto, respectivamente).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" name=\"_ftn3\" href=\"#_ftnref3\"><\/a>[3] Defende-se que os seus servi\u00e7os centrais se devam localizar fora das \u00e1reas metropolitanas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Reflex\u00e3o&nbsp; I-Introdu\u00e7\u00e3o Criada \u201ca fim de desenvolver o estudo, a reflex\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o em favor do bem integral da pessoa humana\u201d [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":645,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[],"class_list":["post-646","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-iniciativas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/646","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=646"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/646\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/645"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=646"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=646"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=646"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}