{"id":660,"date":"2019-12-08T21:43:42","date_gmt":"2019-12-08T21:43:42","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/comissao-justica-e-paz-de-evora-o-despovoamento-e-a-migracao-no-alentejo\/"},"modified":"2019-12-08T21:43:42","modified_gmt":"2019-12-08T21:43:42","slug":"comissao-justica-e-paz-de-evora-o-despovoamento-e-a-migracao-no-alentejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/comissao-justica-e-paz-de-evora-o-despovoamento-e-a-migracao-no-alentejo\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz de \u00c9vora &#8211; O despovoamento e a migra\u00e7\u00e3o no Alentejo"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-659\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/CDJP-Evora.webp\" width=\"350\" height=\"232\" alt=\"CDJP \u00c9vora\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/CDJP-Evora.webp 499w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/CDJP-Evora-400x265.webp 400w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: justify;\"><strong>COMISS\u00c3O JUSTI\u00c7A E PAZ DA ARQUIDIOCESE DE \u00c9VORA <br \/> PREOCUPADA COM O DESPOVOAMENTO E A MIGRA\u00c7\u00c3O NO ALENTEJO<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: justify;\">Sua Exa. Rev.\u00aa Dom Francisco Jos\u00e9 Villas-Boas Senra de Faria Coelho, Arcebispo de \u00c9vora, por sua provis\u00e3o de 29 de junho de 2019, nomeou a Comiss\u00e3o Arquidiocesana Justi\u00e7a e Paz, constitu\u00edda por quatro personalidades da regi\u00e3o, sob a assist\u00eancia espiritual do C\u00f3nego Silvestre Marques.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nomea\u00e7\u00e3o desta comiss\u00e3o tem como objetivo principal assessorar e aconselhar o Arcebispo de \u00c9vora, sobre assuntos relacionados com a justi\u00e7a e a paz que ocorram fundamentalmente dentro da \u00e1rea geogr\u00e1fica correspondente \u00e0 arquidiocese. Neste \u00e2mbito caber\u00e3o certamente as problem\u00e1ticas mais graves e atuais, que a todos nos assolam, devendo ser analisadas de forma profunda e consistente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dando corpo ao fundamento da cria\u00e7\u00e3o desta comiss\u00e3o, a mesma j\u00e1 reuniu por duas vezes, para refletir, entre outras coisas, sobre a problem\u00e1tica do despovoamento no Alentejo e ao surgimento, cada vez mais evidente, de migrantes na regi\u00e3o. S\u00f3 acompanhando de perto estes fen\u00f3menos ser\u00e1 poss\u00edvel perceber o que a Igreja pode eventualmente vir a fazer no futuro.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que ao despovoamento diz respeito, foi analisado o enquadramento sociocultural, econ\u00f3mico, educacional, infraestrutural, pol\u00edtico e religioso, no passado e na atualidade, tendo em vista identificar as raz\u00f5es pelas quais as pessoas sa\u00edram e saem da regi\u00e3o. Neste dom\u00ednio, identificou-se que no passado, o \u00eaxodo da popula\u00e7\u00e3o deveu-se sobretudo \u00e0 busca de melhores sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es sociais, atendendo ao <em>boom<\/em> da ind\u00fastria, do com\u00e9rcio e dos servi\u00e7os nas grandes cidades situadas geograficamente no litoral do pa\u00eds. Paralela e cumulativamente, tamb\u00e9m se verificou um forte \u00edndice de emigra\u00e7\u00e3o, na perspetiva de busca de uma melhor expetativa de vida e estabilidade familiar. Pelas carater\u00edsticas patentes da sociedade vigente e nos padr\u00f5es de vida atual, dificilmente a popula\u00e7\u00e3o voltar\u00e1 do litoral para o Alentejo, apesar das evidentes altera\u00e7\u00f5es de qualidade de vida que foram alcan\u00e7adas nas \u00faltimas d\u00e9cadas na regi\u00e3o Alentejana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">Relativamente \u00e0 migra\u00e7\u00e3o, constata-se que o Alentejo est\u00e1 a ser um dos seus grandes recetores, n\u00e3o s\u00f3 a n\u00edvel sazonal, mas tamb\u00e9m a t\u00edtulo permanente, sobretudo para trabalhos relacionados com a agricultura (com \u00eanfase na fruticultura, na floricultura e na pecu\u00e1ria). A migra\u00e7\u00e3o em causa \u00e9 fundamentalmente proveniente do Brasil, dos pa\u00edses de Leste (Rom\u00e9nia, Mold\u00e1via, Ucr\u00e2nia, etc.) e da \u00c1sia (India, Paquist\u00e3o, Nepal, etc.) em que estes \u00faltimos, al\u00e9m dos problemas da l\u00edngua, t\u00eam um conjunto de rituais e formas de vida (mais coletivo que individual \u2013 tamb\u00e9m por raz\u00f5es monet\u00e1rias) a que devemos estar atentos. Infelizmente, em muitos destes casos, suspeita-se a exist\u00eancia de tr\u00e1fico de pessoas com explora\u00e7\u00e3o das mesmas, quer por m\u00e1fias dos seus pa\u00edses de origem, quer pelas entidades empregadoras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em s\u00famula, as carater\u00edsticas da sociedade atual, designadamente quanto \u00e0 sua forma de ser e de estar a t\u00edtulo individual e coletivo, a realidade da nossa distribui\u00e7\u00e3o administrativa, a oferta que nos \u00e9 proporcionada e a idiossincrasia espec\u00edfica vivida na regi\u00e3o do Alentejo, s\u00e3o fatores julgados imut\u00e1veis que lan\u00e7am desafios aos diferentes decisores de organismos\/institui\u00e7\u00f5es do Estado no sentido de, com criatividade, pensarem em novas abordagens que permitam, em tempo, inverter o <em>status quo<\/em> da atualidade no que respeita \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o humana. Independentemente das pol\u00edticas e dos incentivos que vierem a ser criados, dificilmente se reverter\u00e1 o despovoamento que se verifica na atualidade e, as antigas e atuais gera\u00e7\u00f5es de cidad\u00e3os nacionais, dificilmente voltar\u00e3o em massa \u00e0s suas origens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Neste contexto, resta-nos pouco mais que acolher e integrar, da melhor forma poss\u00edvel, os migrantes que escolhem o Alentejo para viver e trabalhar. Neste particular, a Igreja pode ser um parceiro privilegiado neste acolhimento, atrav\u00e9s dum acompanhamento pr\u00f3ximo da realidade laboral e social, ajudando, dentro da sua esfera de influ\u00eancia local\/regional, a uma melhor integra\u00e7\u00e3o, principalmente atrav\u00e9s da proje\u00e7\u00e3o da visibilidade da sua realidade. A desmitifica\u00e7\u00e3o de alguns tabus relacionados com outras religi\u00f5es, a ajuda na aprendizagem da l\u00edngua portuguesa, o apoio escolar e sanit\u00e1rio, o dar a conhecer os nossos costumes e rituais e o apoio ao conhecimento de direitos dos migrantes s\u00e3o tarefas que podem fazer a diferen\u00e7a na reten\u00e7\u00e3o de pessoas na nossa regi\u00e3o e que o seu acolhimento seja o mais caloroso, humano e fraterno poss\u00edvel. Sabemos que destas quest\u00f5es se tem vindo a ocupar o Departamento de ac\u00e7\u00e3o socio-caritativa da Diocese, nomeadamente, atrav\u00e9s da C\u00e1ritas. E, confiamos, que, agora em articula\u00e7\u00e3o com a CJP da Diocese, se ir\u00e1 continuar esse trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;Como reflex\u00e3o final deixamos o repto de, numa primeira abordagem, denunciar\/expor situa\u00e7\u00f5es an\u00f3malas e n\u00e3o compagin\u00e1veis com os princ\u00edpios e os valores da Igreja Cat\u00f3lica e da boa conviv\u00eancia entre pessoas (independentemente da sua ra\u00e7a, g\u00e9nero, religi\u00e3o), propor medidas, que venham a criar um normal e r\u00e1pido processo de integra\u00e7\u00e3o, passando necessariamente pela agiliza\u00e7\u00e3o dos procedimentos e, dentro do poss\u00edvel, exercer press\u00e3o junto de entidades\/individualidades que tenham\/possam influenciar a decis\u00e3o ao mais alto n\u00edvel do Estado e das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas com responsabilidades nestes dom\u00ednios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>COMISS\u00c3O JUSTI\u00c7A E PAZ DA ARQUIDIOCESE DE \u00c9VORA PREOCUPADA COM O DESPOVOAMENTO E A MIGRA\u00c7\u00c3O NO ALENTEJO Sua Exa. 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