{"id":672,"date":"2020-02-26T17:38:24","date_gmt":"2020-02-26T17:38:24","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/caminhar-no-deserto-reflexao-quaresmal-de-2020-da-cnjp\/"},"modified":"2020-02-26T17:38:24","modified_gmt":"2020-02-26T17:38:24","slug":"caminhar-no-deserto-reflexao-quaresmal-de-2020-da-cnjp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/caminhar-no-deserto-reflexao-quaresmal-de-2020-da-cnjp\/","title":{"rendered":"CAMINHAR NO DESERTO Reflex\u00e3o Quaresmal de 2020  da CNJP"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-671\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Quaresma-capa-site.webp\" width=\"450\" height=\"447\" alt=\"Quaresma capa site\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Quaresma-capa-site.webp 1022w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Quaresma-capa-site-400x398.webp 400w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Quaresma-capa-site-150x150.webp 150w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Quaresma-capa-site-768x763.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco convida-nos a viver mais uma vez a Quaresma como \u201cum tempo prop\u00edcio para nos prepararmos para celebrar, de cora\u00e7\u00e3o renovado, o grande Mist\u00e9rio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, fundamento da vida crist\u00e3 pessoal e comunit\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste tempo santo a Comiss\u00e3o Nacional de Justi\u00e7a e Paz (CNJP) convida todos os crist\u00e3os e pessoas de boa vontade a que nos deixemos \u201cconduzir como Israel ao deserto (cf. <em>Os <\/em>2, 16)\u201d.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O Papa Francisco convida-nos a viver mais uma vez a Quaresma como \u201cum tempo prop\u00edcio para nos prepararmos para celebrar, de cora\u00e7\u00e3o renovado, o grande Mist\u00e9rio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, fundamento da vida crist\u00e3 pessoal e comunit\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Neste tempo santo a Comiss\u00e3o Nacional de Justi\u00e7a e Paz (CNJP) convida todos os crist\u00e3os e pessoas de boa vontade a que nos deixemos \u201cconduzir como Israel ao deserto (cf.&nbsp;<em>Os&nbsp;<\/em>2, 16)\u201d.<\/p>\n<p>O conhecido poema de Sophia de Mello Breyner lembra-nos que \u00e9 preciso atravessar o deserto:<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Para Atravessar Contigo o Deserto do Mundo<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">Para atravessar contigo o deserto do mundo<br \/> Para enfrentarmos juntos o terror da morte<br \/> Para ver a verdade para perder o medo<br \/> Ao lado dos teus passos caminhei<\/p>\n<p> Por ti deixei meu reino meu segredo<br \/> Minha r\u00e1pida noite meu sil\u00eancio<br \/> Minha p\u00e9rola redonda e seu oriente<br \/> Meu espelho minha vida minha imagem<br \/> E abandonei os jardins do para\u00edso<\/p>\n<p> C\u00e1 fora \u00e0 luz sem v\u00e9u do dia duro<br \/> Sem os espelhos vi que estava nua<br \/> E ao descampado se chamava tempo<\/p>\n<p> Por isso com teus gestos me vestiste<br \/> E aprendi a viver em pleno vento<\/p>\n<p> <em>(Sophia de Mello Breyner Andresen, in &#8216;Livro Sexto&#8217;)<a title=\"\" name=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><\/a><strong>[1]<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O mundo \u00e9 um deserto que queremos atravessar para podermos, como afirma Sophia, \u201cviver em pleno vento\u201d, transcendendo-nos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo viveu 40 dias no deserto. Passou fome, sede, solid\u00e3o. Permitiu que o esp\u00edrito do Mal o tentasse e, atravessando o deserto, fez face \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o. Deixemo-nos converter nesta Quaresma. Na sua etimologia a&nbsp;convers\u00e3o (do latim&nbsp;<em>conversio<\/em>) significa &nbsp;sofrer uma mudan\u00e7a, ser alvo de transforma\u00e7\u00e3o, de uma altera\u00e7\u00e3o de vida, seguindo o caminho oposto \u00e0quele que segu\u00edamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que fa\u00e7amos tal processo temos de ter consci\u00eancia do nosso pecado e da tenta\u00e7\u00e3o a que somos sujeitos no deserto, tal como Cristo foi tentado. Sejamos humildes e reconhe\u00e7amo-nos pecadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Cristo somos tentados, mas ao jeito de Cristo podemos fazer face \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o, mudando o nosso percurso de vida e transformando-nos numa pessoa melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que fa\u00e7amos tal processo temos de ter consci\u00eancia do nosso pecado e da tenta\u00e7\u00e3o a que somos sujeitos no deserto, tal como Cristo foi tentado. Sejamos humildes e reconhe\u00e7amo-nos pecadores.<\/p>\n<ol>\n<li><strong><\/strong><strong>A tenta\u00e7\u00e3o de acumular coisas<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deparamo-nos no dia a dia com o apelo ao consumo desenfreado, trope\u00e7amos na depend\u00eancia de comprar coisas e objetos para fazer face aos vazios da nossa alma. Experimentamos a fome de acumular coisas. De um modo determinista ciclicamente sentiremos de novo a mesma fome&#8230; como num eterno retorno, um ciclo destrutivo sem fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas essa \u201cfome\u201d pode ser vencida pela confian\u00e7a na Palavra de Deus, Ele prover\u00e1 o alimento na hora certa, da forma certa, sem inverter a realidade das coisas com os valores inerentes a ela: &nbsp;\u201cn\u00e3o vos preocupeis&#8230; olhai os l\u00edrios do campo&#8230; as aves do c\u00e9u&#8230; a cada dia basta seu mal; o amanh\u00e3 cuidar\u00e1 de si mesmo\u201d (Mt 26, 26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em contraponto \u00e0 fome de ter, em jeito de transforma\u00e7\u00e3o escolhamos uma frugalidade de vida: vivamos com menos e sejamos muito; tenhamos consci\u00eancia de que os recursos do planeta s\u00e3o limitados, portanto h\u00e1 que usar responsavelmente aquilo que nos foi dado; fa\u00e7amos face \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas atrav\u00e9s do compromisso com uma vida mais simples, reduzida ao essencial, em que deixar de \u201cter\u201d se pode transformar numa forma de \u201cser\u201d mais e melhor. Escolhamos o \u201cdecrescimento\u201d como forma de fazer face ao crescimento desenfreado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enumeremos aquilo de que podemos prescindir na consci\u00eancia de que h\u00e1 muitos que n\u00e3o possuem nada. Ultrapassemos um cuidado excessivo do corpo e da sa\u00fade, das dietas de \u00faltima moda, para pensar em tantos que passam fome e que n\u00e3o t\u00eam o essencial para viver. Exercitemos a pr\u00e1tica do jejum em contraponto a verdadeiras \u201corgias\u201d na forma como lidamos com os alimentos, com os objetos, com a palavra (e o maldizer), com aquilo que consumimos (por exemplo o abuso dos telem\u00f3veis e das redes sociais). Carlos Maria Antunes<a title=\"\" name=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\"><\/a>[2] convida-nos a \u201ccomer com a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as [o] que implica uma atitude de venera\u00e7\u00e3o perante o alimento (&#8230;). Comer \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o (&#8230;). A refei\u00e7\u00e3o pode ser um tempo lento e um cuidado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sejamos contidos, resistamos \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o do imediato, ao gesto compulsivo. Ultrapassemos a necessidade de satisfa\u00e7\u00e3o imediata do desejo, ultrapassemos este imediato: como podemos, na&nbsp; educa\u00e7\u00e3o das nossas crian\u00e7as fomentar o seu sentido de generosidade respons\u00e1vel, de consci\u00eancia de que n\u00e3o s\u00e3o o centro do mundo, de constru\u00e7\u00e3o de uma cidadania? Comecemos n\u00f3s, adultos, a lhes dar o exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reencontremos o verdadeiro sentido do sacrif\u00edcio:&nbsp; o ato de abrir m\u00e3o de uma coisa por outra. A palavra latina era composta por SARCER, \u201csagrado\u201d e FACERE, \u201cfazer\u201d. Numa tradu\u00e7\u00e3o literal, SACRIFICIUS seria \u201ctornar um ato sagrado\u201d. Que os nossos atos, nesta quaresma, se tornem, assim, sagrados.<\/p>\n<p><strong>2. <\/strong><strong>A tenta\u00e7\u00e3o do poder<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda tenta\u00e7\u00e3o, o dem\u00f3nio oferece a Jesus poder e gl\u00f3ria sobre o mundo&nbsp;<em>se<\/em>&nbsp;Ele o adorar.&nbsp;Que sentido temos de \u201cpoder\u201d? Que \u00e9 para n\u00f3s a \u201cgl\u00f3ria\u201d? Vivemos num tempo em que nos confrontamos de uma forma opressiva com a nossa imagem. Usamos de forma pervertida os meios de comunica\u00e7\u00e3o social para sublinhar essa imagem. No <em>facebook<\/em> ou noutras redes sociais alimentamos narcisisticamente o nosso \u201ceu\u201d. Tem valor apenas o que \u201caparece\u201d no seu momento de gl\u00f3ria que, frequentemente \u00e9 transmitido pelos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social: \u201co que sentiu?\u201d \u201co que viu? Confrontamo-nos com o narcisismo do \u201ceu\u201d enquanto centro do mundo. E somos t\u00e3o pequenos se nos cingirmos a essa imagem sup\u00e9rflua e superficial&#8230; Mas o que \u00e9 a imagem sen\u00e3o o espelho da alma?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afirma Sophia: \u201cC\u00e1 fora \u00e0 luz sem v\u00e9u do dia duro\/Sem os espelhos vi que estava nua\/E ao descampado se chamava tempo\u201d. Sim, estamos nus perante Deus, despidos dos nossos espelhos, das nossas imagens. Nu, face a Pilatos, Cristo afirma: \u201cO meu reino n\u00e3o \u00e9 deste mundo\u201d. Onde est\u00e1 o nosso reino?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos tentados pelo \u201cpoder\u201d que, em si, \u00e9 bom se for poder para servir. Mas \u00e9 perversa a assun\u00e7\u00e3o que o poder apenas existe em proveito pr\u00f3prio. Pretendemos ser reis absolutos mas a necessidade de ver tudo e todos a circular em torno de n\u00f3s torna-nos escravos. Tudo se reduz \u00e0 nossa ambi\u00e7\u00e3o e interesse pr\u00f3prio, numa narc\u00edsica autocomplac\u00eancia, num estatuto que \u00e9 apenas vazio. Ajoelhamo-nos face ao poder como se este sagrado fosse. Entendemos o poder como um jogo entre os poderosos \u2013 veja-se o perigo do confronto entre os Estados Unidos e o Ir\u00e3o. O tr\u00e1fico de armamento enquanto poder que suscita a guerra. Vivemos no medo. Onde est\u00e1 a ousadia dos filhos e filhas de Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o poder como servi\u00e7o? O poder que deve \u201ccircular de m\u00e3o em m\u00e3o\u201d (Michel Foucault); o poder enquanto possibilidade de entregar poder aos outros, despertar neles o seu pr\u00f3prio poder (\u201cempoderamento\u201d), a responsabilidade pelas pr\u00f3prias vidas e das dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para nos tornarmos senhores de n\u00f3s pr\u00f3prios, para nos libertarmos, para que me torne \u201csenhor de mim mesmo\u201d, despojemo-nos daquilo que \u00e9 acess\u00f3rio e nos limita, disfrutemos a liberdade dos filhos de Deus: saboreemos a leveza da liberdade. Mas agarremos com as duas m\u00e3os o poder que temos e usemo-lo para transformar o mundo e a vida. Descubramo-nos irm\u00e3os do outro e n\u00e3o queiramos submeter o outro aos nossos caprichos e necessidades. N\u00e3o nos deixemos corromper, uma tenta\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sempre \u00e0 nossa porta, mesmo na pol\u00edtica, no mundo empresarial ou dos neg\u00f3cios. Afirma Sophia: \u201cpor ti deixei meu reino meu segredo\u201d.<\/p>\n<p><strong>3.<\/strong> <strong>A tenta\u00e7\u00e3o da riqueza<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francisco fala-nos da \u201csede desenfreada de lucro, que \u00e9 uma forma de idolatria\u201d, sobre \u201c a acumula\u00e7\u00e3o que corre o risco de embrutecer [o ser humano], fechado no seu ego\u00edsmo\u201d. Deixamo-nos corromper frequentemente para conseguir maior riqueza. Em Portugal abundam os casos de corrup\u00e7\u00e3o a tantos n\u00edveis, da pequena \u00e0 grande corrup\u00e7\u00e3o. Adoramos o \u201cbezerro de ouro\u201d e esquecemos que somos filhos de Deus \u00e0 imagem de Jesus Cristo. Ajoelhamo-nos face ao dinheiro, essa grande tenta\u00e7\u00e3o? Que dizemos da fuga desenfreada aos impostos que s\u00e3o apenas o dinheiro que pomos em comum para as nossas necessidades coletivas? Fugir aos impostos \u00e9 claramente uma omiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta \u201ccaminhada pelo deserto\u201d Deus prop\u00f5e-nos a partilha dos bens com os mais necessitados, o trabalho de combater estruturas que mant\u00eam uma quantidade significativa das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. Portugal \u00e9 um dos pa\u00edses europeus onde existe maior discrep\u00e2ncia entre os mais ricos e os mais pobres (10% dos mais ricos ganha 9 vezes mais que 10% dos mais pobres), o \u00edndice de pobreza atingiu 17,3% do total da popula\u00e7\u00e3o. O dinheiro deve circular, sen\u00e3o queima as nossas m\u00e3os. O dinheiro tem que necessariamente ser partilhado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francisco fala-nos de \u201cuma economia que mata\u201d e pede uma reflex\u00e3o sobre \u201cas dimens\u00f5es estruturais da economia\u201d. Durante a Quaresma, entre 26 e 28 de mar\u00e7o, decorrer\u00e1 em Assis um encontro de jovens para tra\u00e7ar as&nbsp; linhas de uma verdadeira &#8220;economia de comunh\u00e3o em contraponto \u00e0 economia do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que \u00e9 ent\u00e3o a caridade, a esmola, a partilha? Queremos, como o jovem rico, recusarmo-nos a dar aquilo que temos aos pobres? Queremos voltar as costas a quem mais precisa? Ignor\u00e1-los na nossa cegueira?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fala-se no pecado da \u201comiss\u00e3o\u201d enquanto aus\u00eancia cuidado e aten\u00e7\u00e3o aos outros, enquanto passividade e in\u00e9rcia face \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o que nos envolvem. Cobardemente \u201clavamos as nossas m\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p><strong>4. Para ultrapassar o deserto de n\u00f3s mesmos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste tempo de Quaresma &nbsp;ajoelhemos perante Deus.&nbsp; Cultivemos a bondade e a compaix\u00e3o em contraponto \u00e0 sede de poder em proveito pr\u00f3prio. Encontremos o verdadeiro sentido de amar os inimigos. Deus ama tamb\u00e9m os seus inimigos (cf. <em>Mt <\/em>5, 43-48). Como podemos desejar o bem e o bom a quem nos faz mal? Como oferecer a outra face sem nos negarmos a n\u00f3s mesmos, na convic\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 uma consequ\u00eancia para os atos que praticamos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francisco fala do \u201camor de Deus, que sempre nos precede e sustenta\u201d. Fazemos de Deus o centro das nossas vidas? O nosso sustento? Abrimo-nos \u00e0 salva\u00e7\u00e3o neste tempo quaresmal? Francisco convida-nos: \u201cDeixa-te salvar sempre de novo\u201d. Sejamos \u201csal da terra e luz do mundo\u201d (cf. <em>Mt <\/em>5, 13-14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao jeito da samaritana, tenhamos sede da \u00e1gua que nos salva: &nbsp;\u201cQuem beber desta \u00e1gua tornar\u00e1 a ter sede; mas aquele que beber da \u00e1gua que eu lhe der nunca ter\u00e1 sede, porque a \u00e1gua que eu lhe der se far\u00e1 nele uma fonte de \u00e1gua que jorre para a vida eterna\u201d (Jo 4,13-14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro do <em>Petit Prince<\/em> Saint Exup\u00e9ry afirma que o deserto esconde um po\u00e7o de \u00e1gua: \u201cLevantei o balde para os seus l\u00e1bios. Ele bebeu. De olhos fechados. Era doce como uma festa. Esta \u00e1gua era bem mais do que um simples alimento. Ela nascera da caminhada sob as estrelas, do canto da roldana, do esfor\u00e7o dos meus bra\u00e7os. Ela era boa para o cora\u00e7\u00e3o, como se fosse um presente. (&#8230;) a \u00e1gua que me deste a beber era como uma m\u00fasica, por causa da roldana e da corda&#8230;lembras-te?&#8230; era boa\u201d. A \u00e1gua que brota porque atravessamos o deserto e contemplamos as estrelas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na caminhada pelo deserto desta Quaresma, procuremos o po\u00e7o da \u201c\u00e1gua viva\u201d, desejemos a \u00e1gua que Cristo nos oferece, a \u00e1gua que sacia, que nos oferece a vida eterna. Ajoelhemo-nos perante a \u00e1gua que jorra do deserto. E caminhemos para a Luz \u201cvivendo em pleno vento\u201d.<\/p>\n<p>Lisboa, 26 de fevereiro de 2020<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n<div><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" name=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\"><\/a>[1] Sophia de Mello Breyner foi membro da 1\u00aa Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" name=\"_ftn2\" href=\"#_ftnref2\"><\/a>[2] <em>S\u00f3 o Pobre se Faz P\u00e3o<\/em>. Paulinas, 2013<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O Papa Francisco convida-nos a viver mais uma vez a Quaresma como \u201cum tempo prop\u00edcio para nos prepararmos para celebrar, de cora\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":671,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[],"class_list":["post-672","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reflexoes"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/672","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=672"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/672\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/671"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=672"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=672"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=672"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}