{"id":686,"date":"2020-07-27T09:35:16","date_gmt":"2020-07-27T09:35:16","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/a-pandemia-e-os-mais-velhos-nota-da-comissao-nacional-justica-e-paz\/"},"modified":"2020-07-27T09:35:16","modified_gmt":"2020-07-27T09:35:16","slug":"a-pandemia-e-os-mais-velhos-nota-da-comissao-nacional-justica-e-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/a-pandemia-e-os-mais-velhos-nota-da-comissao-nacional-justica-e-paz\/","title":{"rendered":"A PANDEMIA E OS MAIS VELHOS  Nota da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz"},"content":{"rendered":"<h1 align=\"center\"><strong><br \/><\/strong><\/h1>\n<h1 align=\"center\"><strong>&nbsp;<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-685\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Pandemis-Idosos-foto-VF.webp\" width=\"350\" height=\"230\" alt=\"Pandemis Idosos - foto VF\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Pandemis-Idosos-foto-VF.webp 664w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Pandemis-Idosos-foto-VF-400x263.webp 400w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/strong><\/h1>\n<p><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<h1 align=\"center\"><strong>A PANDEMIA E OS MAIS VELHOS<\/strong><\/h1>\n<h1 align=\"center\"><strong><em>Nota da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/em><\/strong><\/h1>\n<p><strong><em><br \/><\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em><br \/><\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>Enganam-se os que pensam que s\u00f3 nascemos uma vez.<br \/><\/em><em>Para quem quiser ver a vida est\u00e1 cheia de nascimentos.<br \/><\/em><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p><em>Nascemos muitas vezes naquela idade<br \/><\/em><em>onde os trabalhos n\u00e3o cessam, <br \/>mas reconciliam-se<\/em><em>com la\u00e7os interiores e caminhos adiados.<br \/><\/em><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p><em>Nascemos nos gestos ou para l\u00e1 dos gestos.<br \/><\/em><em>Nascemos dentro de n\u00f3s e no cora\u00e7\u00e3o de Deus.<br \/><\/em><em>O que Jesus nos diz \u00e9:<br \/><\/em><em>&#8220;Tamb\u00e9m tu podes nascer&#8221;,<br \/><\/em><em>pois n\u00f3s nascemos, nascemos, nascemos.<\/em><\/p>\n<p>(Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falar em \u201cnascer\u201d quando falamos dos mais velhos parece contradi\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o \u00e9. Ser mais velho \u00e9 nascer outra vez, n\u00e3o parar de nascer porque \u201ca vida est\u00e1 cheia de nascimentos\u201d. Ser mais velho \u00e9 viver o tempo \u201cem que os trabalhos se reconciliam\u201d. Infelizmente a sociedade utilitarista em que vivemos n\u00e3o o permite. Trata-se da \u201ccultura do descarte\u201d a que se tem referido o Papa Francisco in\u00fameras vezes. Assim, a CNJP n\u00e3o pode, em tempos de pandemia, deixar de chamar a aten\u00e7\u00e3o para a forma como estamos a tratar os mais velhos. Trata-se de uma quest\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 recente, mas que se tornou p\u00fablica.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o os mais velhos as principais v\u00edtimas da COVID 19 e esse facto veio trazer ao de cima um problema existente&#8230;&nbsp; nomeadamente aqueles que est\u00e3o \u201dconfinados\u201d em lares, impedidos, face aos riscos de contamina\u00e7\u00e3o, de receber visitas dos seus familiares. Ainda mais s\u00f3s, portanto. Mas tamb\u00e9m todos os outros que subitamente, quase que em sobressalto, passaram a fazer parte desta enorme categoria sanit\u00e1ria\/sociol\u00f3gica de grupo de risco. Subitamente bloqueados, pelo dever de prote\u00e7\u00e3o, neste gigantesco bloco catalogado de quase intoc\u00e1veis.<\/p>\n<p>Estes tempos alertam-nos para o facto de termos de refletir seriamente sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida e de participa\u00e7\u00e3o dos mais velhos. Sobre o que \u00e9 ser \u201cmais velho\u201d. &nbsp;Os velhos n\u00e3o s\u00e3o para \u201cdeitar fora\u201d porque j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o \u00fateis na denominada vida ativa. Os velhos \u201cnascem dentro de si e no cora\u00e7\u00e3o de Deus\u201d. Os mandamentos alertam-nos para que devemos \u201chonrar pai e m\u00e3e\u201d, temos o dever de prote\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que os honramos remetendo-os a dep\u00f3sitos onde n\u00e3o h\u00e1 conviv\u00eancia entre gera\u00e7\u00f5es, onde deixam de poder ser ativos, meros \u201cutentes\u201d de institui\u00e7\u00f5es? Ser\u00e1 que os honramos colocando-os num grupo artificialmente homog\u00e9neo dos que \u201cchegaram ao fim da vida\u201d e j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam forma de participar e contribuir para o bem estar da sociedade a que pertencem?&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mais recente classifica\u00e7\u00e3o et\u00e1ria da OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) apresenta uma nova abordagem \u00e0 3\u00aa idade: Considera a fase dos 66-79 como \u201cmeia idade\u201d, os idosos s\u00e3o aqueles que se situam entre 80 e os 99, e os \u201cidosos de longa vida\u201d s\u00e3o os que ultrapassam a meta dos 100 anos. Esta classifica\u00e7\u00e3o demonstra-nos que a referida \u201cmeia idade\u201d \u00e9 uma idade bem ativa e que, infelizmente, tem sido ignorada. Muitas pessoas desta idade continuam ativas nos diversos sectores da sociedade (que lhes s\u00e3o consentidos), nomeadamente em importantes atividades de voluntariado; tantas fazem trabalho invis\u00edvel (de que \u00e9 exemplo os cuidados que prestam a familiares), mas a tantas \u00e9 negada a possibilidade de continuar a participar ativamente na sociedade; ningu\u00e9m pode ser \u201cdesperdi\u00e7ado\u201d. Todos s\u00e3o fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e inclusiva. \u00c9 urgente pensarmos nesta ordem de quest\u00f5es e encontrar alternativas. Para que um dia o nosso cora\u00e7\u00e3o culpabilizado n\u00e3o se sobressalte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqueles que se situam entre os 80 e 99 anos e, mesmo acima dos 100 anos, os realmente \u201cidosos\u201d, t\u00eam o direito de levar um fim de vida feliz e em plenitude sem se sentirem culpabilizados por dar trabalho \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais novas. Mas todos, estes e os da \u201cmeia idade\u201d, s\u00e3o cidad\u00e3os de pleno direito, com direitos e com deveres, com responsabilidades na constru\u00e7\u00e3o da casa comum. Este papel, n\u00e3o pode nem deve ser retirado, sob pena de ficarmos coletivamente mais pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos de pensar em alternativas e j\u00e1 h\u00e1 conhecimento de experi\u00eancias bem interessantes que v\u00e3o sendo postas em pr\u00e1tica um pouco por todo o mundo. Solu\u00e7\u00f5es mais humanizadas de combate ao isolamento que, numa perspetiva inter-geracional,&nbsp; permitem que jovens estudantes, a troco de alojamento, acompanhem os mais velhos que assim permanecem na sua casa; ou constru\u00e7\u00e3o de unidades residenciais aut\u00f3nomas, onde as comuns atividades do quotidiano s\u00e3o garantidas: alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, lazer, etc. Solu\u00e7\u00f5es mais integradoras na vida ativa, pela diversifica\u00e7\u00e3o de postos de trabalho e de novas \u00e1reas e perfis funcionais, pelo desdobramento de hor\u00e1rios de trabalho. Os mais velhos s\u00e3o muito diversos e as pol\u00edticas p\u00fablicas t\u00eam que o contemplar. Desde a&nbsp; garantia de um n\u00famero suficiente de unidades de cuidados continuados e paliativos que garantam um final de vida digno para os mais velhos, a reformas\/pens\u00f5es suficientes e justas que permitam autonomia de vida, a modelos concretos organizativos que possibilitem a sua participa\u00e7\u00e3o ativa . \u00c9 preciso pensar noutros termos&nbsp; de forma a n\u00e3o excluir os mais velhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estejamos atentos aos mais velhos e digamos, ao jeito de Jesus: \u201ctamb\u00e9m tu podes nascer\u201d. S\u00e3o cidad\u00e3os de parte inteira como n\u00f3s. T\u00eam o direito a ter voz e a dizer-nos como querem viver os \u00faltimos anos da sua vida. A eles devemos quem somos hoje. Deixemos que eles nos digam: \u201cN\u00f3s nascemos, nascemos, nascemos\u201d. E respondamos a esta sua interpela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lisboa, 27 de julho de 2020<br \/> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A PANDEMIA E OS MAIS VELHOS Nota da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz &nbsp; &nbsp; Enganam-se os que pensam que s\u00f3 nascemos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":685,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[30],"tags":[],"class_list":["post-686","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-notas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=686"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/686\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/685"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}