{"id":813,"date":"2023-03-13T14:22:24","date_gmt":"2023-03-13T14:22:24","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/caminhar-juntos-na-escuta-a-jesus-reflexao-da-cnjp-para-a-quaresma-de-2023\/"},"modified":"2023-03-13T14:22:24","modified_gmt":"2023-03-13T14:22:24","slug":"caminhar-juntos-na-escuta-a-jesus-reflexao-da-cnjp-para-a-quaresma-de-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/caminhar-juntos-na-escuta-a-jesus-reflexao-da-cnjp-para-a-quaresma-de-2023\/","title":{"rendered":"CAMINHAR JUNTOS NA ESCUTA A JESUS  Reflex\u00e3o da CNJP  para a Quaresma de 2023"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp;<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-811\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Reflexao-Quaresmal-CNJP-2023.webp\" alt=\"Reflex\u00e3o Quaresmal CNJP 2023\" width=\"450\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Reflexao-Quaresmal-CNJP-2023.webp 960w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Reflexao-Quaresmal-CNJP-2023-400x300.webp 400w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Reflexao-Quaresmal-CNJP-2023-768x576.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/>&nbsp;<strong style=\"color: #1c3f94; font-size: 14.3px;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/strong><\/p>\n<h1 align=\"center\"><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Reflexao-CNJP-Quaresma-2023.pdf\" target=\"_self\"><strong>CAMINHAR JUNTOS NA ESCUTA A JESUS<\/strong><\/a><\/h1>\n<h1 align=\"center\"><a href=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Reflexao-CNJP-Quaresma-2023.pdf\" target=\"_self\">Reflex\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz&nbsp;para a Quaresma de 2023<\/a><\/h1>\n<p>O papa Francisco convoca-nos para uma caminhada quaresmal que define de <em>Ascese e itiner\u00e1rio sinodal<\/em>.<\/p>\n<p>\u00c9 o desafio de, no meio da cultura individualista onde medramos, entrarmos na realidade sinodal que nos coloca num processo verdadeiramente relacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se lermos a narra\u00e7\u00e3o da Transfigura\u00e7\u00e3o nos tr\u00eas Evangelhos sin\u00f3ticos, podemos ver que a Transfigura\u00e7\u00e3o \u00e9 precedida do di\u00e1logo de Jesus com os disc\u00edpulos onde, sem rodeios, Ele lhes diz quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es, nada meigas, para O seguir e o que Lhe vai acontecer. E Pedro at\u00e9 o repreende, talvez cheio de confian\u00e7a depois da resposta que tinha dado a Jesus dizendo \u00ab<em>Tu \u00e9s o Messias, o Filho de Deus vivo<\/em>\u00bb. Mas Jesus n\u00e3o se deixa levar por amiguismos e responde: \u00ab<em>Afasta-te Satan\u00e1s!<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Mas com a sua pedagogia, seis dias depois, Jesus toma Pedro, Tiago e Jo\u00e3o leva-os ao monte Tabor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus sabe qu\u00e3o facilmente somos senhores das certezas e da verdade, mas n\u00e3o desiste e prop\u00f5e uma experi\u00eancia: subir com Ele ao monte. Um momento especial, mas n\u00e3o o faz individualmente e, por isso, Jesus levou tr\u00eas consigo. \u00c9 o desafio da ascese e da sinodalidade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O papa Francisco convoca-nos para uma caminhada quaresmal que define de&nbsp;<em>Ascese e itiner\u00e1rio sinodal<\/em>.<\/p>\n<p>\u00c9 o desafio de, no meio da cultura individualista onde medramos, entrarmos na realidade sinodal que nos coloca num processo verdadeiramente relacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se lermos a narra\u00e7\u00e3o da Transfigura\u00e7\u00e3o nos tr\u00eas Evangelhos sin\u00f3ticos, podemos ver que a Transfigura\u00e7\u00e3o \u00e9 precedida do di\u00e1logo de Jesus com os disc\u00edpulos onde, sem rodeios, Ele lhes diz quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es, nada meigas, para O seguir e o que Lhe vai acontecer. E Pedro at\u00e9 o repreende, talvez cheio de confian\u00e7a depois da resposta que tinha dado a Jesus dizendo \u00ab<em>Tu \u00e9s o Messias, o Filho de Deus vivo<\/em>\u00bb. Mas Jesus n\u00e3o se deixa levar por amiguismos e responde: \u00ab<em>Afasta-te Satan\u00e1s!<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Mas com a sua pedagogia, seis dias depois, Jesus toma Pedro, Tiago e Jo\u00e3o leva-os ao monte Tabor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus sabe qu\u00e3o facilmente somos senhores das certezas e da verdade, mas n\u00e3o desiste e prop\u00f5e uma experi\u00eancia: subir com Ele ao monte. Um momento especial, mas n\u00e3o o faz individualmente e, por isso, Jesus levou tr\u00eas consigo. \u00c9 o desafio da ascese e da sinodalidade.<\/p>\n<p>Afasta-te Satan\u00e1s! \u2013 disse Jesus \u00e0 interpela\u00e7\u00e3o t\u00e3o humanamente correta de Pedro.<\/p>\n<p>Quantas respostas damos humanamente corretas, l\u00f3gicas e at\u00e9 cheias de bondade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio de Jesus \u00e9 vermos mais al\u00e9m. \u00c9 subirmos, com Ele, a um \u00ab<em>alto monte<\/em>\u00bb, o que implica um esfor\u00e7o, o nosso contributo. E o resto \u00e9 gra\u00e7a de Deus, \u00e9 a Sua presen\u00e7a. Tamb\u00e9m n\u00f3s estamos diante do convite \u00e0 subida, a \u00ab<em>seguir Jesus pelo caminho da cruz<\/em>\u00bb. \u00c9 algo que est\u00e1 para al\u00e9m da l\u00f3gica humana e faz parte do \u00ab<em>mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o divina <\/em>\u2013 escreve o Papa na sua mensagem \u2013, <em>realizada no dom total de si mesmo por amor, \u00e9 preciso deixar-se conduzir por Ele \u00e0 parte e ao alto, rompendo com a mediocridade e as vaidades<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa Francisco, ao propor uma ascese nesta Quaresma, coloca-nos diante da necessidade de uma resposta ao mundo de hoje. J\u00e1 Karl Rahner, um grande te\u00f3logo, num ensaio escrito logo depois do Conc\u00edlio Vaticano II, escrevera uma frase prof\u00e9tica dizendo que \u00ab<em>o crist\u00e3o do futuro ou ser\u00e1 um m\u00edstico ou n\u00e3o ser\u00e1 nada!<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, a ascese no alto monte n\u00e3o \u00e9 o culminar de um processo, o fim, mas uma etapa para regressar, descer e, com a experi\u00eancia feita no alto, fazer dessa m\u00edstica a raz\u00e3o para agir, n\u00e3o \u00e9 uma farda que se p\u00f5e e tira, mas \u00e9 a pr\u00f3pria pele da rela\u00e7\u00e3o com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o papa Bento XVI, na enc\u00edclica <em>Deus caritas est<\/em>, diz-nos: \u00ab<em>A f\u00e9 tem, sem d\u00favida, a sua natureza espec\u00edfica de encontro com o Deus vivo \u2014 um encontro que nos abre novos horizontes muito para al\u00e9m do \u00e2mbito pr\u00f3prio da raz\u00e3o. Ao mesmo tempo, por\u00e9m, ela serve de for\u00e7a purificadora para a pr\u00f3pria raz\u00e3o. Partindo da perspetiva de Deus, liberta-a de suas cegueiras e, consequentemente, ajuda-a a ser mais ela mesma. A f\u00e9 consente \u00e0 raz\u00e3o de realizar melhor a sua miss\u00e3o e ver mais claramente o que lhe \u00e9 pr\u00f3prio. \u00c9 aqui que se coloca a doutrina social cat\u00f3lica<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Diante de tais desafios, que resposta podemos dar ao t\u00edtulo recente do jornal <em>P\u00fablico<\/em> (5 de mar\u00e7o de 2023) onde se lia: \u00ab<em>Ocidente perdeu a sua capacidade de sofrer<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o rol de porqu\u00eas que, apesar de tudo gritamos, mesmo se em sil\u00eancio, s\u00f3 t\u00eam resposta no grito atroz na cruz \u00ab<em>Meus Deus, meus Deus porque me abandonaste?<\/em>\u00bb, que n\u00e3o foi h\u00e1 2000 anos, mas que \u00e9 atual e onde cada um de n\u00f3s \u00e9 chamado a entrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus levou consigo Pedro, Tiago e Jo\u00e3o \u00ab<em>para serem testemunhas dum acontecimento singular<\/em>\u00bb e o mesmo aconteceu mais tarde depois da ressurrei\u00e7\u00e3o quando apareceu aos Doze. Eles juntos foram testemunhas. \u00c9 o sublinhar da Sua presen\u00e7a e da Sua manifesta\u00e7\u00e3o quando est\u00e3o juntos. \u00c9 o \u00ab<em>onde dois ou mais est\u00e3o reunidos em Meu nome, Eu estou no meio deles<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>E n\u00f3s de que \u00e9 que somos testemunhas?<\/p>\n<p>Qual ser\u00e1 verdadeiramente o acontecimento singular da nossa vida?<\/p>\n<p>Depois, o Papa diz-nos quais s\u00e3o os princ\u00edpios ao escrever que o \u00ab<em>caminho sinodal est\u00e1 radicado na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja e, ao mesmo tempo, aberto para a novidade<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as novidades que o Evangelho nos d\u00e1 hoje?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O te\u00f3logo Piero Coda, secret\u00e1rio da Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional, referindo-se \u00e0 sinodalidade, disse: \u00ab<em>O que se exige hoje \u2013 e \u00e9 a isso que o Papa Francisco convida, em continuidade com o magist\u00e9rio dos seus antecessores \u2013 \u00e9 um salto qualitativo: despertar as energias e imaginar as formas, em fidelidade criativa ao dep\u00f3sito da f\u00e9, de uma pr\u00e1xis sinodal pertinente e corajosa capaz de envolver todos e cada um dos membros do Povo de Deus.<\/em> (<em>in<\/em> L&#8217;Osservatore Romano, 3-4 maio 2018)\u00bb.<\/p>\n<p>De facto, neste tempo presente que vivemos, talvez mais do que noutros tempos, somos chamados ao desafio sinodal de vivermos uma comunh\u00e3o que d\u00e1 testemunho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 tamb\u00e9m este o desafio que somos chamados a vivenciar como Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz: o de, nas diferen\u00e7as de um coletivo, podermos dizer uma palavra sobre a justi\u00e7a e a paz fruto de um caminho sinodal que nos dispomos a fazer e se vai tamb\u00e9m tornando mais claro, sem m\u00e9ritos pessoais, mas fruto da bondade de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa escreve que \u00ab<em>\u00c0 semelhan\u00e7a da subida de Jesus e dos disc\u00edpulos ao Monte Tabor, podemos dizer que o nosso caminho quaresmal \u00e9 \u201csinodal\u201d<\/em>\u00bb. Talvez seja o momento de nos questionarmos em que \u00e9 que esse caminho \u00e9 sinodal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 particip\u00e1mos em reuni\u00f5es sobre o caminho sinodal, alguns poder\u00e3o ter experimentado alguma desilus\u00e3o, outros poder\u00e3o n\u00e3o se terem sentido expressos e \u00e9, por isso, que o \u00ab<em>processo sinodal se apresenta \u00e1rduo e por vezes podemos at\u00e9 desanimar; mas aquilo que nos espera no final \u00e9 algo, sem d\u00favida, maravilhoso e surpreendente, que nos ajudar\u00e1 a compreender melhor a vontade de Deus e a nossa miss\u00e3o<\/em>\u00bb, l\u00ea-se na mensagem.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta repetir \u00e0 exaust\u00e3o que a sinodalidade \u00e9 comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o. Mas se n\u00e3o se exercitam, enjaulamos a sinodalidade numa estrutura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 que, muitas vezes, vivemos uma esp\u00e9cie de milit\u00e2ncia em estruturas eclesiais. Limitamos a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus atrav\u00e9s de intermedi\u00e1rios e n\u00e3o ousamos falar, relacionarmo-nos com Ele, subir com Ele ao \u00abalto monte\u00bb e experienciar o que \u00e9 viver com Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caminho asc\u00e9tico quaresmal e, de modo semelhante, o sinodal, t\u00eam como meta uma \u00ab<em>transfigura\u00e7\u00e3o, pessoal e eclesial<\/em>\u00bb, uma transforma\u00e7\u00e3o que, em ambos os casos, encontra o seu modelo em Jesus e \u00ab<em>realiza-se pela gra\u00e7a do seu mist\u00e9rio pascal<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p><em>\u00abA voz da nuvem diz: \u201cEscutai-O\u201d\u00bb. <\/em><\/p>\n<p>Quaresma, tempo de escuta porque Ele fala:<\/p>\n<p>&#8211; \u00ab<em>na Palavra de Deus<\/em>\u201d; \u201c<em>n\u00e3o a deixemos cair em saco roto<\/em>\u00bb;<\/p>\n<p>&#8211; \u00ab<em>nos irm\u00e3os, sobretudo nos rostos e vicissitudes daqueles que precisam de ajuda<\/em>\u00bb;<\/p>\n<p>&#8211; \u00ab<em>no processo sinodal: a escuta de Cristo passa tamb\u00e9m atrav\u00e9s da escuta dos irm\u00e3os e irm\u00e3s na Igreja<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Eis-nos diante de um trio de possibilidades.<\/p>\n<p>Quantos medos nos assaltam?<\/p>\n<p>Que inseguran\u00e7a sentimos quando s\u00e3o postas em causas certezas a que nos agarr\u00e1vamos?<\/p>\n<p>Assustados, parece que tudo desmorona. Mas \u00e9 Jesus que nos diz:<\/p>\n<p>\u00ab\u201cLevantai-vos e n\u00e3o tenhais medo\u201d. Erguendo os olhos, os disc\u00edpulos apenas viram Jesus e mais ningu\u00e9m\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>E aqui temos a segunda indica\u00e7\u00e3o para esta Quaresma: n\u00e3o refugiar-se numa religiosidade feita de acontecimentos extraordin\u00e1rios, de sugestivas experi\u00eancias, levados pelo medo de encarar a realidade com as suas fadigas di\u00e1rias, as suas durezas e contradi\u00e7\u00f5es<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>\u00ab<em>Levantai-vos e n\u00e3o tenhais medo<\/em>\u00bb. Diante da \u00ab<em>gra\u00e7a experimentada<\/em>\u00bb podemos descer \u00e0 plan\u00edcie e \u00ab<em>sermos artes\u00e3os de sinodalidade na vida ordin\u00e1ria das nossas comunidades<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Des\u00e7amos \u00e0 plan\u00edcie, \u00e0 cidade ou \u00e0 aldeia, ao pr\u00e9dio onde moro com tanta gente que n\u00e3o conhe\u00e7o ou \u00e0 vizinhan\u00e7a que desde sempre conhecemos, aos espa\u00e7os laborais carregados de tens\u00f5es ou aos recintos desportivos pintados de cores salpicadas de irracionalidades, embrenhemo-nos nas dificuldades latentes nos jogos pol\u00edticos, des\u00e7amos \u00e0 plan\u00edcie onde a humanidade labuta, entremos nas escolas onde a vontade de saber perde fregueses.<\/p>\n<p>Descer o monte \u00e9 a proposta clara.<\/p>\n<p>Depois da experi\u00eancia no \u00abalto monte\u00bb podemos dar o nosso contributo para transformar o negativo em esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Somos desafiados a transformarmos pela vida a formata\u00e7\u00e3o em forma\u00e7\u00e3o e as imposi\u00e7\u00f5es do s\u00e1bado na liberdade dos filhos de Deus, fruto do encontro com Deus no Tabor.<\/p>\n<p>A ascese verdadeira tem \u201cc\u00e1 em baixo\u201d consequ\u00eancias de empenho ousando, como escreveu Jonas, \u201cvestir-se de saco\u201d e sermos capazes agir e falar sobre:<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp; a justi\u00e7a que n\u00e3o \u00e9 justa;<\/p>\n<p>&#8211; a sa\u00fade que geme dores impens\u00e1veis que se alastram como mancha de \u00f3leo;<\/p>\n<p>&#8211; as casas dignas que s\u00e3o miragens para tantos e soberbos esc\u00e2ndalos para poucos;<\/p>\n<p>&#8211; os abusos sexuais e de poder que mostram a nossa mis\u00e9ria, e onde tantos enjeitam o seu quinh\u00e3o de responsabilidades;<\/p>\n<p>&#8211; a solid\u00e3o que entope os di\u00e1logos, as condi\u00e7\u00f5es miser\u00e1veis que agonizam pelas cidades apenhadas de indiferentes e descartados;<\/p>\n<p>&#8211; os jogos de palavras com que baralhamos o pr\u00f3ximo, qual nova Babel que nos deleita ao confundir o pr\u00f3ximo;<\/p>\n<p>&#8211; a afronta \u00e0 vida e \u00e0 morte, um absurdo existencial, porque matamos Deus e matamos a condi\u00e7\u00e3o humana;<\/p>\n<p>&#8211; a discrimina\u00e7\u00e3o de minorias e a indignidade com que tratamos os imigrantes e os refugiados;<\/p>\n<p>&#8211; os idosos descartados em estruturas desumanas como se fossem \u2018coisas\u2019 que perdem cota\u00e7\u00e3o no mercado;<\/p>\n<p>&#8211; a educa\u00e7\u00e3o, uma rela\u00e7\u00e3o cada vez mais fr\u00e1gil, uma realidade gritante de desespero surdo e atroz;<\/p>\n<p>&#8211; o submundo da pornografia, um surpreendente e dram\u00e1tico fen\u00f3meno que vai passando inc\u00f3lume, fruto de uma pseudoliberdade;<\/p>\n<p>&#8211; a economia deificada a que todos se ajoelham e mata quem n\u00e3o a adora;<\/p>\n<p>&#8211; o risco de transformarmos oportunidades de sermos Igreja numa sucess\u00e3o de eventos.<\/p>\n<p>Diante desta pan\u00f3plia, facilmente nos pode vir a tenta\u00e7\u00e3o de \u2018fugir\u2019 para o Tabor.<\/p>\n<p>Ainda no relato da Transfigura\u00e7\u00e3o, aparece mais uma vez Pedro a dizer a Jesus: \u00ab<em>Senhor, \u00e9 bom estarmos aqui; se quiseres, farei aqui tr\u00eas tendas<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E esta n\u00e3o continua a ser ainda hoje a nossa tenta\u00e7\u00e3o de nos fecharmos nas estruturas e movimentos eclesiais, sentindo-nos bem, confortados uns com os outros e n\u00e3o correndo o risco de descer \u00e0 cidade, ao risco da miss\u00e3o?<\/p>\n<p>E quando nos depararmos com as diverg\u00eancias, \u00e9-nos pedido um passo sinodal de \u2018juntos\u2019 subirmos ao monte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o subirmos ao monte, torna-se mais f\u00e1cil agarrarmo-nos \u00e0s coisas boas, agrad\u00e1veis e at\u00e9 santas, mas que n\u00e3o s\u00e3o Deus. Precisamos do exerc\u00edcio da subida para o encontro com a Pessoa, com Deus.<\/p>\n<p>Perguntemo-nos ami\u00fade nesta quaresma: Em que ponto est\u00e1 a nossa transfigura\u00e7\u00e3o pessoal? E eclesial?<\/p>\n<p>Somos capazes de seguir Jesus juntos? Ou cada um \u201cl\u00e1 tem a sua f\u00e9\u201d?<\/p>\n<p>Temos medo de arriscar que a gota da minha pequenez se perca no oceano infinito do Amor de Deus?<\/p>\n<p>Na sinodalidade, a novidade n\u00e3o \u00e9 gizada \u00e0 mesa pelos s\u00e1bios, pelos te\u00f3logos, mas pelo Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>E o Esp\u00edrito Santo que, sem fazer ru\u00eddo, mas sendo aquela brisa suave, vai assistindo a Igreja e o Papa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No congresso promovido pelo Dicast\u00e9rio para os leigos, a fam\u00edlia e a vida, o papa Francisco voltou a sublinhar a riqueza da sinodalidade dizendo: \u00ab<em>estrada que Deus est\u00e1 a apontar \u00e0 Igreja \u00e9 precisamente viver, de forma mais intensa e concreta, a comunh\u00e3o e caminhar juntos. Convida-a a superar os modos aut\u00f3nomos de agir ou as linhas paralelas que nunca se encontram<\/em>\u00bb. E conclui com um olhar prof\u00e9tico dizendo que \u00ab<em>existe ainda um longo caminho a percorrer para que a Igreja viva como um corpo, como um verdadeiro Povo, unido pela \u00fanica f\u00e9 em Cristo Salvador, animado pelo mesmo Esp\u00edrito santificador e orientado para a mesma miss\u00e3o de anunciar o amor misericordioso de Deus Pai<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Depois da experi\u00eancia de ascese e sinodalidade, somos chamados a olharmos as realidades sociais, pol\u00edticas, laborais, culturais, eclesiais, familiares e pessoais, com olhos de P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o papa Francisco, ao anunciar o Jubileu de 2025, prop\u00f5e-nos continuarmos a <strong>caminhar juntos na escuta a Jesus<\/strong> para sermos peregrinos e testemunhas da esperan\u00e7a, escrevendo na carta de an\u00fancio (11 de fevereiro de 2022) que \u00ab<em>devemos manter acesa a chama da esperan\u00e7a que nos foi dada e fazer todo o poss\u00edvel para que cada um recupere a for\u00e7a e a certeza de olhar para o futuro com esp\u00edrito aberto, cora\u00e7\u00e3o confiante e mente clarividente<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Lisboa, 9 de mar\u00e7o de 2023<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 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