{"id":859,"date":"2024-09-17T12:31:22","date_gmt":"2024-09-17T12:31:22","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/um-bem-para-todos-nota-da-comissao-nacional-justica-e-paz-sobre-migracoes\/"},"modified":"2024-09-17T12:31:22","modified_gmt":"2024-09-17T12:31:22","slug":"um-bem-para-todos-nota-da-comissao-nacional-justica-e-paz-sobre-migracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/um-bem-para-todos-nota-da-comissao-nacional-justica-e-paz-sobre-migracoes\/","title":{"rendered":"UM BEM PARA TODOS Nota da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz sobre migra\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<h1 align=\"center\"><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-858\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Migrantes-site.webp\" width=\"350\" height=\"197\" alt=\"Migrantes site\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Migrantes-site.webp 480w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Migrantes-site-400x225.webp 400w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/strong><\/h1>\n<h1 align=\"center\"><strong>UM BEM PARA TODOS<\/strong><\/h1>\n<h2 align=\"center\"><em>Nota da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz sobre migra\u00e7\u00f5es<\/em><\/h2>\n<h2 align=\"center\"><em>&nbsp;<\/em><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num tempo em que se v\u00e3o ouvindo com cada vez mais for\u00e7a, em Portugal e noutros pa\u00edses, vozes hostis aos imigrantes, a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz quer sublinhar, na linha do que tem feito o Papa Francisco em conson\u00e2ncia com o que fizeram os seus antecessores, o bem que migra\u00e7\u00f5es legais, ordenadas e seguras podem trazer \u00e0s sociedade de origem e destino dos imigrantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vai-se evidenciando cada vez mais a imprescindibilidade de trabalhadores imigrantes em v\u00e1rios setores da atividade econ\u00f3mica em Portugal. Al\u00e9m do mais, a crise demogr\u00e1fica na Europa torna necess\u00e1rio o recurso a esses trabalhadores (sendo certo que esse recurso n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica forma de enfrentar essa crise). Tamb\u00e9m \u00e9 sabido que os contributos financeiros dos imigrantes para o Estado portugu\u00eas s\u00e3o maiores do que as presta\u00e7\u00f5es de que beneficiam (apesar de eles conhecerem at\u00e9 maior risco de pobreza e priva\u00e7\u00e3o material severa do que os nacionais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio do que muitas vezes se propala, o incremento da imigra\u00e7\u00e3o que Portugal conheceu nos \u00faltimos anos n\u00e3o se traduziu num incremento da criminalidade. De um modo geral, o imigrante t\u00edpico caracteriza-se por uma especial capacidade de trabalho, poupan\u00e7a e dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia, o que contrasta em absoluto com uma maior tend\u00eancia para a delinqu\u00eancia. Tal n\u00e3o invalida a import\u00e2ncia de, como vem salientado o Papa, <em>acolher, proteger, promover e integrar<\/em> os imigrantes. Essas s\u00e3o tamb\u00e9m as formas mais eficazes de prevenir a criminalidade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2018, o Papa afirmou que os imigrantes \u00ab<em>n\u00e3o chegam de m\u00e3os vazias: trazem uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e aspira\u00e7\u00f5es, para al\u00e9m dos tesouros das suas culturas nativas, e deste modo enriquecem a vida das na\u00e7\u00f5es que os acolhem<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem tema o choque que possa resultar do encontro com imigrantes de culturas diferentes da nossa. Sendo certo que a maior parte dos imigrantes que chegam at\u00e9 n\u00f3s partilham a nossa l\u00edngua e, nessa medida, nos s\u00e3o culturalmente pr\u00f3ximos, tamb\u00e9m o Papa&nbsp; tem sublinhado como o di\u00e1logo de culturas se traduz num enriquecimento rec\u00edproco (e a hist\u00f3ria do nosso pa\u00eds tamb\u00e9m o atesta). Na sua enc\u00edclica <em>Fratelli tutti<\/em>, ele afirma: \u00ab<em>Toda a cultura saud\u00e1vel \u00e9 por natureza aberta e acolhedora, n\u00e3o est\u00e1tica<\/em>\u00bb (n. 146). E disse noutra ocasi\u00e3o (no discurso que deixou escrito quando visitou a Universidade Roma Tre, em 17 de fevereiro de 2017): \u00ab<em>Uma cultura consolida-se atrav\u00e9s da abertura e do confronto com as outras culturas, desde que haja uma consci\u00eancia clara e madura dos seus princ\u00edpios e valores<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o podemos limitar-nos, egoisticamente, a atender ao bem que os imigrantes podem trazer ao nosso pa\u00eds, esquecendo o bem que as migra\u00e7\u00f5es podem representar para eles pr\u00f3prios e para os seus pa\u00edses de origem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 que encarar as migra\u00e7\u00f5es na perspetiva da justi\u00e7a social, \u00e0 luz do princ\u00edpio do destino universal dos bens. \u00ab<em>Todos t\u00eam o mesmo direito de usufruir dos bens da terra, cujo destino \u00e9 universal, como ensina a doutrina social da Igreja<\/em>\u00bb &#8211; diz o Papa Francisco na referida mensagem de 2018, citando o Papa Bento XVI. As migra\u00e7\u00f5es podem contribuir para concretizar este direito.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m isso se afirma na enc\u00edclica <em>Fratelli tutti<\/em>. Cada na\u00e7\u00e3o \u00e9 co-respons\u00e1vel pelo desenvolvimento de todas as pessoas, o que pode traduzir-se de dois modos, que n\u00e3o se excluem mutuamente: no acolhimento de imigrantes e no contributo para o desenvolvimento dos pa\u00edses de origem destes (n. 125). \u00c9 verdade que o ideal seria que a emigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o fosse necess\u00e1ria para superar a pobreza, mas enquanto n\u00e3o houver s\u00e9rios progressos no sentido do desenvolvimento dos pa\u00edses pobres, h\u00e1 que reconhecer o direito de cada pessoa a encontrar um lugar onde n\u00e3o s\u00f3 possa satisfazer necessidades b\u00e1sicas, mas tamb\u00e9m realizar-se plenamente como pessoa (n. 129).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque, na verdade se trata da realiza\u00e7\u00e3o plena como pessoa (os imigrantes n\u00e3o podem ser encarados apenas como \u201cm\u00e3o de obra\u201d), nunca \u00e9 demais sublinhar a import\u00e2ncia do seu direito ao reagrupamento familiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 bom que estas palavras tenham um particular eco em Portugal, um pa\u00eds marcado pela emigra\u00e7\u00e3o desde h\u00e1 s\u00e9culos. Vem a prop\u00f3sito recordar o Antigo Testamento: \u00ab<em>O estrangeiro que reside convosco ser\u00e1 tratado como um dos vossos compatriotas e am\u00e1-lo-\u00e1s como a ti mesmo, porque foste estrangeiro na terra do Egito<\/em>\u00bb (Lv&nbsp;19, 34). O desafio \u00e9, ent\u00e3o, o de tratar os imigrantes que chegam at\u00e9 n\u00f3s como gostar\u00edamos que fossem tratados os nossos irm\u00e3os que emigraram, e emigram, para outros pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dever\u00e1 continuar a ser sempre para n\u00f3s motivo de orgulho patri\u00f3tico e de alegria que os imigrantes queiram viver em Portugal por ser um pa\u00eds acolhedor onde se sentem em casa. Dever\u00e1 ser motivo de vergonha e de tristeza que aqui se sintam hostilizados e v\u00edtimas de discrimina\u00e7\u00e3o e injusti\u00e7a.<\/p>\n<p>Lisboa, 17 Setembro de 2024<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UM BEM PARA TODOS Nota da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz sobre migra\u00e7\u00f5es &nbsp; Num tempo em que se v\u00e3o ouvindo com cada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":858,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[30],"tags":[],"class_list":["post-859","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-notas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/859","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=859"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/859\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/858"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}