{"id":921,"date":"2025-12-19T15:51:17","date_gmt":"2025-12-19T15:51:17","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/mensagem-do-santo-padre-leao-xiv-para-o-lix-dia-mundial-da-paz\/"},"modified":"2025-12-19T15:51:17","modified_gmt":"2025-12-19T15:51:17","slug":"mensagem-do-santo-padre-leao-xiv-para-o-lix-dia-mundial-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/mensagem-do-santo-padre-leao-xiv-para-o-lix-dia-mundial-da-paz\/","title":{"rendered":"MENSAGEM DO SANTO PADRE LE\u00c3O XIV PARA O LIX DIA MUNDIAL DA PAZ"},"content":{"rendered":"<div class=\"abstract text parbase vaticanrichtext\">\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-890\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Papa-Leao-XIV-com-Brasao.webp\" alt=\"Papa Le\u00e3o XIV com Bras\u00e3o\" width=\"550\" height=\"310\" style=\"font-size: 11px; color: #000000;\" srcset=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Papa-Leao-XIV-com-Brasao.webp 1080w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Papa-Leao-XIV-com-Brasao-400x225.webp 400w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Papa-Leao-XIV-com-Brasao-1024x576.webp 1024w, https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Papa-Leao-XIV-com-Brasao-768x432.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><em style=\"font-size: 14.3px; text-align: left;\">A paz esteja com todos v\u00f3s.&nbsp;<br \/><\/em><em style=\"font-size: 14.3px; text-align: left;\">Rumo a uma paz desarmada e desarmante<\/em><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"text parbase vaticanrichtext\">\n<p>\u201cA paz esteja contigo!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta antiga sauda\u00e7\u00e3o, presente ainda hoje em muitas culturas, ganhou novo vigor nos l\u00e1bios de Jesus ressuscitado na noite de P\u00e1scoa. \u00abA paz esteja convosco!\u00bb (&nbsp;<em>Jo<\/em>&nbsp;20, 19.21) \u00e9 a sua Palavra que n\u00e3o s\u00f3 deseja, mas realiza uma mudan\u00e7a definitiva naqueles que a acolhem e, consequentemente, em toda a realidade. Por isso, os sucessores dos Ap\u00f3stolos exprimem todos os dias e em todo o mundo a revolu\u00e7\u00e3o mais silenciosa: \u201cA paz esteja convosco!\u201d.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/messages\/urbi\/documents\/20250508-prima-benedizione-urbietorbi.html\">Desde a noite da minha elei\u00e7\u00e3o como Bispo de Roma<\/a>, quis inserir a minha sauda\u00e7\u00e3o neste an\u00fancio coral. E desejo reiter\u00e1-lo: esta \u00e9 a paz do Cristo ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante. Ela prov\u00e9m de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente.&nbsp;<a class=\" cleaner\" name=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><\/a>[1]<\/p>\n<p><em>A paz de Cristo ressuscitado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem venceu a morte e derrubou as barreiras que separavam os seres humanos (cf.&nbsp;<em>Ef<\/em>&nbsp;2, 14) foi o Bom Pastor que d\u00e1 a vida pelo rebanho e tem muitas ovelhas que est\u00e3o fora do seu redil (cf.&nbsp;<em>Jo<\/em>&nbsp;10, 11.16): Cristo, nossa paz. A sua presen\u00e7a, o seu dom e a sua vit\u00f3ria reverberam na perseveran\u00e7a de muitas testemunhas, por meio das quais a obra de Deus continua no mundo, tornando-se ainda mais percept\u00edvel e luminosa na escurid\u00e3o dos tempos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, o contraste entre as trevas e a luz n\u00e3o \u00e9 apenas uma imagem b\u00edblica para descrever o sofrimento do qual est\u00e1 a nascer um mundo novo: \u00e9 uma experi\u00eancia que nos atravessa e nos surpreende diante das prova\u00e7\u00f5es que encontramos nas circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas em que vivemos. Ora, para n\u00e3o afundarmos na escurid\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio ver a luz e acreditar nela. Trata-se de uma exig\u00eancia que os disc\u00edpulos de Jesus s\u00e3o chamados a viver de maneira \u00fanica e privilegiada, mas que, de muitas maneiras, sabe abrir caminho no cora\u00e7\u00e3o de cada ser humano. A paz existe, deseja habitar-nos, tem o poder suave de iluminar e alargar a intelig\u00eancia, resiste \u00e0 viol\u00eancia e a vence. A paz tem o sopro da eternidade: enquanto ao mal se ordena \u201cbasta!\u201d, \u00e0 paz se suplica \u201cpara sempre\u201d. O Ressuscitado introduziu-nos neste horizonte. \u00c9 neste sentir que vivem os promotores da paz que, no drama daquilo que o Papa Francisco definiu como \u201cterceira guerra mundial em peda\u00e7os\u201d, ainda resistem \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o das trevas, como sentinelas na noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, o contr\u00e1rio \u00e9 poss\u00edvel, ou seja, esquecer a luz: assim, perde-se o realismo e se cede a uma representa\u00e7\u00e3o parcial e distorcida do mundo, sob o sinal das trevas e do medo. Atualmente, n\u00e3o s\u00e3o poucos aqueles que chamam de realistas as narrativas privas de esperan\u00e7a, cegas \u00e0 beleza dos outros e esquecidas da gra\u00e7a de Deus que sempre age nos cora\u00e7\u00f5es humanos, por mais feridos que estejam pelo pecado. Santo Agostinho exortava os crist\u00e3os a estabelecerem uma amizade indissol\u00favel com a paz, para que, guardando-a no \u00edntimo do pr\u00f3prio esp\u00edrito, pudessem irradiar o calor luminoso ao seu redor. Dirigindo-se \u00e0 sua comunidade, ele escreveu: \u00abSe quereis atrair os outros para a paz, tende-a v\u00f3s primeiro; sede v\u00f3s, antes de tudo, firmes na paz. Para inflamar os outros, deveis ter dentro de v\u00f3s a luz acesa\u00bb.&nbsp;<a class=\" cleaner\" name=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\"><\/a>[2]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, quer tenhamos o dom da f\u00e9, quer pare\u00e7a que n\u00e3o o temos, abramo-nos \u00e0 paz! Acolhamo-la e reconhe\u00e7amo-la, em vez de a considerarmos distante e imposs\u00edvel. Antes de ser um objetivo, a paz \u00e9 uma presen\u00e7a e um caminho. Mesmo que seja contestada dentro e fora de n\u00f3s, como uma pequena chama amea\u00e7ada pela tempestade, guardemo-la sem esquecer os nomes e as hist\u00f3rias daqueles que a testemunharam. \u00c9 um princ\u00edpio que orienta e determina as nossas escolhas. Tamb\u00e9m nos lugares onde s\u00f3 restam escombros e onde o desespero parece inevit\u00e1vel, ainda hoje encontramos quem n\u00e3o esqueceu a paz. Do mesmo modo que, na noite de P\u00e1scoa, Jesus entrou no lugar onde se encontravam os disc\u00edpulos assustados e desanimados, assim a paz de Cristo ressuscitado continua a atravessar portas e barreiras com as vozes e os rostos das suas testemunhas. \u00c9 o dom que permite n\u00e3o esquecer o bem, reconhec\u00ea-lo como vencedor, escolh\u00ea-lo novamente e juntos.<\/p>\n<p><em>Uma paz desarmada<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco antes de ser capturado, num momento de intensa confid\u00eancia, Jesus disse aos que estavam com Ele: \u00abDeixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. N\u00e3o \u00e9 como a d\u00e1 o mundo, que Eu vo-la dou\u00bb. E imediatamente acrescentou: \u00abN\u00e3o se perturbe o vosso cora\u00e7\u00e3o nem se acobarde\u00bb (<em>Jo<\/em>&nbsp;14, 27). A perturba\u00e7\u00e3o e o medo podiam, certamente, referir-se \u00e0 viol\u00eancia que em breve se abateria sobre Ele. De modo ainda mais profundo, os Evangelhos n\u00e3o escondem que o que desconcertou os disc\u00edpulos foi a sua resposta n\u00e3o violenta: um caminho que todos, Pedro em primeiro lugar, contestaram, mas que o Mestre pediu que seguissem at\u00e9 ao fim. O caminho de Jesus continua a ser motivo de perturba\u00e7\u00e3o e medo. E Ele repete com firmeza \u00e0queles que gostariam de defend\u00ea-lo: \u00abMete a espada na bainha\u00bb (<em>Jo<\/em>&nbsp;18, 11; cf.&nbsp;<em>Mt<\/em>&nbsp;26, 52). A paz de Jesus ressuscitado \u00e9 desarmada, porque desarmada foi a sua luta, dentro de precisas circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas, pol\u00edticas e sociais. Os crist\u00e3os devem tornar-se, juntos, testemunhas prof\u00e9ticas desta novidade, conscientes das trag\u00e9dias das quais muitas vezes foram c\u00famplices. A grande par\u00e1bola do ju\u00edzo universal convida todos os crist\u00e3os a, conscientemente, agir com miseric\u00f3rdia (cf.&nbsp;<em>Mt<\/em>&nbsp;25, 31-46). E, ao faz\u00ea-lo, encontrar\u00e3o ao seu lado irm\u00e3os e irm\u00e3s que, por caminhos diferentes, souberam ouvir a dor dos outros e se libertaram interiormente do engano da viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora hoje n\u00e3o sejam poucas as pessoas com o cora\u00e7\u00e3o pronto para a paz, um grande sentimento de impot\u00eancia as invade diante do curso cada vez mais incerto dos acontecimentos. J\u00e1 Santo Agostinho, com efeito, assinalava um paradoxo particular: \u00abN\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil possuir a paz. \u00c9 mais dif\u00edcil, quando muito, louv\u00e1-la. Se quisermos louv\u00e1-la, precisamos de ter capacidades que talvez nos faltem; devemos procurar as ideias certas, ponderar as frases. Se, em vez disso, quisermos t\u00ea-la, ela est\u00e1 l\u00e1, ao nosso alcance, e podemos possu\u00ed-la sem qualquer esfor\u00e7o\u00bb.&nbsp;<a class=\" cleaner\" name=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\"><\/a>[3]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando tratamos a paz como um ideal distante, acabamos por n\u00e3o considerar escandaloso que ela possa ser negada e que at\u00e9 mesmo se fa\u00e7a guerra para alcan\u00e7\u00e1-la. Parecem faltar as ideias certas, as frases ponderadas, a capacidade de dizer que a paz est\u00e1 ao nosso alcance. Se a paz n\u00e3o for uma realidade experimentada, guardada e cultivada, a agressividade espalha-se, tanto na vida dom\u00e9stica, quanto na vida p\u00fablica. Na rela\u00e7\u00e3o entre cidad\u00e3os e governantes, chega-se a considerar uma culpa o n\u00e3o estar suficientemente preparado para a guerra, para reagir aos ataques e para responder \u00e0 viol\u00eancia. No plano pol\u00edtico, essa l\u00f3gica de oposi\u00e7\u00e3o, muito al\u00e9m do princ\u00edpio da leg\u00edtima defesa, \u00e9 o dado mais atual numa desestabiliza\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria que a cada dia se torna mais dram\u00e1tica e imprevis\u00edvel. N\u00e3o por acaso, os repetidos apelos para aumentar as despesas militares \u2013 e as escolhas que disso decorrem \u2013 s\u00e3o apresentados por muitos governantes com a justificativa da periculosidade alheia. Na verdade, a for\u00e7a dissuasiva do poder e, em particular, a dissuas\u00e3o nuclear, encarnam a irracionalidade de uma rela\u00e7\u00e3o entre os povos baseada n\u00e3o no direito, na justi\u00e7a e na confian\u00e7a, mas no medo e no dom\u00ednio da for\u00e7a. Como j\u00e1 escrevia S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII na sua \u00e9poca: \u00abO resultado \u00e9 que os povos vivem em terror permanente, como sob a amea\u00e7a de uma tempestade que pode rebentar a cada momento em avassaladora destrui\u00e7\u00e3o. J\u00e1 que as armas existem e, se parece dif\u00edcil que haja pessoas capazes de assumir a responsabilidade das mortes e incomensur\u00e1veis destrui\u00e7\u00f5es que a guerra provocaria, n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel que um fato imprevis\u00edvel e incontrol\u00e1vel possa inesperadamente atear esse inc\u00eandio\u00bb.&nbsp;<a class=\" cleaner\" name=\"_ftnref4\" href=\"#_ftn4\"><\/a>[4]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois bem, ao longo de 2024, as despesas militares a n\u00edvel mundial aumentaram 9,4% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, confirmando a tend\u00eancia ininterrupta dos \u00faltimos dez anos e atingindo o valor de 2,72 bili\u00f5es de d\u00f3lares, ou seja, 2,5% do PIB mundial.&nbsp;<a class=\" cleaner\" name=\"_ftnref5\" href=\"#_ftn5\"><\/a>[5]&nbsp;Mais ainda, parece que os novos desafios devem ser enfrentados atualmente n\u00e3o s\u00f3 com um enorme esfor\u00e7o econ\u00f3mico para o rearmamento, mas tamb\u00e9m com um realinhamento das pol\u00edticas educativas: em vez de uma cultura da mem\u00f3ria, que preserve a consci\u00eancia adquirida no s\u00e9culo XX e n\u00e3o esque\u00e7a os milh\u00f5es de v\u00edtimas, promovem-se campanhas de comunica\u00e7\u00e3o e programas educativos em escolas e universidades, bem como nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, que difundem a percep\u00e7\u00e3o de que se vive continuamente sob amea\u00e7a e transmitem uma no\u00e7\u00e3o de defesa e seguran\u00e7a meramente armada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, \u00abquem ama verdadeiramente a paz ama tamb\u00e9m os inimigos da paz\u00bb.&nbsp;<a class=\" cleaner\" name=\"_ftnref6\" href=\"#_ftn6\"><\/a>[6]&nbsp;Assim, Santo Agostinho recomendava n\u00e3o destruir pontes e n\u00e3o insistir com repreens\u00f5es, preferindo a via da escuta e, na medida do poss\u00edvel, do encontro com as raz\u00f5es dos outros. Sessenta anos atr\u00e1s, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/index_po.htm\">Conc\u00edlio Vaticano II<\/a>&nbsp;chegava \u00e0 sua conclus\u00e3o com a consci\u00eancia da urg\u00eancia de um di\u00e1logo entre a Igreja e o mundo contempor\u00e2neo. Em particular, a Constitui\u00e7\u00e3o&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\">Gaudium et spes<\/a><\/em>&nbsp;chamava a aten\u00e7\u00e3o para a evolu\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica b\u00e9lica: \u00abO perigo peculiar da guerra hodierna est\u00e1 em que ela fornece, por assim dizer, a oportunidade de cometer tais crimes \u00e0queles que est\u00e3o de posse das modernas armas cient\u00edficas; e, por uma consequ\u00eancia quase fatal, pode impelir as vontades dos homens \u00e0s mais atrozes decis\u00f5es. Para que tal nunca venha a suceder, os Bispos de todo o mundo, reunidos, imploram a todos, sobretudo aos governantes e chefes militares, que ponderem sem cessar a sua t\u00e3o grande responsabilidade perante Deus e a humanidade\u00bb.&nbsp;<a class=\" cleaner\" name=\"_ftnref7\" href=\"#_ftn7\"><\/a>[7]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao reiterar o apelo dos Padres conciliares e considerando o di\u00e1logo como a via mais eficaz em todos os n\u00edveis, constatamos que os recentes avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e a aplica\u00e7\u00e3o das intelig\u00eancias artificiais no \u00e2mbito militar radicalizaram a trag\u00e9dia dos conflitos armados. Est\u00e1-se a delinear at\u00e9 mesmo um processo de desresponsabiliza\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes pol\u00edticos e militares devido ao crescente \u201cdelegar\u201d \u00e0s m\u00e1quinas as decis\u00f5es relativas \u00e0 vida e \u00e0 morte das pessoas. \u00c9 uma espiral de destrui\u00e7\u00e3o sem precedentes, que compromete o humanismo jur\u00eddico e filos\u00f3fico do qual qualquer civiliza\u00e7\u00e3o depende e pelo qual \u00e9 protegida. \u00c9 preciso denunciar as enormes concentra\u00e7\u00f5es de interesses econ\u00f3micos e financeiros privados que est\u00e3o a empurrar os Estados nessa dire\u00e7\u00e3o; mas isso n\u00e3o \u00e9 suficiente, se ao mesmo tempo n\u00e3o for promovido o despertar das consci\u00eancias e do pensamento cr\u00edtico. A Enc\u00edclica&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\">Fratelli tutti<\/a><\/em>&nbsp;apresenta S\u00e3o Francisco de Assis como exemplo desse despertar: \u00abNaquele mundo cheio de torre\u00f5es de vigia e muralhas defensivas, as cidades viviam guerras sangrentas entre fam\u00edlias poderosas, ao mesmo tempo que cresciam as \u00e1reas miser\u00e1veis das periferias exclu\u00eddas. L\u00e1, Francisco recebeu no seu \u00edntimo a verdadeira paz, libertou-se de todo o desejo de dom\u00ednio sobre os outros, fez-se um dos \u00faltimos e procurou viver em harmonia com todos\u00bb.&nbsp;<a class=\" cleaner\" name=\"_ftnref8\" href=\"#_ftn8\"><\/a>[8]&nbsp;\u00c9 uma hist\u00f3ria que quer continuar em n\u00f3s e que exige unir esfor\u00e7os para contribuir mutuamente para uma paz desarmante, uma paz que nasce da abertura e da humildade evang\u00e9lica.<\/p>\n<p><em>Uma paz desarmante<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A bondade \u00e9 desarmante. Talvez por isso Deus se tenha feito crian\u00e7a. O mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, que tem o seu ponto mais extremo de esvaziamento na descida aos infernos, come\u00e7a no ventre de uma jovem m\u00e3e e manifesta-se na manjedoura de Bel\u00e9m. \u00abPaz na terra\u00bb, cantam os anjos, anunciando a presen\u00e7a de um Deus indefeso, pelo qual a humanidade s\u00f3 pode descobrir-se amada cuidando d\u2019Ele (cf.&nbsp;<em>Lc<\/em>&nbsp;2, 13-14). Nada tem a capacidade de mudar-nos mais do que um filho. E talvez seja justamente o pensamento nos nossos filhos, nas crian\u00e7as e tamb\u00e9m naqueles que s\u00e3o fr\u00e1geis como elas, que nos traspassa o cora\u00e7\u00e3o (cf.&nbsp;<em>Act<\/em>&nbsp;2, 37). A este respeito, o meu venerado Predecessor escrevia que \u00aba fragilidade humana tem o poder de tornar-nos mais l\u00facidos em rela\u00e7\u00e3o ao que dura e ao que passa, ao que faz viver e ao que mata. Talvez por isso tendamos t\u00e3o frequentemente a negar os limites e a fugir das pessoas fr\u00e1geis e feridas: elas t\u00eam o poder de questionar a dire\u00e7\u00e3o que escolhemos, como indiv\u00edduos e como comunidade\u00bb.&nbsp;<a class=\" cleaner\" name=\"_ftnref9\" href=\"#_ftn9\"><\/a>[9]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt.html\">S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII<\/a>&nbsp;foi o primeiro a introduzir a perspectiva de um desarmamento integral, alcan\u00e7ado somente atrav\u00e9s da renova\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e da intelig\u00eancia. Assim escreveu ele na Carta enc\u00edclica&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/em>: \u00abTodos devem estar convencidos de que nem a ren\u00fancia \u00e0 competi\u00e7\u00e3o militar, nem a redu\u00e7\u00e3o dos armamentos, nem a sua completa elimina\u00e7\u00e3o, que seria o principal, de modo nenhum se pode levar a efeito tudo isto, se n\u00e3o se proceder a um desarmamento integral, que atinja o pr\u00f3prio esp\u00edrito, isto \u00e9, se n\u00e3o trabalharem todos em conc\u00f3rdia e sinceridade, para afastar o medo e a psicose de uma poss\u00edvel guerra. Mas isto requer que, em vez do crit\u00e9rio de equil\u00edbrio em armamentos que hoje mant\u00e9m a paz, se abrace o princ\u00edpio segundo o qual a verdadeira paz entre os povos n\u00e3o se baseia em tal equil\u00edbrio, mas sim e exclusivamente na confian\u00e7a m\u00fatua. N\u00f3s pensamos que se trata de objetivo poss\u00edvel, por tratar-se de causa que n\u00e3o s\u00f3 se imp\u00f5e pelos princ\u00edpios da reta raz\u00e3o, mas que \u00e9 sumamente desej\u00e1vel e fecunda de preciosos resultados\u00bb.&nbsp;<a class=\" cleaner\" name=\"_ftnref10\" href=\"#_ftn10\"><\/a>[10]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9 um servi\u00e7o fundamental que as religi\u00f5es devem prestar \u00e0 humanidade sofredora, vigiando sobre a crescente tentativa de transformar em armas at\u00e9 mesmo pensamentos e palavras. As grandes tradi\u00e7\u00f5es espirituais, assim como o reto uso da raz\u00e3o, fazem-nos ir al\u00e9m dos la\u00e7os de sangue e \u00e9tnicos, ou daquelas fraternidades que reconhecem apenas quem \u00e9 semelhante e rejeitam quem \u00e9 diferente. Hoje vemos como isso n\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio. Infelizmente, faz parte do panorama contempor\u00e2neo, cada vez mais, arrastar as palavras da f\u00e9 para o embate pol\u00edtico, aben\u00e7oar o nacionalismo e justificar religiosamente a viol\u00eancia e a luta armada. Os fi\u00e9is devem refutar ativamente, antes de tudo com a sua vida, estas formas de blasf\u00e9mia que obscurecem o Santo Nome de Deus. Por isso, juntamente com a a\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais do que nunca necess\u00e1rio cultivar a ora\u00e7\u00e3o, a espiritualidade, o di\u00e1logo ecum\u00e9nico e inter-religioso como caminhos de paz e linguagens de encontro entre tradi\u00e7\u00f5es e culturas. Em todo o mundo, \u00e9 desej\u00e1vel que \u00abcada comunidade se torne uma \u201ccasa de paz\u201d, onde se aprende a neutralizar a hostilidade atrav\u00e9s do di\u00e1logo, onde se pratica a justi\u00e7a e se conserva o perd\u00e3o\u00bb.&nbsp;<a class=\" cleaner\" name=\"_ftnref11\" href=\"#_ftn11\"><\/a>[11]&nbsp;Hoje, mais do que nunca, \u00e9 preciso mostrar que a paz n\u00e3o \u00e9 uma utopia, atrav\u00e9s de uma criatividade pastoral atenta e generativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, isso n\u00e3o deve desviar a aten\u00e7\u00e3o de todos da import\u00e2ncia da dimens\u00e3o pol\u00edtica. Aqueles que s\u00e3o chamados a assumir responsabilidades p\u00fablicas, nos mais altos e qualificados cargos, investiguem \u00aba fundo qual a melhor maneira de se chegar \u00e0 maior harmonia das comunidades pol\u00edticas no plano mundial; harmonia, repetimos, que se baseia na confian\u00e7a m\u00fatua, na sinceridade dos tratados e na fidelidade aos compromissos assumidos. Examinem de tal maneira todos os aspectos do problema para encontrarem no n\u00f3 da quest\u00e3o, a partir do qual possam abrir caminho a um entendimento leal, duradouro e fecundo\u00bb.&nbsp;<a class=\" cleaner\" name=\"_ftnref12\" href=\"#_ftn12\"><\/a>[12]&nbsp;\u00c9 o caminho desarmante da diplomacia, da media\u00e7\u00e3o, do direito internacional, infelizmente contrariado por viola\u00e7\u00f5es cada vez mais frequentes de acordos alcan\u00e7ados com grande esfor\u00e7o, num contexto que exigiria n\u00e3o a deslegitima\u00e7\u00e3o, mas sim o fortalecimento das institui\u00e7\u00f5es supranacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, a justi\u00e7a e a dignidade humana est\u00e3o, mais do que nunca, expostas aos desequil\u00edbrios de poder entre os mais fortes. Ent\u00e3o, como viver num tempo de desestabiliza\u00e7\u00e3o e conflitos, libertando-se do mal? \u00c9 necess\u00e1rio motivar e apoiar todas as iniciativas espirituais, culturais e pol\u00edticas que mantenham viva a esperan\u00e7a, combatendo a difus\u00e3o de \u00abatitudes fatalistas a respeito da globaliza\u00e7\u00e3o, como se as din\u00e2micas em ato fossem produzidas por for\u00e7as impessoais an\u00f3nimas e por estruturas independentes da vontade humana\u00bb.&nbsp;<a class=\" cleaner\" name=\"_ftnref13\" href=\"#_ftn13\"><\/a>[13]&nbsp;Se, efetivamente, \u00aba melhor maneira de dominar e avan\u00e7ar sem entraves \u00e9 semear o des\u00e2nimo e despertar uma desconfian\u00e7a constante, mesmo disfar\u00e7ada por detr\u00e1s da defesa de alguns valores\u00bb,&nbsp;<a class=\" cleaner\" name=\"_ftnref14\" href=\"#_ftn14\"><\/a>[14]&nbsp;deve se contrapor a tal estrat\u00e9gia o desenvolvimento de sociedades civis conscientes, de formas de associativismo respons\u00e1vel, de experi\u00eancias de participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta, de pr\u00e1ticas de justi\u00e7a restaurativa em pequena e grande escala.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/pt.html\">Le\u00e3o XIII<\/a>&nbsp;j\u00e1 o salientava claramente na Enc\u00edclica&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum.html\">Rerum novarum<\/a><\/em>: \u00abA experi\u00eancia que o homem adquire todos os dias da exiguidade das suas for\u00e7as, obriga-o e impele-o a agregar-se a uma coopera\u00e7\u00e3o estranha. \u00c9 nas Sagradas Letras que se l\u00ea esta m\u00e1xima: \u201cMais valem dois juntos que um s\u00f3, pois tiram vantagem da sua associa\u00e7\u00e3o. Se um cai, o outro sustenta-o. Desgra\u00e7ado do homem s\u00f3, pois; quando cair, n\u00e3o ter\u00e1 ningu\u00e9m que o levante\u201d (&nbsp;<em>Ecl<\/em>&nbsp;4, 9-10). E esta outra: \u201cO irm\u00e3o que \u00e9 ajudado por seu irm\u00e3o, \u00e9 como uma cidade forte\u201d\u00bb (&nbsp;<em>Pr<\/em>&nbsp;18, 19).&nbsp;<a class=\" cleaner\" name=\"_ftnref15\" href=\"#_ftn15\"><\/a>[15]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que isso seja um fruto do Jubileu da Esperan\u00e7a, que levou milh\u00f5es de seres humanos a redescobrirem-se peregrinos e a iniciarem em si mesmos aquele desarmamento do cora\u00e7\u00e3o, da mente e da vida, ao qual Deus n\u00e3o tardar\u00e1 em responder, cumprindo as suas promessas: \u00abEle julgar\u00e1 as na\u00e7\u00f5es, e dar\u00e1 as suas leis a muitos povos, os quais transformar\u00e3o as suas espadas em relhas de arados, e as suas lan\u00e7as, em foices. Uma na\u00e7\u00e3o n\u00e3o levantar\u00e1 a espada contra outra, e n\u00e3o se adestrar\u00e3o mais para a guerra. Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos \u00e0 luz do Senhor\u00bb (<em>Is<\/em>&nbsp;2, 4-5).<\/p>\n<p><em>Vaticano, 8 de dezembro de 2025<\/em><\/p>\n<p>LE\u00c3O PP. XIV<\/p>\n<p>________________________________<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" name=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\"><\/a>[1]&nbsp;Cf.&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/messages\/urbi\/documents\/20250508-prima-benedizione-urbietorbi.html\">B\u00ean\u00e7\u00e3o \u201cUrbi et Orbi\u201d<\/a><\/em>, Loggia central da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro (8 de maio de 2025).<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" name=\"_ftn2\" href=\"#_ftnref2\"><\/a>[2]&nbsp;Agostinho de Hipona,&nbsp;<em>Sermo&nbsp;<\/em>357, 3.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" name=\"_ftn3\" href=\"#_ftnref3\"><\/a>[3]&nbsp;<em>Ibid.<\/em>, 1.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" name=\"_ftn4\" href=\"#_ftnref4\"><\/a>[4]&nbsp;Jo\u00e3o XXIII, Carta enc.&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/em>&nbsp;(11 de abril de 1963), 111.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" name=\"_ftn5\" href=\"#_ftnref5\"><\/a>[5]&nbsp;Cf.&nbsp;<em>SIPRI Yearbook: Armaments, Disarmament and International Security<\/em>&nbsp;(2025).<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" name=\"_ftn6\" href=\"#_ftnref6\"><\/a>[6]&nbsp;Agostinho de Hipona,&nbsp;<em>Sermo&nbsp;<\/em>357, 1.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" name=\"_ftn7\" href=\"#_ftnref7\"><\/a>[7]&nbsp;Conc. Ecum. Vat. II, Cost. past.&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\">Gaudium et spes<\/a><\/em>, 80.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" name=\"_ftn8\" href=\"#_ftnref8\"><\/a>[8]&nbsp;Francisco, Carta enc.&nbsp;<em><a href=\"#4\">Fratelli tutti<\/a><\/em>&nbsp;(3 de outubro de 2020), 4.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" name=\"_ftn9\" href=\"#_ftnref9\"><\/a>[9]&nbsp;Id.,&nbsp;<em>Carta ao Diretor do jornal italiano \u201cCorriere della Sera\u201d<\/em>&nbsp;(14 de mar\u00e7o de 2025).<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" name=\"_ftn10\" href=\"#_ftnref10\"><\/a>[10]&nbsp;Jo\u00e3o XXIII, Carta enc.&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/em>&nbsp;(11 de abril de 1963), 113.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" name=\"_ftn11\" href=\"#_ftnref11\"><\/a>[11]&nbsp;<em>Discurso aos Bispos da Confer\u00eancia Episcopal Italiana<\/em>&nbsp;(17 de junho de 2025).<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" name=\"_ftn12\" href=\"#_ftnref12\"><\/a>[12]&nbsp;Jo\u00e3o XXIII, Carta enc.&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/em>&nbsp;(11 de abril de 1963), 118.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" name=\"_ftn13\" href=\"#_ftnref13\"><\/a>[13]&nbsp;Bento XVI, Carta enc.&nbsp;<em><a href=\"#42\">Caritas in veritate<\/a><\/em>&nbsp;(29 de junho de 2009), 42.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" name=\"_ftn14\" href=\"#_ftnref14\"><\/a>[14]&nbsp;Francisco, Carta enc.&nbsp;<em><a href=\"#15\">Fratelli tutti<\/a><\/em>&nbsp;(3 de outubro de 2020), 15.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" name=\"_ftn15\" href=\"#_ftnref15\"><\/a>[15]&nbsp;Le\u00e3o XIII, Carta enc.&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum.html\">Rerum novarum<\/a>&nbsp;<\/em>(15 de maio de 1891), 37.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A paz esteja com todos v\u00f3s.&nbsp;Rumo a uma paz desarmada e desarmante \u201cA paz esteja contigo!\u201d. 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