{"id":922,"date":"2025-12-29T13:50:18","date_gmt":"2025-12-29T13:50:18","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/se-queres-a-paz-prepara-a-paz-nota-da-cnjp\/"},"modified":"2025-12-29T13:50:18","modified_gmt":"2025-12-29T13:50:18","slug":"se-queres-a-paz-prepara-a-paz-nota-da-cnjp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/se-queres-a-paz-prepara-a-paz-nota-da-cnjp\/","title":{"rendered":"SE QUERES A PAZ, PREPARA A PAZ Nota da CNJP"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-909\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Pomba-CNJP.webp\" alt=\"Pomba CNJP\" width=\"209\" height=\"261\" \/><\/p>\n<h1 align=\"center\"><strong>SE QUERES A PAZ, PREPARA A PAZ<br \/><\/strong><strong style=\"font-size: 12.1px; text-align: left;\"><em>&nbsp; Nota da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz sobre a mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz<\/em><\/strong><strong style=\"color: #000000; font-size: 11px;\"><em>&nbsp;<br \/><\/em><\/strong><\/h1>\n<p><span style=\"text-align: justify;\">Como vem sendo habitual, a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz quer, com esta nota, salientar alguns aspetos da mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz que lhe parecem de particular relev\u00e2ncia no momento atual do nosso pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa mensagem \u00e9 referido o incremento de despesas militares no mundo inteiro que desde h\u00e1 v\u00e1rios anos se verifica de forma ininterrupta. Um incremento sem precedentes est\u00e1 previsto para o nosso pa\u00eds e para os outros membros da Uni\u00e3o Europeia. Esta uni\u00e3o de Estados nascida como alternativa a um passado de guerras cont\u00ednuas parece preparar-se para a inevitabilidade da guerra. E f\u00e1-lo atrav\u00e9s da dissuas\u00e3o, segundo o velho ad\u00e1gio: \u201c<em>se queres a paz, prepara a guerra<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A mensagem do Papa rejeita esta l\u00f3gica como alicerce da paz aut\u00eantica. Afirma:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Na verdade, a for\u00e7a dissuasiva do poder e, em particular, a dissuas\u00e3o nuclear, encarnam a irracionalidade de uma rela\u00e7\u00e3o entre os povos baseada n\u00e3o no direito, na justi\u00e7a e na confian\u00e7a, mas no medo e no dom\u00ednio da for\u00e7a. Como j\u00e1 escrevia S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII na sua \u00e9poca: \u201c<\/em>O resultado \u00e9 que os povos vivem em terror permanente, como sob a amea\u00e7a de uma tempestade que pode rebentar a cada momento em avassaladora destrui\u00e7\u00e3o. J\u00e1 que as armas existem e, se parece dif\u00edcil que haja pessoas capazes de assumir a responsabilidade das mortes e incomensur\u00e1veis destrui\u00e7\u00f5es que a guerra provocaria, n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel que um fato imprevis\u00edvel e incontrol\u00e1vel possa inesperadamente atear esse inc\u00eandio\u201d\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdadeira paz n\u00e3o assenta na desconfian\u00e7a, no medo e no \u201cequil\u00edbrio do terror\u201d. Esse equil\u00edbrio \u00e9 sempre prec\u00e1rio e inst\u00e1vel; envolve sempre o perigo de passar da amea\u00e7a ao uso efetivo.&nbsp; Por outro lado, a corrida aos armamentos gera uma escalada que pode n\u00e3o ter fim, porque \u00e0 amea\u00e7a se responde com outra amea\u00e7a maior. E desse modo se desviam para fins militares avultados recursos que mais necess\u00e1rios seriam para a promo\u00e7\u00e3o do progresso social.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 alternativas que servem para construir essa paz aut\u00eantica, que certamente tamb\u00e9m n\u00e3o assenta na rendi\u00e7\u00e3o perante a injusti\u00e7a. Constroem essa paz aut\u00eantica a implementa\u00e7\u00e3o do direito internacional, a coopera\u00e7\u00e3o entre os Estados, o desenvolvimento dos povos, as mudan\u00e7as de regime por meios pac\u00edficos (mudan\u00e7as que a hist\u00f3ria recente tamb\u00e9m regista).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Denuncia tamb\u00e9m esta mensagem pol\u00edticas educativas que refor\u00e7am a ideia da inevitabilidade das guerras: \u00ab<em>em vez de uma cultura da mem\u00f3ria, que preserve a consci\u00eancia adquirida no s\u00e9culo XX e n\u00e3o esque\u00e7a os milh\u00f5es de v\u00edtimas, promovem-se campanhas de comunica\u00e7\u00e3o e programas educativos em escolas e universidades, bem como nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, que difundem a perce\u00e7\u00e3o de que se vive continuamente sob amea\u00e7a e transmitem uma no\u00e7\u00e3o de defesa e seguran\u00e7a meramente armada<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os apelos desta mensagem n\u00e3o se dirigem apenas aos respons\u00e1veis pol\u00edticos, dirigem-se a todas as pessoas. A polariza\u00e7\u00e3o que hoje exacerba muitos conflitos (e tamb\u00e9m entre n\u00f3s) n\u00e3o se limita \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre pol\u00edticos e entre governos, invade muitos \u00e2mbitos socias.&nbsp; O desarmamento que prop\u00f5e esta mensagem \u00e9, antes de tudo, o \u00ab<em>do cora\u00e7\u00e3o, da mente e da vida<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para esse \u201cdesarmamento\u201d devem contribuir as v\u00e1rias religi\u00f5es. Afirma a mensagem: \u00ab<em>As grandes tradi\u00e7\u00f5es espirituais, assim como o reto uso da raz\u00e3o, fazem-nos ir al\u00e9m dos la\u00e7os de sangue e \u00e9tnicos, ou daquelas fraternidades que reconhecem apenas quem \u00e9 semelhante e rejeitam quem \u00e9 diferente. Hoje vemos como isso n\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio. Infelizmente, faz parte do panorama contempor\u00e2neo, cada vez mais, arrastar as palavras da f\u00e9 para o embate pol\u00edtico, aben\u00e7oar o nacionalismo e justificar religiosamente a viol\u00eancia e a luta armada. Os fi\u00e9is devem refutar ativamente, antes de tudo com a sua vida, estas formas de blasf\u00e9mia que obscurecem o Santo Nome de Deus<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A paz a que aludiu Le\u00e3o XIV na sua primeira alocu\u00e7\u00e3o e a que tamb\u00e9m alude nesta mensagem n\u00e3o \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o puramente humana, \u00e9 a paz que Cristo ressuscitado d\u00e1 aos seus disc\u00edpulos (\u00ab<em>Dou-vos a paz, deixo-vos a minha paz<\/em>\u00bb) \u00e9 a \u00ab<em>paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante<\/em>\u00bb, que \u00ab<em>prov\u00e9m de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>O velho ad\u00e1gio \u201c<em>se queres a paz, prepara a guerra<\/em>\u201d, deve, pois, ser substitu\u00eddo por este outro: \u201c<em>se queres a paz, prepara a paz<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lisboa, 29 de dezembro de 2025<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SE QUERES A PAZ, PREPARA A PAZ&nbsp; 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