{"id":954,"date":"2026-07-21T13:45:25","date_gmt":"2026-07-21T13:45:25","guid":{"rendered":"https:\/\/site.manuelpedreiro.net\/ferias-descanso-justica-e-recomposicao-da-vida-cdjp-braga\/"},"modified":"2026-07-21T13:45:25","modified_gmt":"2026-07-21T13:45:25","slug":"ferias-descanso-justica-e-recomposicao-da-vida-cdjp-braga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/ferias-descanso-justica-e-recomposicao-da-vida-cdjp-braga\/","title":{"rendered":"F\u00c9RIAS: DESCANSO, JUSTI\u00c7A E RECOMPOSI\u00c7\u00c3O DA VIDA &#8211; CDJP Braga"},"content":{"rendered":"<h1><strong>F\u00e9rias: descanso, justi\u00e7a e recomposi\u00e7\u00e3o da vida<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo de f\u00e9rias n\u00e3o \u00e9 um luxo, nem uma simples interrup\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio laboral. \u00c9 uma necessidade humana, familiar, espiritual e social. Descansar \u00e9 recompor a vida: reencontrar tempo para a fam\u00edlia, para a amizade, para a cultura, para a natureza, para o sil\u00eancio, para a ora\u00e7\u00e3o, para o cuidado e para a interioridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num tempo marcado pela pressa, pela produtividade e pela press\u00e3o permanente, importa afirmar com clareza: a pessoa \u00e9 mais importante do que o trabalho. O trabalho \u00e9 dimens\u00e3o essencial da realiza\u00e7\u00e3o humana, da participa\u00e7\u00e3o social e da independ\u00eancia econ\u00f3mica. Devidamente o recorda Le\u00e3o XIV&nbsp;na enc\u00edclica <em>Magnifica humanitas<\/em>, apresentada a 15 de maio. Na senda da Doutrina Social da Igreja, afirma o Papa: \u201cO trabalho n\u00e3o \u00e9 um mero instrumento, mas expressa e enriquece a dignidade da nossa vida\u201d, sendo \u201cum ordin\u00e1rio caminho para a maturidade, o desenvolvimento e a realiza\u00e7\u00e3o pessoal\u201d (<em>Magnifica humanitas<\/em>, n.\u00ba 149). Mas precisamente por isso o trabalho n\u00e3o pode absorver toda a exist\u00eancia. Quando ocupa um lugar excessivo, ficam feridas a dignidade da pessoa, a vida familiar e a pr\u00f3pria qualidade da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, o direito ao descanso \u00e9 uma quest\u00e3o de justi\u00e7a. N\u00e3o nasceu de forma espont\u00e2nea nem foi uma concess\u00e3o generosa dos poderes econ\u00f3micos ou pol\u00edticos. Foi conquistado pela luta persistente dos trabalhadores, que reclamaram \u2013 e continuam a reclamar &#8211; hor\u00e1rios mais humanos, descanso semanal, tempo livre e f\u00e9rias remuneradas. Estas conquistas sociais devem ser protegidas, valorizadas e tornadas efetivas para todos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Doutrina Social da Igreja reconhece claramente esta exig\u00eancia. O Conc\u00edlio Vaticano II afirma, na Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral&nbsp;<em>Gaudium et spes<\/em>, que todos devem gozar de \u201csuficiente descanso e tempo livre para atender \u00e0 vida familiar, cultural, social e religiosa\u201d, podendo tamb\u00e9m desenvolver capacidades que muitas vezes n\u00e3o conseguem exercer no trabalho profissional (<em>Gaudium et spes<\/em>, n.\u00ba 67).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, na enc\u00edclica&nbsp;<em>Laborem exercens<\/em>, recorda que o direito ao repouso inclui, antes de mais, \u201co repouso semanal regular, compreendendo pelo menos o domingo\u201d, e ainda um repouso mais longo, \u201cas chamadas f\u00e9rias\u201d, uma vez por ano ou em v\u00e1rios per\u00edodos mais breves (<em>Laborem exercens<\/em>, n.\u00ba 19). O descanso n\u00e3o \u00e9, portanto, uma realidade secund\u00e1ria: pertence \u00e0 dignidade do trabalhador e \u00e0 justi\u00e7a das rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta exig\u00eancia \u00e9 particularmente atual quando tantas vidas s\u00e3o organizadas por ritmos desumanos. Como recorda&nbsp;<em>Magnifica humanitas<\/em>, \u201cs\u00e3o necess\u00e1rias medidas que garantam ritmos humanos: sem um equil\u00edbrio entre trabalho, benef\u00edcios e descanso, a fam\u00edlia enfraquece-se e os jovens encontram dificuldades em amadurecer na responsabilidade\u201d (<em>Magnifica humanitas<\/em>, n.\u00ba 169). O descanso n\u00e3o protege apenas o indiv\u00edduo; protege a fam\u00edlia, a educa\u00e7\u00e3o dos jovens e a vida comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCuidemos das rela\u00e7\u00f5es!\u201d, exorta&nbsp;<em>Magnifica humanitas<\/em>, lembrando que, numa \u00e9poca que acelera e fragmenta, \u201ca carne humana continua a pedir para ser cuidada e reconhecida por m\u00e3os capazes de ternura, por mentes atentas e por palavras bondosas\u201d (<em>Magnifica humanitas<\/em>, n.\u00ba 239). As f\u00e9rias podem ser precisamente esse tempo em que a presen\u00e7a volta a ter lugar: a mesa partilhada, a conversa sem pressa, a visita a quem est\u00e1 s\u00f3, o encontro com os amigos, o cuidado dos mais fr\u00e1geis, a vida familiar e comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O descanso \u00e9 profundamente humano: recorda-nos que somos corpo, rela\u00e7\u00e3o, fragilidade e dom. A mesma passagem de&nbsp;<em>Magnifica humanitas<\/em>&nbsp;lembra que cada corpo \u00e9 \u201ctemplo do Esp\u00edrito e casa de Deus\u201d e que esta \u201calian\u00e7a entre gl\u00f3ria e fragilidade\u201d deve tornar-se crit\u00e9rio para avaliar os modelos antropol\u00f3gicos da cultura atual (<em>Magnifica humanitas<\/em>, n.\u00ba 239). As f\u00e9rias ajudam-nos a reconhecer esta verdade simples e decisiva: a vida \u2013 o corpo que somos &#8211; precisa de ser cuidada, n\u00e3o apenas produzida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os crist\u00e3os, esta dimens\u00e3o encontra uma express\u00e3o regular na viv\u00eancia do domingo, que n\u00e3o \u00e9 apenas um dia sem trabalho, mas Dia do Senhor, tempo de escuta da Palavra, de celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, de encontro comunit\u00e1rio, de vida familiar, de fraternidade e de aten\u00e7\u00e3o aos mais fr\u00e1geis. A paragem \u2013 semanal e anual &#8211; recorda-nos que n\u00e3o somos m\u00e1quinas de produzir, mas filhos e filhas de Deus, chamados \u00e0 comunh\u00e3o, \u00e0 gratuidade e ao cuidado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia da subida ao monte Tabor, entre tantos outros momentos da vida de Jesus, ajuda-nos a compreender esta necessidade de parar. Jesus conduz os disc\u00edpulos a um lugar alto, separado do ru\u00eddo habitual, onde se tornam capazes de escutar, contemplar e reconhecer o Filho amado do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa sociedade plural e multicultural como a nossa, reconhecemos que muitas tradi\u00e7\u00f5es religiosas valorizam tempos e gestos que interrompem a l\u00f3gica da pressa e da produ\u00e7\u00e3o. O&nbsp;<em>sabbath<\/em>&nbsp;judaico, a ora\u00e7\u00e3o quotidiana e semanal dos mu\u00e7ulmanos, a medita\u00e7\u00e3o budista e tantas outras pr\u00e1ticas espirituais recordam que o ser humano precisa de sil\u00eancio, gratuidade, contempla\u00e7\u00e3o e abertura ao Mist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tantas vezes saturados de ru\u00eddo, notifica\u00e7\u00f5es, urg\u00eancias e dispers\u00e3o, o descanso \u00e9 oportunidade de promover \u201cuma verdadeira higiene da aten\u00e7\u00e3o: ritmos que prevejam sil\u00eancio, estudo aprofundado, leitura, debate ponderado. Sem estes elementos, a liberdade interior pode ficar comprometida\u201d (<em>Magnifica humanitas<\/em>, n.\u00ba 146).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Defender as f\u00e9rias, o descanso semanal e, para os crist\u00e3os, a viv\u00eancia plena do domingo \u00e9 defender a dignidade humana. \u00c9 afirmar que a economia deve estar ao servi\u00e7o da pessoa, e n\u00e3o a pessoa ao servi\u00e7o da economia. \u00c9 reconhecer que uma sociedade verdadeiramente justa precisa de trabalho digno, mas tamb\u00e9m de repouso, fam\u00edlia, cultura, ora\u00e7\u00e3o, cuidado e tempo para viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o interpretamos o presente como um destino fechado, mas como um campo aberto \u00e0 convers\u00e3o pessoal e coletiva\u201d, recorda&nbsp;<em>Magnifica humanitas<\/em>. Mesmo no meio do ru\u00eddo e da confus\u00e3o, \u201co bem cresce silenciosamente da terra\u201d (<em>Magnifica humanitas<\/em>, n.\u00ba 210). Descansar \u00e9 tamb\u00e9m criar espa\u00e7o para que esse bem cres\u00e7a em n\u00f3s, nas fam\u00edlias, nas comunidades e na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que este tempo de f\u00e9rias seja, por isso, ocasi\u00e3o de descanso verdadeiro, gratid\u00e3o, encontro e renovado compromisso. Porque s\u00f3 uma vida recomposta, cuidada e livre pode regressar ao quotidiano com mais discernimento.<\/p>\n<p>Boas f\u00e9rias.<\/p>\n<p>Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz da Arquidiocese de Braga<\/p>\n<p>20 de Julho de 2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00e9rias: descanso, justi\u00e7a e recomposi\u00e7\u00e3o da vida O tempo de f\u00e9rias n\u00e3o \u00e9 um luxo, nem uma simples interrup\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio laboral. \u00c9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-954","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos-cdjps"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/954","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=954"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/954\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=954"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=954"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cnjp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=954"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}