100 anos de Graham Greene

À margem Graham Greene, talvez o último dos escritores católicos, nasceu há cem anos (2-10-1904; morreu a 3-04-1991). Há mais escritores católicos, obviamente, mas Greene fazia parte de um grupo informal, com Bernanos e Mauriac, por exemplo, em que as questões e os dramas da fé eram intrínsecos à narrativa. E quanto a isso, foi insuperável. Para a história da literatura fica que Graham Greene, convertido e baptizado aos 22 anos, inventou o romance de espionagem (ele próprio espiou para o seu país, a Inglaterra, e durante a II Guerra Mundial foi responsável por seguir os espiões nazis em Portugal). Mas para a compreensão do espírito humano (e cristão) ficou a história do padre infiel, no México anticlerical (“O Poder e a Glória”), a do suicida que se mata por compaixão (“O Nó do Problema”), o drama do adultério e o poder da oração (“O Fim da Aventura”) ou as cómicas aventuras de “Monsenhor Quixote”. Todos estes títulos estão traduzidos. Quem preferir ver um filme veja em vídeo “O Fim da Aventura” e perceberá como ser católico nem sempre é fácil, mas é grandioso.