Adolescentes

À luz do dia Não existe nenhum pai no mun-do que não se interrogue sobre o seu papel quando os filhos chegam à pré-adolescência. Na realidade, é impossível não dar pelo crescimento súbito dos filhos.

Mais ou menos instáveis, mais ou menos obedientes, mais ou menos estudiosos, todos os adolescentes dão sinais de estar em transfor-mação.

Do dia para a noite, mudam de voz e de atitude e tanto ficam calados e mais distantes como se revelam abrasivos e rebeldes.

Uns vivem literalmente afundados na cadeira do computador ou da televisão, enquanto outros conseguem viver emboscados dentro do seu próprio quarto, de onde só saem praticamente para ir à escola e à casa de banho.

Uns e outros, todos olham com indisfarçável impaciência para os pais sempre que estes se atrevem a interpelá-los ou a interromper o curso das suas ideias. Seja quando estão mais desligados ou mais ligados através do Messenger, telemóvel e afins.

Perante este enunciado de factos, importa dizer que uma maioria expressiva de adolescentes atravessa esta idade sem problemas, com uma confiança e uma naturalidade bastante razoáveis. Ou seja, com capacidade para aceitar as transformações físicas, as alterações de humor e, ainda, para lidar com o mundo à sua volta.

Voltando ao início, e porque não existe um pai à face da terra que não tenha dúvidas sobre este período mais existencial, digamos assim, é bom recordar o que dizem alguns especialistas em comportamento, para perceber que existem truques infalíveis para acompanhar os adolescentes nos dias fáceis e difíceis.

Começo por Daniel Sampaio (sei que não sou imparcial nem nunca serei!), quando sublinha a importância de abrir as portas de casa aos amigos dos filhos. Parece demasiado simples mas, na realidade, esta atitude acolhedora tem efeitos surpreendentes.

O gesto de convidar os amigos dos filhos, de os incluir em algumas rotinas da família e de os fazer “sentirem-se em casa” traduz uma abertura genuína de coração e uma aceitação, à partida, daquele universo tantas vezes tão distante do mundo dos adultos.

Daniel Sampaio disse uma vez, com graça e muito realismo, que levar os amigos dos filhos para casa implica confusão, desarrumação e, até, a possibilidade de devastação total do frigorífico; mas, feitas as contas, o saldo é positivo.

Para os filhos, porque se sentem mais aceites e compreendidos e, por isso, menos divididos interiormente. Para os pais, porque ficam mais próximos da realidade dos adolescentes e reforçam os laços com os seus filhos através dos amigos deles.

Uma vez aqui chegados, cabe sublinhar que nada disto se deve confundir com uma atitude de pais que são “os colegas” dos filhos.

Muito pelo contrário, importa respeitar papéis e hierarquias.

Outro truque infalível é eliminar todos os braços-de-ferro que começam nas lendárias discussões sobre “o quarto desarrumado”. No dia em que os pais conseguirem olhar para o quarto dos filhos como olham para uma obra de arte fascinante e incompreensível, muita coisa muda.

Há outras questões aparentemente menores, mas que fazem toda a diferença e mudam uma relação: as saídas à noite, as horas passadas ao computador, os namoros, as mesadas, as motos e as notas. Para todos e cada uma existe uma saída, desde que os pais não desistam, à partida, de confiar em si e nos seus filhos. O truque, aqui, é a sensibilidade e o bom-senso. Funciona sempre.