Hino a Deus

Ó Tu, o além de tudo.

Como te dar outro nome?

Que hino pode cantar-te?

Não há palavra que te expresse.

Que espírito te apreende?

Não há inteligência que te conceba.

Só Tu és inefável;

tudo o que é dito, de ti é que saiu.

Celebram-te todos os seres,

os que falam e os que são mudos.

Prestam-te homenagem todos os seres,

os que pensam e os que não pensam.

A ti aspiram o desejo universal

e o gemido de todos,

Tudo o que existe te invoca,

e todo ser que em teu universo sabe ler,

a ti eleva um hino silencioso.

Tudo o que permanece, só em ti permanece.

O movimento do universo em ti se finda.

De todos os seres, Tu és o fim.

Tu és o único.

Tu és cada um, e não és nenhum.

Não és um só ser, tampouco o conjunto.

Tens todos os nomes:

como te chamarei?

És o único a quem não se pode nomear;

que espírito celeste poderá penetrar as nuvens,

que velam o próprio céu?

Tu, o além de tudo, oh! tem piedade;

como chamar-te por outro nome?

Gregório Nazianzeno

Gregório de Nazianzo (antiga cidade na Turquia) foi ao mesmo tempo homem de acção e de contemplação, filósofo e poeta, vivendo entre a pregação e a meditação. Escreveu 240 cartas, muito importantes pelo seu conteúdo teológico ou moral e belas pela sua forma literária. Compôs centenas de poesias, como esta, em elegantes versos gregos. Morreu em 390. A sua festa litúrgica celebra-se a 2 de Janeiro.