O desenvolvimento dos povos

M. Oliveira de Sousa
Professor

O desenvolvimento dos povos, especialmente aqueles que se esforçam por afastar a fome, a miséria, as doenças endémicas, a ignorância; que procuram uma participação mais ampla nos frutos da civilização, uma valorização mais ativa das suas qualidades humanas; que se orientam com decisão para o seu pleno desenvolvimento, é seguido com atenção pela Igreja. Uma renovada conscientização das exigências da mensagem evangélica traz à Igreja a obrigação de se pôr ao serviço dos homens, para os ajudar a aprofundarem todas as dimensões de tão grave problema e para os convencer da urgência de uma ação solidária neste virar decisivo da história da humanidade (cfr. 1).
Abre com esta atualidade a “Populorum Progressio”, de 26 de março de 1967, há 50 anos! Porque a questão social – o movimento iniciado no século XIX que visava combater as desigualdades em consequência da exploração do trabalho das classes menos favorecidas, em especial dos operários – abrange agora o mundo inteiro! Abrangia. E abrange!
O desenvolvimento integral requer libertar da miséria, encontrar com mais segurança a subsistência, a saúde, um emprego estável; ter maior participação nas responsabilidades, excluindo qualquer opressão e situação que ofendam a sua dignidade dos ser humano; ter maior cultura; numa palavra, realizar, conhecer e possuir mais, para ser mais: tal é a aspiração dos homens e das mulheres de hoje, quando um grande número dentre eles está condenado a viver em condições que tornam ilusório este legítimo desejo (cfr. 6).
O destino universal dos bens – ou seja, o desenvolvimento sustentável – é uma urgência! Mas os desequilíbrios crescentes, a demografia, o trabalho, as organizações, as tensões crescentes, o pluralismo, a cultura, as organizações (de várias naturezas e fins), os investimentos, … têm uma missão urgente em comum: o desenvolvimento solidário em nome da equidade e da paz!
Mobilizar as comunidades para uma solidariedade mundial mais eficaz e, sobretudo, levá-las a aceitar os impostos necessários sobre o luxo e o supérfluo, a fim de promoverem o desenvolvimento e salvarem a paz (cfr 84)… 50 anos depois, “Mãos à obra, todas à uma”.