Os ciganos não são uns “coitadinhos”

D. Manuel Martins no Encontro Nacional Julgo que, num caso ou noutro, tenhamos seguido mais uma Pastoral de coitadirização, de julgarmos os ciganos por «coitadinhos dos nossos ciganos» ou do nosso pobre, do que caminhar com eles como pessoas que são iguais a nós, em deveres e direitos, nesta sociedade em que vivemos”. Esta foi a primeira reacção de D. Manuel Martins, no final do 31º Encontro Nacional da Pastoral dos Ciganos, que se realizou em Fátima de 19 a 21 de Novembro, sob a presidência do ex-Bispo de Setúbal, um dos responsáveis da Comissão Episcopal das Migrações e Turismo.

Numa análise que nos foi feita pelo Director Executivo da Obra Nacional dos Ciganos, Manuel Monteiro, os participantes, ciganos e não ciganos, manifestaram desalentos face às realidades actuais do desenvolvimento cristão e social das pessoas de etnia cigana. No domínio da evangelização das populações ciganas, indicaram-se, por um lado, a consolação dos progressos verificados nalgumas dioceses no incremento dado à Pastoral dos Ciganos e, por outro, a esperança de que o mesmo desenvolvimento se verifique em todas as dioceses que têm populações ciganas.

Os aspectos da comunicação da fé foram evidenciados pelo convidado Pe. António Heredia Cortés, jovem cigano espanhol, quando falou da sua vocação ao sacerdócio no contexto da sua cultura de cigano. Sublinhou-se a conveniência de a liturgia católica ter mais em conta as características próprias da cultura cigana e reafirmou-se a necessidade de se passar à prática na transformação das atitudes relativamente à interacção com as especificidades da etnia cigana.

Conclusões

No domínio da inclusão social da etnia cigana, foram salientados aspectos como o plano de realojamento da população cigana na cidade de Tomar, o projecto Senda Gitana – existente em Aveiro para os ciganos de Ervideiros – e a reunião que o Alto Comissariado para as Migrações e Minorias Étnicas irá realizar proximamente com 70 Câmaras Municipais sobre a venda ambulante. Por outro lado, constatou-se o agravamento das condições e das perspectivas de funcionamento dos mediadores socioculturais ciganos, sendo motivo de preocupação o futuro escolar das crianças ciganas e a actuação de algumas forças policiais junto de ciganos, seja no sentido de reprimir a venda ambulante, seja para os excluir de algumas localidades.

No encontro foram evocados: a Ir. Zulmira da Conceição Cunha, falecida na véspera do encontro, e o cónego Filipe de Figueiredo, falecido há um ano, e saudou-se o novo director da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos, Amadeu Dias Ferreira.