Profecia II

Querubim Silva Padre. Diretor

Querubim Silva
Padre. Diretor

Um dos capítulos da recente exortação apostólica Amoris Laetitia tem por título “Reforçar a Educação dos Filhos”. Depois de recordar que os pais devem aceitar a responsabilidade de influenciarem a formação dos filhos e que o devem fazer “de modo consciente, entusiasta, razoável e apropriado”, Francisco reafirma a necessidade de não renunciar a este direito e dever.
“A família não pode renunciar a ser lugar de apoio, acompanhamento, guia, embora tenha de reinventar os seus métodos e encontrar novos recursos. Precisa de considerar a que realidade quer expor os seus filhos. Para isso não deve deixar de se interrogar sobre quem se ocupa de lhes oferecer diversão e entretenimento, quem entra nas suas casas através dos écrans, a quem os entrega para que os guie nos seus tempos livres.” Estes são círculos de “invasão” da área da sua responsabilidade, sobre os quais devem exercer vigilância, ajudando os filhos a assimilar com espírito crítico as influências que aí se sofrem.
Mas o Santo Padre não ignora o peso que a escola tem na formação da matriz cultural, moral e espiritual. Sem dispensar o seu contributo, não podem os pais deixar-se substituir. “Os pais necessitam também da escola para assegurar uma instrução de base aos seus filhos, mas a formação moral deles nunca a podem delegar totalmente. O desenvolvimento afetivo e ético duma pessoa requer uma experiência fundamental: crer que os próprios pais são dignos de confiança. Isto constitui uma responsabilidade educativa: com o carinho e o testemunho, gerar confiança nos filhos, inspirar-lhes um respeito amoroso.”
Considerando o peso que a escola tem na formação e desenvolvimento da personalidade, na criação de parâmetros de socialização dos indivíduos, não se concebe que os pais não possam escolher uma escola que apresente um projeto educativo que entendam corresponder ao que desejam para os seus filhos. A liberdade de escolha educativa é condição de verdadeira democracia. A pluralidade de projetos educativos é expressão de vida social genuína.
Quando o Presidente da República diz que é preciso completar Abril, entendemos que, nesta área da Educação, não é só preciso completar. É preciso descobrir e desenhar essa liberdade, ameaçada pelo PREC e posta em causa pelas recentes medidas governamentais, claramente eivadas de uma ideologia totalitária jacobina, mais esmagadora do que o próprio Estado Novo.
O Papa continua a profetizar, a apontar caminhos de futuro. Quem o segue com valentia e desassombro, para bem das gerações vindouras e garantia de um futuro de autêntica liberdade? Quem arrisca um Abril na Educação?